{"id":2451,"date":"2018-03-11T09:37:32","date_gmt":"2018-03-11T12:37:32","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=2451"},"modified":"2018-03-11T09:37:32","modified_gmt":"2018-03-11T12:37:32","slug":"nas-entrelinhas-o-drama-dos-bons-politicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-o-drama-dos-bons-politicos\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas: O drama dos bons pol\u00edticos"},"content":{"rendered":"<p><em>Os eleitores est\u00e3o de partida. Mas n\u00e3o sabem para onde. Querem que algu\u00e9m aponte um caminho no qual acreditem. \u00c9 a\u00ed que mora o perigo do senso comum<\/em><\/p>\n<p>O Brasil est\u00e1 mais ou menos como aquele cavaleiro descrito pelo escritor tcheco Franz Kafka, no conto A Partida:<\/p>\n<p><em>\u2014 Para onde cavalga, senhor?<\/em><br \/>\n<em> \u2014 N\u00e3o sei direito \u2014 eu disse \u2014, s\u00f3 sei que \u00e9 para fora daqui, fora daqui. Fora daqui sem parar; s\u00f3 assim posso alcan\u00e7ar meu objetivo.<\/em><br \/>\n<em> \u2014 Conhece ent\u00e3o o seu objetivo? \u2014 perguntou ele.<\/em><br \/>\n<em> \u2014 Sim \u2014 respondi \u2014 Eu j\u00e1 disse: \u201cfora daqui\u201d, \u00e9 esse o meu objetivo.<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 mais ou menos assim que vamos \u00e0s elei\u00e7\u00f5es de 2018. As pesquisas mostram uma desorienta\u00e7\u00e3o muito grande da maioria dos eleitores. N\u00e3o \u00e9 por causa da inelegibilidade do ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT), nem em raz\u00e3o da lideran\u00e7a resiliente do deputado Jair Bolsonaro (PSL-RJ). O percentual de indecisos na elei\u00e7\u00e3o varia de 38% a 42%, considerando-se todos os candidatos pesquisados. Numa elei\u00e7\u00e3o rel\u00e2mpago, com 45 dias de campanha, qualquer coisa pode acontecer, inclusive nada de extraordin\u00e1rio.<br \/>\nComecemos, pois, pelo extraordin\u00e1rio. Os projetos mais radicais \u00e0 mesa s\u00e3o os de Bolsonaro e de Guilherme Boulos, o l\u00edder dos sem-teto lan\u00e7ado pelo PSol. Radicais de direita e esquerda, respectivamente. Ambos s\u00e3o regressistas do ponto de vista do papel do Estado e da rela\u00e7\u00e3o do Brasil com o mundo. S\u00e3o projetos excludentes entre si, mas que t\u00eam em comum o anacronismo ideol\u00f3gico de direita e de esquerda. Eleitoralmente falando, Bolsonaro tem muito mais densidade do que Boulos. \u00c9 beneficiado por uma certa rea\u00e7\u00e3o conservadora de parcelas da sociedade \u00e0 viol\u00eancia, ao desemprego e \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, principalmente, o eleitorado evang\u00e9lico. Boulos busca os \u00f3rf\u00e3os de Lula com o antigo radicalismo petista, que n\u00e3o cola mais, por causa da Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato.<\/p>\n<p>Fora esses dois extraordin\u00e1rios, temos Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (Rede), \u00c1lvaro Dias (Podemos), Geraldo Alckmin (PSDB) e Rodrigo Maia (DEM) com candidaturas formalizadas. O presidente Michel Temer ainda costeia o alambrado, como diria o falecido Leonel Brizola. E o PT n\u00e3o sabe ainda quem ser\u00e1 o substituto de Lula, embora o nome mais cotado seja o ex-prefeito de S\u00e3o Paulo Fernando Haddad. Os eleitores de esquerda, centro-esquerda, centro-direita e direita est\u00e3o sendo disputados por essa turma. Por enquanto, todo mundo pode virar ou continar japon\u00eas.<\/p>\n<p>O que pode fazer diferen\u00e7a na campanha para esses candidatos? Em primeiro lugar, o recall de campanhas anteriores. Casos de Marina, Ciro e Alckmin. Em segundo, os recursos financeiros e o tempo de televis\u00e3o. Vantagens para Haddad, Alckmin e Maia. Em terceiro, as estruturas de poder e capilaridade partid\u00e1ria, idem. Quarto, a imagem do candidato em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Lava-Jato e \u00e0s propostas que seduzam os eleitores. \u00c9 a\u00ed que o jogo pode haver muita diferen\u00e7a. Finalmente, a proposta pol\u00edtica. Nesse quesito, ningu\u00e9m apresentou ainda um programa exequ\u00edvel. E, ademais, como diz o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a proposta precisa ser traduzida e \u201cfulanizada\u201d para seduzir os eleitores.<\/p>\n<p><strong>O rumo<\/strong><br \/>\nDe volta ao cavaleiro kafkiano, os eleitores est\u00e3o de partida. Mas n\u00e3o sabem para onde. Querem que algu\u00e9m aponte um caminho no qual acreditem. \u00c9 a\u00ed que mora o perigo do senso comum. A sa\u00edda pode ser um n\u00e3o caminho, um precip\u00edcio. O ambiente facilita a vida dos demagogos e dos populistas, que oferecem solu\u00e7\u00f5es f\u00e1ceis para uma situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil e complexa. Na elei\u00e7\u00e3o, todos s\u00e3o tentados a isso. Mas h\u00e1 os que acreditam nesse tipo de narrativa, como aconteceu com a ex-presidente Dilma Rousseff, que deu com os burros n\u2019\u00e1gua, e os que sabem que n\u00e3o \u00e9 por a\u00ed. O caminho a percorrer \u00e9 pedregoso, dif\u00edcil, e n\u00e3o dar\u00e1 vida f\u00e1cil para ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>O Brasil precisa da estabilidade da moeda, de taxas de juros baixas, de cr\u00e9dito acess\u00edvel e de investimentos maci\u00e7os em infraestrutura. Mas n\u00e3o pode garantir um cen\u00e1rio dessa ordem com o governo gastando mais do que arrecada e sem a reforma da Previd\u00eancia. O pa\u00eds precisa crescer e gerar empregos, mas n\u00e3o tem como fazer isso sem aumentar a produtividade. Para isso, precisa melhorar a qualidade da educa\u00e7\u00e3o, de sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o e de seguran\u00e7a dos cidad\u00e3os. O rol de necessidades de um ciclo virtuoso de desenvolvimento n\u00e3o se resolve com m\u00e1gica. Entretanto, \u00e9 dif\u00edcil vencer as elei\u00e7\u00f5es com esse discurso, depois de uma recess\u00e3o que gerou 14 milh\u00f5es de desempregados. Esse \u00e9 o problema dos bons pol\u00edticos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os eleitores est\u00e3o de partida. Mas n\u00e3o sabem para onde. 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