{"id":1631,"date":"2017-05-25T08:04:32","date_gmt":"2017-05-25T11:04:32","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=1631"},"modified":"2017-05-25T08:07:46","modified_gmt":"2017-05-25T11:07:46","slug":"nas-entrelinhas-ninguem-morreu-ainda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-ninguem-morreu-ainda\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas: Ningu\u00e9m morreu, ainda"},"content":{"rendered":"<p><em>A oposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve estimular a viol\u00eancia e o vandalismo nos protestos; uma sa\u00edda para a crise \u00e9tica e pol\u00edtica depende do Congresso e do Supremo Tribunal<\/em><\/p>\n<p>Uma das caracter\u00edsticas da crise \u00e9tica que o pa\u00eds vive \u00e9 o fato de que ningu\u00e9m morreu, at\u00e9 agora. N\u00e3o houve \u201cqueima de arquivo\u201d de potenciais delatores e testemunhas. Muito menos de delegados, promotores e ju\u00edzes, como aconteceu na Opera\u00e7\u00e3o M\u00e3os Limpas, na It\u00e1lia. Suic\u00eddios, nem pensar, n\u00e3o \u00e9 da \u00edndole dos envolvidos. A personalidade do presidente Michel Temer tamb\u00e9m n\u00e3o se parece com a de Get\u00falio Vargas, e o contexto da crise atual \u00e9 completamente diverso daquele de 1954 \u2014 embora o dia 24 de agosto esteja longe ainda. Mas, ontem, uma pessoa foi baleada durante os protestos da Esplanada dos Minist\u00e9rios, ou seja, por muito pouco n\u00e3o apareceu o primeiro cad\u00e1ver para incendiar o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Entretanto, em raz\u00e3o dos atos de vandalismo protagonizados por manifestantes convocados pelas centrais sindicais e pelos partidos de oposi\u00e7\u00e3o, que chegaram a atear fogo nos minist\u00e9rios da Agricultura e da Cultura e a depredar outros pr\u00e9dios da Esplanada, a crise ganhou contornos que podem resultar numa trag\u00e9dia, se n\u00e3o houver uma mudan\u00e7a de rumo na situa\u00e7\u00e3o. De um lado, a oposi\u00e7\u00e3o precisa dar exemplo e deixar de estimular a viol\u00eancia e o vandalismo nos protestos; de outro, os poderes da Rep\u00fablica, notadamente o Congresso e o Supremo Tribunal, devem buscar uma sa\u00edda para a crise \u00e9tica e pol\u00edtica que se instalou em raz\u00e3o da abertura de investiga\u00e7\u00e3o contra o presidente Michel Temer no \u00e2mbito da Opera\u00e7\u00e3o Patmos (ilha grega onde o ap\u00f3stolo Jo\u00e3o teve as vis\u00f5es descritas no Apocalipse), deflagrada pela \u201cdela\u00e7\u00e3o premiada de Joesley Batista, dono da JBS\u201d.<\/p>\n<p><strong>Lei e ordem<\/strong><br \/>\nNo fim da tarde, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, ao lado do ministro do Gabinete de Seguran\u00e7a Institucional, general Sergio Etchegoyen, anunciou que, a pedido do presidente da C\u00e2mara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), o presidente Temer determinou o emprego de for\u00e7as federais numa opera\u00e7\u00e3o de garantia da lei e da ordem na Esplanada. Durante os confrontos, a Pol\u00edcia Militar utilizou os recursos habituais para enfrentar os manifestantes e conteve os protestos sem emprego de for\u00e7a desproporcional, mas n\u00e3o conseguiu impedir a escalada de vandalismo.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o de recorrer \u00e0 Garantia da Lei e da Ordem (GLO), uma prerrogativa exclusiva do presidente da Rep\u00fablica, tem um duplo significado. Primeiro, a disposi\u00e7\u00e3o de n\u00e3o permitir que os protestos extrapolem os limites da manifesta\u00e7\u00e3o livre e democr\u00e1tica e que degenerem em atos de vandalismo e viol\u00eancia, como vem ocorrendo com frequ\u00eancia. Segundo, o envolvimento das For\u00e7as Armadas na crise pol\u00edtica, o que n\u00e3o \u00e9 nada bom, porque a confronta\u00e7\u00e3o desses manifestantes com essas for\u00e7as pode degenerar em repress\u00e3o mais brutal.<\/p>\n<p>As opera\u00e7\u00f5es de GLO est\u00e3o previstas nos casos de esgotamento das for\u00e7as tradicionais de seguran\u00e7a p\u00fablica e graves situa\u00e7\u00f5es de perturba\u00e7\u00e3o da ordem. S\u00e3o reguladas pelo artigo 142 da Constitui\u00e7\u00e3o, pela Lei Complementar 97, de 1999, e pelo decreto 3.897, de 2001. Nessas a\u00e7\u00f5es, as For\u00e7as Armadas agem de forma epis\u00f3dica, em \u00e1rea restrita e por tempo limitado, com o objetivo de preservar a ordem p\u00fablica, a integridade da popula\u00e7\u00e3o e garantir o funcionamento regular das institui\u00e7\u00f5es. Passam a ter poder de pol\u00edcia at\u00e9 o restabelecimento da normalidade.<\/p>\n<p>Essas opera\u00e7\u00f5es j\u00e1 foram realizadas no Rio de Janeiro, no Rio Grande do Norte e no Esp\u00edrito Santo, a pedido dos governos estaduais; durante a Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel do Rio de Janeiro (Rio+20), em 2012; na Copa das Confedera\u00e7\u00f5es da Fifa; e na visita do papa Francisco a Aparecida (SP) e ao Rio de Janeiro, durante a Jornada Mundial da Juventude, em 2013; e na Copa do Mundo de 2014 e nos Jogos Ol\u00edmpicos Rio-2016. \u00c9 a primeira vez que se realiza em raz\u00e3o de manifesta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas na Esplanada. N\u00e3o \u00e9 um bom sinal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A oposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve estimular a viol\u00eancia e o vandalismo nos protestos; uma sa\u00edda para a crise \u00e9tica e pol\u00edtica depende do Congresso e do Supremo Tribunal Uma das caracter\u00edsticas da crise \u00e9tica que o pa\u00eds vive \u00e9 o fato de que ningu\u00e9m morreu, at\u00e9 agora. N\u00e3o houve \u201cqueima de arquivo\u201d de potenciais delatores e testemunhas. 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