{"id":1805,"date":"2017-08-10T01:33:04","date_gmt":"2017-08-10T04:33:04","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=1805"},"modified":"2017-08-10T01:33:04","modified_gmt":"2017-08-10T04:33:04","slug":"nas-entrelinhas-duas-politicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-duas-politicas\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas: Duas pol\u00edticas"},"content":{"rendered":"<p><em>Temer foi v\u00edtima, digamos assim, da queda de bra\u00e7os entre o ministro da Fazenda, HenriqueMeirelles, e o ministro do Planejamento, Diogo Oliveira<\/em><\/p>\n<p>Cada dia que passa fica mais claro o embate no governo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica econ\u00f4mica. Ontem, por exemplo, foi protagonizado pelo pr\u00f3prio presidente Michel Temer, que anunciou pela manh\u00e3 que o governo estuda um aumento nas al\u00edquotas do Imposto de Renda e, depois, teve que desmenti-lo, por meio de nota da assessoria de imprensa da Presid\u00eancia. Nesse meio tempo, levou uma invertida do presidente da C\u00e2mara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que descartou a aprova\u00e7\u00e3o do aumento, categoricamente. Temer foi v\u00edtima, digamos assim, da queda de bra\u00e7os entre o ministro da Fazenda, HenriqueMeirelles, e o ministro do Planejamento, Diogo Oliveira, que come\u00e7a a criar uma dualidade na pol\u00edtica econ\u00f4mica.<br \/>\nTemer havia anunciado os estudos ap\u00f3s participar da abertura de congresso da Federa\u00e7\u00e3o Nacional de Distribui\u00e7\u00e3o de Ve\u00edculos Automotores (Fenabrave). Foi imediatamente criticado pelo presidente da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria, Robson Braga de Andrade, que classificou como &#8220;retrocesso&#8221; uma eventual alta de tributos: \u201co governo d\u00e1 um sinal errado, na hora errada&#8221;. Maia comentou a decis\u00e3o alinhado ao setor produtivo: \u201cSe tiver que passar pela C\u00e2mara, n\u00e3o passa\u201d, disse. Na pr\u00e1tica, o governo d\u00e1 com uma m\u00e3o e tira com a outra.<br \/>\nCom pompa e circunst\u00e2ncia, por exemplo, Temer anunciou ontem a distribui\u00e7\u00e3o de R$ 7 bilh\u00f5es na divis\u00e3o do lucro do Fundo de Garantia por Tempo de Servi\u00e7o (FGTS). Esse valor corresponde \u00e0 metade do lucro do FGTS obtido em 2016, de R$ 14 bilh\u00f5es. \u00c9 uma a\u00e7\u00e3o para estimular a economia: &#8220;satisfaz o trabalhador, e por outro lado injetamos R$ 44 bilh\u00f5es na economia&#8221;, explicou o presidente. O dinheiro vai ser depositado at\u00e9 o dia 31 de agosto. A medida \u00e9 uma proposta do Planejamento, cujo ministro venceu a queda de bra\u00e7os com os t\u00e9cnicos da Fazenda.<br \/>\nCerca de 240 milh\u00f5es de contas do FGTS \u2013 ativas e inativas \u2013 com saldo em 31 de dezembro de 2016 receber\u00e3o um valor proporcional \u00e0 metade do lucro que o fundo obteve com investimentos no ano passado. A distribui\u00e7\u00e3o deste lucro ser\u00e1 proporcional ao saldo em cada conta do FGTS naquela data. Essa medida estava no bojo da medida provis\u00f3ria 763, a mesma que permitiu aos trabalhadores sacarem suas contas inativas do FGTS at\u00e9 31 de julho. Meirelles quis voltar atr\u00e1s, mas perdeu a parada pela segunda vez.<br \/>\nNo caso do aumento da al\u00edquota do Imposto de Renda, a briga nos bastidores continua. A nota do Pal\u00e1cio do Planalto reflete a rea\u00e7\u00e3o da equipe econ\u00f4mica: \u201cEsclarecemos que hoje esses estudos est\u00e3o focados prioritariamente em reduzir despesas e cortar gastos, na tentativa obstinada de evitar o aumento da carga tribut\u00e1ria brasileira&#8221;, diz. O desmentido da eleva\u00e7\u00e3o do Imposto de Renda foi categ\u00f3rico: \u201cA Presid\u00eancia da Rep\u00fablica n\u00e3o encaminhar\u00e1 proposta de eleva\u00e7\u00e3o do Imposto de Renda ao Congresso Nacional\u201d.<br \/>\n<strong>Previd\u00eancia<\/strong><br \/>\nPresidente do PMDB e l\u00edder do governo no Senado, o senador Romero Juc\u00e1 (RR) \u00e9 um protagonista importante na queda de bra\u00e7os. Padrinho pol\u00edtico do ministro da Fazenda, profundo conhecedor dos meandros do Or\u00e7amento da Uni\u00e3o, Juc\u00e1 trabalha numa linha contr\u00e1ria aos t\u00e9cnicos do Tesouro, que j\u00e1 perderam a batalha da meta de R$ 139 bilh\u00f5es de deficit fiscal neste ano e R$ 129 bilh\u00f5es, no pr\u00f3ximo ano. O governo n\u00e3o consegue mais reduzir gastos, principalmente porque a base parlamentar n\u00e3o deixa. A sa\u00edda ser\u00e1 aumentar a meta, tanto de 2017 como de 2018, num valor que est\u00e1 sendo estimado em pelo menos R$ 20 bilh\u00f5es. Pode ser pouco.<br \/>\n\u00c9 nesse cen\u00e1rio no qual o presidente da C\u00e2mara, Rodrigo Maia, torna-se fiador da estabilidade da economia, enquanto Juc\u00e1 joga no ponto futuro do reaquecimento da economia e da aprova\u00e7\u00e3o da reforma da Previd\u00eancia, que subiu no telhado desde a den\u00fancia do Minist\u00e9rio P\u00fablico contra o presidente Temer (rejeitada na semana passada pela C\u00e2mara). Maia garante que a reforma ser\u00e1 aprovada, com apoio dos parlamentares da base que votaram contra Temer, mas s\u00e3o a favor da reforma. Faz sentido, porque a n\u00e3o-aprova\u00e7\u00e3o transformar\u00e1 o governo num espectro do que foi at\u00e9 agora, interrompendo a onda de moderniza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es do Estado com a economia protagonizada por Temer at\u00e9 agora.<\/p>\n<p><em>Publicado no Correio Braziliense de 09\/08\/2015<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Temer foi v\u00edtima, digamos assim, da queda de bra\u00e7os entre o ministro da Fazenda, HenriqueMeirelles, e o ministro do Planejamento, Diogo Oliveira Cada dia que passa fica mais claro o embate no governo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica econ\u00f4mica. 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