{"id":2695,"date":"2018-05-27T10:25:35","date_gmt":"2018-05-27T13:25:35","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=2695"},"modified":"2018-05-27T10:26:42","modified_gmt":"2018-05-27T13:26:42","slug":"nas-entrelinhas-governo-fraco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-governo-fraco\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas: Governo fraco"},"content":{"rendered":"<p><em>A Uni\u00e3o, o Congresso, os governos estaduais, as empresas de transportes e os caminhoneiros brigam por um acordo que jogue a conta no colo do consumidor<\/em><\/p>\n<p>\u201cIsso \u00e9 coisa de governo fraco\u201d, sapecou o presidente da C\u00e2mara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ao criticar a mobiliza\u00e7\u00e3o das For\u00e7as Armadas para enfrentar a crise de abastecimento provocada pela greve dos caminhoneiros (na verdade, um grande locaute das transportadoras, que s\u00f3 agora come\u00e7a a ser enfrentado pelo governo como manda a lei). Na quarta-feira, Maia foi protagonista de uma vota\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara que complicou ainda mais a situa\u00e7\u00e3o, ao induzir os deputados a votarem pela extin\u00e7\u00e3o do Pis-Cofins no diesel dizendo que a perda seria de R$ 3 bilh\u00f5es, quando na realidade seria de R$ 10 bilh\u00f5es. Disse que as contas da receita estava errado, ao contr\u00e1rio dos c\u00e1lculos da assessoria t\u00e9cnica do relator, deputado Orlando Silva (PCdoB-RJ).<\/p>\n<p>O \u00faltimo presidente da C\u00e2mara a se aproveitar de um governo fraco foi o ex-deputado Eduardo Cunha (MDB-RJ), que abriu o processo de impeachment de Dilma Rousseff (PT), aliado \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o, mas hoje est\u00e1 cumprindo pena em regime fechado. Dilma havia passado por um tremendo desgaste em 2013, quando foi surpreendida por grandes manifesta\u00e7\u00f5es de protestos em todo o pa\u00eds, mas, mesmo assim, conseguiu a reelei\u00e7\u00e3o. N\u00e3o resistiu, por\u00e9m, quando as mobiliza\u00e7\u00f5es de rua convergiram para as articula\u00e7\u00f5es no Congresso, em raz\u00e3o do colapso de sua \u201cnova matriz econ\u00f4mica\u201d, que jogou o pa\u00eds na maior recess\u00e3o de sua hist\u00f3ria e provocou desemprego em massa. Seu vice, Michel Temer, entrou na conspira\u00e7\u00e3o e assumiu seu lugar. \u00c9 um presidente fraco pela pr\u00f3pria natureza.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio de Cunha, Maia \u00e9 hoje o primeiro na linha de sucess\u00e3o de Temer. Na semana passada, o ambiente na C\u00e2mara era de vaca estranhar o bezerro, como gostam de afirmar os pol\u00edticos. Os que haviam votado contra a den\u00fancia contra Michel Temer diziam que sua manuten\u00e7\u00e3o no cargo foi um erro. Estava-se pagando um pre\u00e7o muito alto por isso, pois o governo n\u00e3o se recuperou da crise \u00e9tica, apesar da queda da infla\u00e7\u00e3o e dos juros baixos. Aliados de Temer admitem que est\u00e3o sendo muito cobrados pelos eleitores por causa do voto contra a den\u00fancia. O ambiente na C\u00e2mara n\u00e3o \u00e9 favor\u00e1vel ao governo. Resumindo, se houver uma nova den\u00fancia, Temer ser\u00e1 afastado do poder.<\/p>\n<p>Maia sabe disso e parece arrependido do apoio a Temer. Teve os destinos do pa\u00eds nas m\u00e3os, mas n\u00e3o atendeu ao apelo da maioria dos seus pares, depois de um pux\u00e3o de orelhas de sua m\u00e3e, uma chilena que viveu os dias dram\u00e1ticos da queda de Salvador Allende ao lado do ex-prefeito Cesar Maia, ent\u00e3o um jovem professor de economia exilado no Chile. Mariangeles Ibarra Maia, em mensagem encaminhada ao filho, pediu: \u201cN\u00e3o conspire contra Temer\u201d. A pr\u00e9-candidatura de Maia a presidente da Rep\u00fablica parecia uma jogada para garantir a recondu\u00e7\u00e3o ao comando da C\u00e2mara; agora, come\u00e7a a ter outro sentido.<\/p>\n<p>Caso Temer fosse afastado, Maia assumiria a Presid\u00eancia e poderia concorrer \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o no cargo. H\u00e1 dois caminhos para isso: abrir um processo de impeachment, o que teria uma conota\u00e7\u00e3o golpista para o presidente da C\u00e2mara; ou esperar a terceira den\u00fancia contra Temer, com base na investiga\u00e7\u00e3o do Porto de Santos. Nos tempos de Janot, isso j\u00e1 teria ocorrido. A procuradora-geral Raquel Dodge, por\u00e9m, n\u00e3o tem a mesma gana do antecessor contra Temer, por quem foi nomeada para o cargo, sendo a segunda mais votada entre os procuradores.<\/p>\n<p><strong>Abastecimento<\/strong><\/p>\n<p>O Brasil j\u00e1 teve muitos governos fracos, alguns acabaram depostos, como a Reg\u00eancia da princesa Isabel, em 1889, e os governos de Washington Luiz, na Revolu\u00e7\u00e3o de 1930, e o de Jo\u00e3o Goulart, em 1964. Mas nenhum foi t\u00e3o fraco como a Reg\u00eancia Provis\u00f3ria que assumiu o comando do pa\u00eds com a abdica\u00e7\u00e3o de Dom Pedro I, em 1831, formado pelo paulista Jos\u00e9 da Costa Carvalho, o maranhense Jo\u00e3o Br\u00e1ulio Munis e o general Francisco de Lima e Silva. Num dos seus piores momentos, o governo passou seis dias cercado por mercen\u00e1rios amotinados, traficantes e fidalgos insatisfeitos. Nessa crise, avultou-se o ministro da Justi\u00e7a, o padre Diogo Ant\u00f4nio Feij\u00f3, e um jovem major do Ex\u00e9rcito, Luiz Alves de Lima e Silva, filho do general, que enfrentaram os amotinados e, depois, uma s\u00e9rie de rebeli\u00f5es. Era uma \u00e9poca em que o nosso Estado-na\u00e7\u00e3o estava nos seus prim\u00f3rdios.<\/p>\n<p>Hoje, temos um governo fraco, mas um Estado forte, com institui\u00e7\u00f5es s\u00f3lidas e m\u00e3o pesada. \u00c9 uma ironia, mas a crise que estamos vivendo decorre mais do segundo do que do primeiro aspecto. Resulta de um conflito distributivo no qual a conta j\u00e1 n\u00e3o fecha, al\u00e9m de uma estrat\u00e9gia de desenvolvimento que tem como polos mais din\u00e2micos da ind\u00fastria a produ\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos automotivos e a explora\u00e7\u00e3o e o refino de petr\u00f3leo do pr\u00e9-sal, de um lado; a constru\u00e7\u00e3o civil nas cidades e a produ\u00e7\u00e3o de commodities agr\u00edcolas no campo, de outro. O Estado forte vive de aumentar impostos de combust\u00edveis, telecomunica\u00e7\u00f5es e energia el\u00e9trica, para financiar governos ineficientes e subsidiar setores privilegiados da economia.<\/p>\n<p>A paralisa\u00e7\u00e3o colapsou a economia, enquanto a Uni\u00e3o, o Congresso, os governos estaduais, as empresas de transportes e os caminhoneiros brigam para ver quem vai ganhar mais ao jogar a conta no colo do consumidor. Por essa raz\u00e3o, a greve dos caminhoneiros gerou sentimentos contradit\u00f3rios na popula\u00e7\u00e3o, que num primeiro momento ficou contra o governo, porque abra\u00e7a a ideia de reduzir impostos para baixar o pre\u00e7o do combust\u00edvel, muito inflacionado pela alta do d\u00f3lar. At\u00e9 o abastecimento entrar em colapso. Agora, a opini\u00e3o p\u00fablica se volta contra os grevistas, mas n\u00e3o refresca o governo. A crise pol\u00edtica instalada s\u00f3 se resolver\u00e1 nas elei\u00e7\u00f5es<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Uni\u00e3o, o Congresso, os governos estaduais, as empresas de transportes e os caminhoneiros brigam por um acordo que jogue a conta no colo do consumidor \u201cIsso \u00e9 coisa de governo fraco\u201d, sapecou o presidente da C\u00e2mara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ao criticar a mobiliza\u00e7\u00e3o das For\u00e7as Armadas para enfrentar a crise de abastecimento provocada pela greve dos caminhoneiros (na verdade, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":39,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[176,6,36,46,4,113,3,193],"tags":[195,27,154,114],"class_list":["post-2695","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cidades","category-congresso","category-economia","category-eleicoes","category-governo","category-militares","category-politica","category-transportes","tag-abastecimento","tag-governotemer","tag-greve","tag-militares"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2695","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/39"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2695"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2695\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2702,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2695\/revisions\/2702"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2695"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2695"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2695"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}