{"id":2076,"date":"2017-11-03T00:28:59","date_gmt":"2017-11-03T02:28:59","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=2076"},"modified":"2017-11-03T00:28:59","modified_gmt":"2017-11-03T02:28:59","slug":"nas-entrelinhas-o-sincericidio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-o-sincericidio\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas: O sinceric\u00eddio"},"content":{"rendered":"<p><em>Torquato afirmou que toda a linha de comando da PMRJ precisa ser investigada, o que provocou um princ\u00edpio de rebeli\u00e3o na corpora\u00e7\u00e3o, que obteve solidariedade das autoridades locais<\/em><\/p>\n<p>O ministro da Justi\u00e7a, Torquato Jardim, est\u00e1 com a cabe\u00e7a a pr\u00eamio, mas n\u00e3o caiu, porque p\u00f4s o dedo na ferida do problema de seguran\u00e7a p\u00fablica no Rio de Janeiro, que \u00e9 muito mais complexo do que as autoridades locais admitem. Criticado por apontar o envolvimento dos comandantes da Pol\u00edcia Militar com o crime organizado, voltou \u00e0 carga ao desafia-las a desmenti-lo. Torquato afirmou que toda a linha de comando precisa ser investigada, o que provocou um princ\u00edpio de rebeli\u00e3o na corpora\u00e7\u00e3o, que obteve solidariedade das autoridades locais, principalmente do governador Fernando Pez\u00e3o (PMDB-RJ), do presidente da Assembleia Legislativa, Jorge Picciani (PMDB), e do presidente da C\u00e2mara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que est\u00e1 em viagem ao exterior.<\/p>\n<p>Disse o ministro: \u201cN\u00f3s temos informa\u00e7\u00e3o: R$ 10 milh\u00f5es por semana na Rocinha com gato de energia el\u00e9trica, TV a cabo, controle da distribui\u00e7\u00e3o de g\u00e1s e o narcotr\u00e1fico. Em um espa\u00e7o geogr\u00e1fico pequeno. Voc\u00ea tem um batalh\u00e3o, uma UPP l\u00e1. Como aquilo tudo acontece sem conhecimento das autoridades? Como passa na informalidade? Em algum lugar, voltamos \u00e0 Tropa de Elite 1 e 2. Em algum lugar alguma coisa est\u00e1 sendo autorizada informalmente\u201d, afirmou o ministro. Torquato se baseou em relat\u00f3rios de intelig\u00eancia da Pol\u00edcia Federal e, provavelmente, das For\u00e7as Armadas.\u201cExiste um servi\u00e7o de intelig\u00eancia sobre tudo que eu falo. Todo servi\u00e7o de intelig\u00eancia \u00e9 sigiloso. Voc\u00ea n\u00e3o pode dizer quem, quando, como\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Para o n\u00facleo pol\u00edtico do governo, foi um sinceric\u00eddio do ministro. O Pal\u00e1cio do Planalto tenta gerenciar a crise para n\u00e3o sair com a imagem arranhada do epis\u00f3dio; os pol\u00edticos fluminenses, respons\u00e1veis pela seguran\u00e7a p\u00fablica estadual, da qual n\u00e3o d\u00e3o conta, por\u00e9m, cobram uma retrata\u00e7\u00e3o do ministro, que n\u00e3o vir\u00e1, porque seria sua desmoraliza\u00e7\u00e3o. Torquato foi ao centro da quest\u00e3o: a simbiose entre o crime organizado e a chamada banda podre da pol\u00edcia. O que acontece nas favelas do Rio de Janeiro \u00e9 um pacto corrupto entre traficantes e policiais militares, que vai muito al\u00e9m da venda de drogas e da seguran\u00e7a do com\u00e9rcio local. Envolve uma rede de servi\u00e7os e atividades comerciais da economia informal.<\/p>\n<p>A ponta deste iceberg \u00e9 a taxa de homic\u00eddios n\u00e3o investigados. A economia informal n\u00e3o tem t\u00edtulo em cart\u00f3rio, funciona no fio do bigode. A mesma regra que vale para o \u201cavi\u00e3o\u201d que deu um \u201cbanho\u201d no traficante, vale para quem tomou dinheiro emprestado e n\u00e3o pagou ao agiota: a cobran\u00e7a \u00e9 feita \u00e0 m\u00e3o armada. Quem olha para o alto e v\u00ea aquele incr\u00edvel emaranhado de fios sobre as ruas e becos n\u00e3o imagina como funciona a rede de tev\u00ea a cabo. Muito menos a distribui\u00e7\u00e3o de g\u00e1s e o servi\u00e7o de motot\u00e1xi. Existe uma economia informal de grande envergadura nas \u201ccomunidades\u201d cariocas, boa parte controlada por mil\u00edcias formadas por policiais expulsos da corpora\u00e7\u00e3o por conduta indigna e criminosa.<\/p>\n<p>O com\u00e9rcio e os empreendimentos da Rocinha, por exemplo, movimentam R$ 13 bilh\u00f5es por ano. Tem mercado, farm\u00e1cia, lot\u00e9rica, concession\u00e1ria de moto, rede fast-food e at\u00e9 shopping. H\u00e1 mais de 6.500 empresas e empreendedores locais, cujas rela\u00e7\u00f5es comerciais s\u00e3o predominantemente informais. Para que tudo funcione, na aus\u00eancia de infraestrutura e servi\u00e7os organizados, as solu\u00e7\u00f5es encontradas s\u00e3o pactuadas com quem tem o controle geogr\u00e1fico da regi\u00e3o: a pol\u00edcia controla o fluxo de entrada e a sa\u00edda do morro; os traficantes, as partes altas e seus acessos. A crise explode quando os pactos s\u00e3o rompidos de um lado ou de outro, seja por uma troca de comando, seja por uma disputa entre traficantes.<\/p>\n<p><strong>Tens\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Ocorre que a entrada em cena das For\u00e7as Armadas gerou uma mudan\u00e7a de paradigma, por causa das opera\u00e7\u00f5es de intelig\u00eancia, que passaram a ser mais ativas, at\u00e9 por uma necessidade de planejamento das opera\u00e7\u00f5es. Mesmo assim, as realizadas at\u00e9 agora foram prejudicadas por vazamentos de informa\u00e7\u00f5es atribu\u00eddos \u00e0 Pol\u00edcia Civil e \u00e0 Pol\u00edcia Militar. Essa foi a principal raz\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o da for\u00e7a-tarefa que vai investigar o crime organizado no Rio de Janeiro, depois de enf\u00e1ticas declara\u00e7\u00f5es do ministro da Defesa, Raul Jungmann, sobre a influ\u00eancia do crime organizado na pol\u00edtica fluminense. A escolha do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal para liderar as investiga\u00e7\u00f5es teve objetivo de reduzir ao m\u00e1ximo os vazamentos; por\u00e9m, n\u00e3o agradou \u00e0 Pol\u00edcia Federal, que pretendia estar \u00e0 frente dos trabalhos. A disputa \u00e9 antiga, mas nunca impediu as opera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A tens\u00e3o aumentou com a morte do comandante do batalh\u00e3o do M\u00e9ier, coronel Luiz Gustavo Teixeira, na semana passada, at\u00e9 agora n\u00e3o explicada direito. O governador Luiz Fernando Pez\u00e3o resolveu interpelar judicialmente o ministro no Supremo Tribunal Federal, o que esticou a corda de vez. A conclus\u00e3o \u00e9 de que n\u00e3o haver\u00e1 coopera\u00e7\u00e3o entre a for\u00e7a-tarefa federal e as autoridades locais se o ministro da Justi\u00e7a n\u00e3o se retratar das declara\u00e7\u00f5es. Torquato, por\u00e9m, n\u00e3o recuar\u00e1.<\/p>\n<p><em>Publicado em 02 de novembro de 2017<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Torquato afirmou que toda a linha de comando da PMRJ precisa ser investigada, o que provocou um princ\u00edpio de rebeli\u00e3o na corpora\u00e7\u00e3o, que obteve solidariedade das autoridades locais O ministro da Justi\u00e7a, Torquato Jardim, est\u00e1 com a cabe\u00e7a a pr\u00eamio, mas n\u00e3o caiu, porque p\u00f4s o dedo na ferida do problema de seguran\u00e7a p\u00fablica no Rio de Janeiro, que \u00e9 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":39,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4,7,113,3,115,68],"tags":[27,69],"class_list":["post-2076","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-governo","category-justica","category-militares","category-politica","category-rio-de-janeiro","category-violencia","tag-governotemer","tag-violencia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2076","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/39"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2076"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2076\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2082,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2076\/revisions\/2082"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2076"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2076"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2076"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}