{"id":2216,"date":"2017-12-23T14:29:20","date_gmt":"2017-12-23T16:29:20","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=2216"},"modified":"2017-12-23T15:36:10","modified_gmt":"2017-12-23T17:36:10","slug":"nas-entrelinhas-candidato-sem-partido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-candidato-sem-partido\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas: Candidato sem partido"},"content":{"rendered":"<p><em>Em todos os cen\u00e1rios eleitorais, Bolsonaro oscila na faixa entre 17% e 18% dos votos, mas sobe para 21% nos cen\u00e1rios poss\u00edveis sem a presen\u00e7a de Lula<\/em><\/p>\n<p>Jair Bolsonaro (PSC), segundo colocado nas pesquisas, virou uma esp\u00e9cie de ronin (um samurai errante, renegado pelo pr\u00f3prio cl\u00e3) nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais. Seu partido, sob comando do Pastor Everaldo, n\u00e3o deseja t\u00ea-lo como candidato. O nome preferido pela c\u00fapula da legenda \u00e9 o presidente do BNDES, Paulo Rabelo de Castro. Por essa raz\u00e3o, o ex-capit\u00e3o do Ex\u00e9rcito estava de mudan\u00e7a para o PEN, cujo nome mudar\u00e1 para Patriotas, mas algo ocorreu no meio do caminho. Adilson Barroso, presidente do partido, e Bolsonaro, que pleiteia pelo menos \u201c51% das a\u00e7\u00f5es\u201d da legenda, n\u00e3o se entenderam sobre o fundo eleitoral. Traduzindo, isso representaria em torno de R$ 5,1 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Em todos os cen\u00e1rios eleitorais, segundo o \u00faltimo DataFolha (29 e 30\/11), Bolsonaro oscila na faixa entre 17% e 18% dos votos, mas sobe para 21% nos cen\u00e1rios poss\u00edveis sem a presen\u00e7a do ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva. Nesse contexto, seria o favorito na disputa, seguido de perto por Marina Silva, que herdaria a outra parte dos votos do petista e subiria da faixa entre 9% e 11% para 16% e 17%. A prop\u00f3sito, Bolsonaro est\u00e1 numa situa\u00e7\u00e3o muito parecida com a da ex-senadora acriana nas elei\u00e7\u00f5es passadas, quando se filiou ao PSB para disputar a elei\u00e7\u00e3o porque n\u00e3o conseguiu registrar seu partido, a Rede. A rigor, o ex-capit\u00e3o do Ex\u00e9rcito n\u00e3o teria problemas para conseguir uma legenda, mas as negocia\u00e7\u00f5es com o PSL, que mudou o nome para Livres, tamb\u00e9m encalharam por causa do tal arranjo acion\u00e1rio: a divis\u00e3o do fundo eleitoral de R$ 9 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>O deputado federal Luciano Bivar (PE), presidente da legenda, ontem, descartou categoricamente a filia\u00e7\u00e3o de Bolsonaro: \u201cN\u00e3o procedem, de forma alguma, as not\u00edcias de que o deputado federal Jair Bolsonaro possa se filiar ao PSL. O projeto pol\u00edtico de Jair Bolsonaro \u00e9 absolutamente incompat\u00edvel com os ideais do Livres e o profundo processo de renova\u00e7\u00e3o pol\u00edtica com o qual o PSL est\u00e1 inteiramente comprometido\u201d. Essa vem sendo a maior dificuldade de Bolsonaro, que se viabilizou eleitoralmente como candidato competitivo, mas a imagem de candidato \u201clinha-dura\u201d dificulta a vida junto aos setores liberais, ainda que tente substituir o discurso nacionalista de direita por uma ret\u00f3rica mais alinhada com o mercado. Bolsonaro consolidou a imagem de candidato reacion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Na c\u00fapula das For\u00e7as Armadas, Bolsonaro n\u00e3o tem o menor tr\u00e2nsito. N\u00e3o s\u00f3 por causa de suas ideias, mas tamb\u00e9m por causa da hierarquia militar. Mas tem prest\u00edgio na tropa e alguns aliados na oficialidade, colegas de forma\u00e7\u00e3o militar. Se hoje podemos afirmar que n\u00e3o existe amea\u00e7a de golpe de Estado, ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es, com Bolsonaro eventualmente no poder, tudo pode acontecer, pois seus discursos s\u00e3o autorit\u00e1rios apontam para a imprevisibilidade. Com 4,9 milh\u00f5es de seguidores no Facebook, tem hoje uma rede de apoio nacional, que lhe garante audi\u00eancia certa nos eventos que organiza e uma base real para sua campanha, mas n\u00e3o pode ser candidato avulso. Precisa de um partido.<\/p>\n<p><strong>Fragmenta\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nO crescimento de Bolsonaro est\u00e1 diretamente relacionado aos avan\u00e7os do ex-presidente Luiz In\u00e1cio da Silva, que ressuscitou o PT nas suas andan\u00e7as para o pa\u00eds e j\u00e1 \u00e9 favorito nas elei\u00e7\u00f5es do pr\u00f3ximo ano. Como a rea\u00e7\u00e3o do eleitorado conservador est\u00e1 sendo radicalizada no mesmo diapas\u00e3o dos eleitores petistas, isso realimenta os dois candidatos, porque o eleitorado de centro ainda est\u00e1 muito fragmentado. Marina Silva, uma ex-petista, terceira colocada, n\u00e3o consegue conquistar os eleitores mais conservadores, embora tenha uma trajet\u00f3ria de conduta \u00e9tica e fortes liga\u00e7\u00f5es com o mundo evang\u00e9lico.<\/p>\n<p>O candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, n\u00e3o consegue decolar, mantendo-se na faixa dos 6% e 7% de prefer\u00eancia dos eleitores. Sem Lula, sobe para 9%, mas isso ainda \u00e9 pouco para reagrupar os eleitores de centro. Alckmin faz um governo bom em S\u00e3o Paulo, onde goza realmente de grande prest\u00edgio, mas est\u00e1 sendo confinado eleitoralmente por causa da crise do PSDB em estados importantes. Quem cresce nesse espa\u00e7o, sem Lula, \u00e9 o ex-governador do Cear\u00e1 Ciro Gomes (PDT), que sai da faixa dos 6% e 7% para 12% e 13 %. \u00c1lvaro Dias, do Podemos, oscila entre 3% e 6% nos cen\u00e1rios com e sem Lula, respectivamente.<\/p>\n<p><em>Publicado no Correio Braziliense de 22 de dezembro de 2017<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em todos os cen\u00e1rios eleitorais, Bolsonaro oscila na faixa entre 17% e 18% dos votos, mas sobe para 21% nos cen\u00e1rios poss\u00edveis sem a presen\u00e7a de Lula Jair Bolsonaro (PSC), segundo colocado nas pesquisas, virou uma esp\u00e9cie de ronin (um samurai errante, renegado pelo pr\u00f3prio cl\u00e3) nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais. 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