{"id":227,"date":"2016-03-09T05:08:41","date_gmt":"2016-03-09T08:08:41","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=227"},"modified":"2016-03-09T05:08:41","modified_gmt":"2016-03-09T08:08:41","slug":"nas-entrelinhas-o-comunista-e-o-empreiteiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-o-comunista-e-o-empreiteiro\/","title":{"rendered":"Nas Entrelinhas: O comunista e o empreiteiro"},"content":{"rendered":"<p><em>Condenado a quase 20 anos, o maior empreiteiro do pa\u00eds responde a outros processos e corre o risco de mofar na pris\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>O deputado comunista Fernando Sant\u2019Anna (1915-2012) era amigo do peito do empreiteiro Norberto Odebrecht (1920-2014). O primeiro era filho do Coronel Pomp\u00edlio de Sant\u2019Anna, patriarca da tradicional fam\u00edlia de Irar\u00e1, no interior da Bahia, \u00e0 qual se refere Gilberto Gil no Bai\u00e3o Atemporal (uma homenagem ao produtor musical Roberto Sant\u2019Anna, um dos criadores da Tropic\u00e1lia). A fam\u00edlia se dividia em dois ramos pol\u00edticos: um udenista e outro comunista.<\/p>\n<p>Pernambucano, Norberto era filho de Em\u00edlio Odebrecht, que se mudaria para Salvador, na Bahia, \u00e1rea metropolitana promissora para o mercado da constru\u00e7\u00e3o civil. Era bisneto de Emil Odebrecht, um engenheiro e cart\u00f3grafo alem\u00e3o, que emigrou para o Brasil em 1856. Ap\u00f3s se formar na Escola Polit\u00e9cnica da Bahia, em 1944, fundou a empresa de constru\u00e7\u00e3o que deu origem ao que \u00e9 hoje a Organiza\u00e7\u00e3o Odebrecht, sediada na capital baiana.<\/p>\n<p>Norberto dividia o escrit\u00f3rio que o coronel Pomp\u00edlio havia bancado para o filho Fernando, seu amigo e colega de turma, rec\u00e9m-formado no curso de Engenharia Civil da ent\u00e3o Escola Polit\u00e9cnica da Bahia. Santana, como assinaria na pol\u00edtica, era um jovem l\u00edder estudantil, militante do Partido Comunista, que havia se reorganizado clandestinamente durante a ditadura de Vargas.<\/p>\n<p>Enquanto Norberto erguia seu imp\u00e9rio, Santana se dedicava \u00e0 pol\u00edtica. Era fundador da UEB (Uni\u00e3o dos Estudantes da Bahia) e foi o primeiro presidente da UNE (Uni\u00e3o Nacional dos Estudantes), eleito em 1942. Tornou-se engenheiro-chefe do Segundo Distrito da Aeron\u00e1utica (Bahia e Sergipe), em 1945; depois, foi chamado a trabalhar como assessor direto do educador An\u00edsio Teixeira, no governo de Oct\u00e1vio Mangabeira, como engenheiro-chefe encarregado da \u201cPlanifica\u00e7\u00e3o e Constru\u00e7\u00e3o de Escolas P\u00fablicas\u201d.<\/p>\n<p>Fernando Sant\u2019Anna foi eleito deputado federal em 1959. Sua campanha foi financiada pelo amigo Norberto. Em 1964, cassado pelos militares, se exilou no Chile, na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e na Iugosl\u00e1via. Durante esses anos, contou com a ajuda do amigo. Anistiado em 1979, voltou ao Brasil e foi eleito deputado federal pelo PMDB em 1982; em 1986, foi eleito para a Constituinte pelo PCB. As duas campanhas foram financiadas pela Odebrecht. Norberto chamava um dos engenheiros de sua empresa, comunista como Santana, e perguntava: de quanto \u00e9 que o Fernando vai precisar para a campanha? Santana nem tomava conhecimento do problema. E passou ao largo do esc\u00e2ndalo da CPI do Or\u00e7amento, no qual a Odebrecht esteve envolvida. Morreu aos 96 anos, na sua Irar\u00e1, v\u00edtima de infarto. Era o presidente de honra do PPS. N\u00e3o deixou fortuna para os herdeiros.<\/p>\n<p><strong>Outra gera\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nOntem, a Justi\u00e7a Federal condenou o empres\u00e1rio Marcelo Odebrecht a 19 anos e quatro meses de pris\u00e3o por envolvimento no esquema de corrup\u00e7\u00e3o na Petrobras investigado pela Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato (corrup\u00e7\u00e3o ativa, lavagem de dinheiro e associa\u00e7\u00e3o criminosa). O juiz federal S\u00e9rgio Moro, de Curitiba, foi dur\u00edssimo: \u201ch\u00e1 um conjunto de provas muito robusto que permite concluir, acima de qualquer d\u00favida razo\u00e1vel, que o pagamento das propinas pelo Grupo Odebrecht aos agentes da Petrobras, com destina\u00e7\u00e3o de parte dos valores a financiamento pol\u00edtico, n\u00e3o foi um ato isolado, mas fazia parte da pol\u00edtica corporativa do Grupo Odebrecht, e que Marcelo Bahia Odebrecht foi o mandante dos crimes praticados mais diretamente pelos executivos M\u00e1rcio Faria da Silva, Rog\u00e9rio Santos de Ara\u00fajo, Cesar Ramos Rocha e Alexandrino Alencar (&#8230;)\u201d.<\/p>\n<p>Neto de Norberto e filho do casal Em\u00edlio Alves Odebrecht (fundador da Braskem) e Regina Bahia, Marcelo liderou a era de ouro do grupo familiar, que tem 15 divis\u00f5es e presen\u00e7a em 21 pa\u00edses. Ele sucedeu seu pai, Em\u00edlio, no fim de 2008, em meio \u00e0 crise financeira global, aos 40 anos. Engenheiro formado na Bahia, fez mestrado em Lausane, na Su\u00ed\u00e7a. \u00c9 o maior empregador do pa\u00eds e l\u00edder de um dos cinco principais grupos privados nacionais. Sua ascens\u00e3o coincide com o segundo mandato do presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, que pretendia transformar o Brasil em pot\u00eancia global atrav\u00e9s da promo\u00e7\u00e3o de empresas nacionais.<\/p>\n<p>Nem de longe sua rela\u00e7\u00e3o com Lula se compara \u00e0 de L\u00e9o Pinheiro, o ex-presidente da OAS, mas, desde que assumiu o comando da empresa, a Odebrecht obteve do BNDES R$ 5,8 bilh\u00f5es em empr\u00e9stimos para financiar projetos do grupo no exterior, como o Porto de Muriel, em Cuba. Nos bastidores da Lava-Jato, diz-se que negocia com o ex-presidente da OAS L\u00e9o Pinheiro a possibilidade de fazerem acordos de dela\u00e7\u00e3o premiadas simult\u00e2neos, para salvar as duas empresas. O maior empreiteiro do pa\u00eds responde a outros processos e corre o risco de mofar na pris\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Condenado a quase 20 anos, o maior empreiteiro do pa\u00eds responde a outros processos e corre o risco de mofar na pris\u00e3o O deputado comunista Fernando Sant\u2019Anna (1915-2012) era amigo do peito do empreiteiro Norberto Odebrecht (1920-2014). O primeiro era filho do Coronel Pomp\u00edlio de Sant\u2019Anna, patriarca da tradicional fam\u00edlia de Irar\u00e1, no interior da Bahia, \u00e0 qual se refere [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":39,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-227","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/227","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/39"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=227"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/227\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":238,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/227\/revisions\/238"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=227"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=227"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=227"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}