{"id":1837,"date":"2017-08-19T03:28:49","date_gmt":"2017-08-19T06:28:49","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=1837"},"modified":"2017-08-19T03:28:49","modified_gmt":"2017-08-19T06:28:49","slug":"nas-entrelinhas-as-velhas-raposas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-as-velhas-raposas\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas: As velhas raposas"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A solu\u00e7\u00e3o da crise ter\u00e1 que sair das elei\u00e7\u00f5es de 2018, \u00e9 a regra do jogo democr\u00e1tico, cuja primeira condi\u00e7\u00e3o \u00e9 a manuten\u00e7\u00e3o do calend\u00e1rio eleitoral; a segunda, a possibilidade de altern\u00e2ncia de poder<\/em><\/p>\n<p>O velho Piantella n\u00e3o perde a majestade. Na noite de quarta-feira, ao contr\u00e1rio da maioria dos deputados que gostam de futebol e foram assistir ao cl\u00e1ssico Flamengo e Botafogo pela televis\u00e3o (um zero a zero dos mais sem gra\u00e7a, no campo do Engenh\u00e3o, no sub\u00farbio carioca do Engenho de Dentro), um grupo de velhas raposas do Congresso se reunia nos fundos do velho reduto dos deputados Ulysses Guimar\u00e3es (PMDB-SP) e Luiz Eduardo Magalh\u00e3es (PFL-BA). Ambos pontificaram na pol\u00edtica nacional tecendo grandes acordos pol\u00edticos que garantiram a transi\u00e7\u00e3o \u00e0 democracia, o primeiro, e o sucesso do Plano Real, o segundo. E deixaram disc\u00edpulos na arte da pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Estavam l\u00e1 o atual decano da Casa, Miro Teixeira (Rede), eleito pela primeira vez nas elei\u00e7\u00f5es de 1974 com um caminh\u00e3o de votos, Her\u00e1clito Fortes (PSB-PI), Benito Gama (PTB-BA), Jos\u00e9 Carlos Aleluia (DEM-BA), Rubens Bueno (PPS-PR) e Tadeu Alencar (PSB-PE), que \u00e9 novo no grupo, mas respeitado porque \u00e9 muito sensato e bom advogado, o que \u00e9 muito importante nessas horas nas quais a criatividade pode selar o destino do pa\u00eds com uma boa sa\u00edda jur\u00eddica. O assunto da conversa entre essas velhas raposas da pol\u00edtica n\u00e3o poderia ser outro: desatar o n\u00f3 da reforma pol\u00edtica, em discuss\u00e3o na C\u00e2mara, que havia acabado de encerrar a sess\u00e3o sem conseguir votar nenhuma proposta. Motivo: absoluta falta de clareza da maioria sobre o que fazer com o sistema eleitoral e o financiamento das campanhas.<\/p>\n<p>Nessa roda de conversa, todos s\u00e3o contr\u00e1rios ao \u201cfund\u00e3o\u201d de R$ 3,6 bilh\u00f5es e a favor de uma forma de financiamento privado, com limite de arrecada\u00e7\u00e3o e previamente controlado pela Receita Federal. Se a f\u00f3rmula que discutem ser\u00e1 emplacada, n\u00e3o ser\u00e1 a primeira vez que isso acontece. O grupo costuma jogar conversa fora em p\u00fablico e articular grandes acordos nos bastidores do plen\u00e1rio da C\u00e2mara. A maioria trabalhou a favor dos dois impeachments aprovados na Casa, do Collor de Melo e de Dilma Rousseff. Algumas conversas decisivas foram em almo\u00e7os e jantares fechados na casa de Her\u00e1clito, no Lago Sul, sem a presen\u00e7a de jornalistas, lobistas e boquirrotos. Quem vaza conversas nesses encontros est\u00e1 fora do jogo. O convidado mais recente do grupo foi o governador de S\u00e3o Paulo, Geraldo Alckmin, que resolveu sair da toca por causa do prefeito paulistano, Jo\u00e3o Doria.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 acordo no grupo sobre a outra proposta pol\u00eamica, o \u201cdistrit\u00e3o\u201d, projeto que tem como um dos seus patronos o deputado Miro Teixeira. Seu amigo Rubens Bueno \u00e9 radicalmente contra a proposta. Para Miro, o \u201cdistrit\u00e3o\u201d n\u00e3o \u00e9 problema, \u00e9 solu\u00e7\u00e3o. Elege-se com facilidade e se livra das amarras da Rede, embora n\u00e3o diga isso em nenhum momento. Para Rubens, \u00e9 o fim dos partidos, principalmente os pequenos, com menos tempo de televis\u00e3o e recursos, porque o leil\u00e3o do troca-troca partid\u00e1rio j\u00e1 \u00e9 uma realidade na C\u00e2mara. Benito Gama se diverte com a pol\u00eamica. Como bom baiano, ironiza a situa\u00e7\u00e3o. E comemora o fato de o Congresso reagir \u00e0s press\u00f5es da opini\u00e3o p\u00fablica. \u201cQuem vai dar uma solu\u00e7\u00e3o para crise pol\u00edtica somos n\u00f3s, os pol\u00edticos, n\u00e3o s\u00e3o ju\u00edzes, promotores e militares. Democracia \u00e9 assim!\u201d<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a quest\u00e3o de fundo da crise \u00e9tica. N\u00e3o h\u00e1 a menor possibilidade de uma solu\u00e7\u00e3o a la Emmanuel Macron, o novo presidente franc\u00eas, que deixou o governo do socialista de Fran\u00e7ois Hollande, criou um movimento que, em um ano, filiou 200 mil militantes e derrotou gaulistas e socialistas, os tradicionais partidos franceses, levando de rold\u00e3o a direita chauvinista de Marine Le Pen. A solu\u00e7\u00e3o da crise ter\u00e1 que sair das elei\u00e7\u00f5es de 2018, \u00e9 a regra do jogo democr\u00e1tico, cuja primeira condi\u00e7\u00e3o \u00e9 a manuten\u00e7\u00e3o do calend\u00e1rio eleitoral; a segunda, a possibilidade de altern\u00e2ncia de poder.<\/p>\n<p>Mas as regras da elei\u00e7\u00e3o est\u00e3o sendo decididas por muitos l\u00edderes pol\u00edticos acuados pela Lava-Jato e um baixo clero \u00e0 beira de um ataque de nervos por causa do desgaste do Congresso. \u00c9 nesse universo que essas raposas jogam no meio de campo e armam suas jogadas. A sociedade j\u00e1 detonou o \u201cdistrit\u00e3o\u201d e o \u201cfund\u00e3o\u201d. At\u00e9 ministros do Supremo que votaram a favor do financiamento p\u00fablico j\u00e1 est\u00e3o revendo suas posi\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias ao financiamento privado. Miro Teixeira j\u00e1 queima as pestanas pra encontrar uma f\u00f3rmula que salve o \u201cdistrit\u00e3o\u201d do naufr\u00e1gio. No momento, a ideia \u00e9 \u201cdistrit\u00e3o\u201d com voto em legenda. \u00c9 uma tremenda jabuticaba, n\u00e3o existe em lugar algum. Mas ainda n\u00e3o colou!<br \/>\n<strong>Las Ramblas<\/strong><\/p>\n<p>Em 23 de junho, em f\u00e9rias, estava flanando por Las Ramblas, cujo nome \u00e9 uma corruptela do \u00e1rabe \u201cramla\u201d, t\u00e3o comum na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica, que nesse caso significa leito de rio seco. A longa avenida de 1,2km tem um grande cal\u00e7ad\u00e3o que desce da Pra\u00e7a da Catalunha ao Porto Velho, no cora\u00e7\u00e3o de Barcelona, pelo qual transitam diariamente de 230 mil a 310 mil pessoas. O atentado de ontem deixou ao menos 13 mortos e uma centena de feridos, de pelo menos 18 nacionalidades. Nenhum brasileiro, embora seja imposs\u00edvel fazer aquele trajeto sem ouvir os sotaques de diversas regi\u00f5es do nosso pa\u00eds. O mundo est\u00e1 cada vez mais perigoso, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o Rio de Janeiro que tem motivos de sobra para se vestir de branco pela paz. Cidades emblem\u00e1ticas da Europa, como Barcelona, tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>(<em>Publicado no Correio Braziliense de 18\/07\/2017<\/em>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; A solu\u00e7\u00e3o da crise ter\u00e1 que sair das elei\u00e7\u00f5es de 2018, \u00e9 a regra do jogo democr\u00e1tico, cuja primeira condi\u00e7\u00e3o \u00e9 a manuten\u00e7\u00e3o do calend\u00e1rio eleitoral; a segunda, a possibilidade de altern\u00e2ncia de poder O velho Piantella n\u00e3o perde a majestade. 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