{"id":2870,"date":"2018-08-12T07:45:07","date_gmt":"2018-08-12T10:45:07","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=2870"},"modified":"2018-08-12T07:45:07","modified_gmt":"2018-08-12T10:45:07","slug":"nas-entrelinhas-escolha-o-seu-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-escolha-o-seu-pais\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas: Escolha o seu pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p><em>\u201cNem todo mundo pode escolher o lugar no qual pretende viver, porque n\u00e3o tem recursos para isso, ou mesmo qualifica\u00e7\u00e3o para arrumar um trabalho no estrangeiro\u201d<\/em><\/p>\n<p>Entre 800 e 200 a.C., surgiram os fundamentos espirituais que ainda hoje norteiam o processo civilizat\u00f3rio, com Conf\u00facio e Lao-Ts\u00e9 na China, os Upanishades e Buda na \u00cdndia, Zaratrusta na P\u00e9rsia, os profetas na Palestina e Homero e os fil\u00f3sofos na Gr\u00e9cia. Esses pensadores n\u00e3o tinham nenhuma conex\u00e3o entre si, por\u00e9m, as categorias b\u00e1sicas do nosso pensamento e todos os princ\u00edpios b\u00e1sicos de nossas religi\u00f5es foram criados nesse per\u00edodo. Vem da\u00ed o nosso humanismo. Nem por isso, por\u00e9m, o eixo da Hist\u00f3ria seguiu seu curso de acordo com essas doutrinas.<\/p>\n<p>Em determinados momentos do processo civilizat\u00f3rio, h\u00e1 lugares melhores e piores para nascer. Por exemplo, era muito melhor ser grego do que b\u00e1rbaro cinco s\u00e9culos antes de Cristo, ou cidad\u00e3o romano e n\u00e3o um grego nos primeiros s\u00e9culos da era crist\u00e3. N\u00e3o era um bom neg\u00f3cio ser judeu na Idade M\u00e9dia, nem na Europa dominada pelos nazistas. O desenvolvimento social e pol\u00edtico real n\u00e3o foi linear nem pac\u00edfico, muito pelo contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo passado, por exemplo, quando a ci\u00eancia e o conhecimento deram o seu salto mais arrojado, duas guerras mundiais mancharam de sangue esse progresso not\u00e1vel. O fantasma de uma guerra nuclear ainda nos assombra. Nesse curto per\u00edodo de grandes transforma\u00e7\u00f5es, no qual se destacou o chamado \u201csonho americano\u201d, houve grandes ondas migrat\u00f3rias da Europa para as Am\u00e9ricas e a Oceania, em busca de uma vida melhor.<\/p>\n<p>Lembro-me de uma conversa com um amigo sobre a reunifica\u00e7\u00e3o alem\u00e3, logo ap\u00f3s a queda do Muro de Berlim, s\u00edmbolo da Guerra Fria e da divis\u00e3o do mundo no s\u00e9culo passado entre os blocos ocidental e oriental. O primeiro, liderado pelos Estados Unidos, tinha o capitalismo como sistema econ\u00f4mico; o segundo era formado pela antiga Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e demais pa\u00edses comunistas do Leste Europeu, al\u00e9m dos aliados nos demais continentes. O muro fora constru\u00eddo pelos comunistas alem\u00e3es no ano de 1961, ao longo da fronteira. Seu objetivo era impedir a fuga de cidad\u00e3os para a Alemanha Ocidental, capitalista, que recebeu mais de dois milh\u00f5es de pessoas do lado socialista entre 1949 e 1961.<\/p>\n<p>Com 156 km de extens\u00e3o e cerca de trezentas torres militares para observa\u00e7\u00e3o, o muro era protegido por c\u00e3es policiais e cercas eletrificadas. No final da d\u00e9cada de 1980, o chamado \u201csocialismo real\u201d entrou em colapso e diversas manifesta\u00e7\u00f5es come\u00e7aram a surgir nas duas partes da Alemanha, reivindicando a sua destrui\u00e7\u00e3o. Com marretas e outras ferramentas, o povo derrubou o muro em um protesto transmitido ao vivo pela tev\u00ea, para todo o mundo. Deu-se in\u00edcio ao processo que culminou na reunifica\u00e7\u00e3o da Alemanha, em outubro de 1990.<\/p>\n<p>Meu amigo \u00e9 filho de imigrantes alem\u00e3es. A fam\u00edlia assistiu \u00e0 reunifica\u00e7\u00e3o da Alemanha pela televis\u00e3o, uma solenidade grandiosa, que simbolizava a paz. Ao ver o velho chorando, perguntou ao pai se estava feliz com o acontecimento. Ele disse que, na verdade, estava triste, porque havia vindo para o Brasil pensando que os futuros filhos poderiam ter uma vida melhor aqui do que na Alemanha. Meu amigo tem uma vida confort\u00e1vel e uma fam\u00edlia tipicamente brasileira, com fortes la\u00e7os no Brasil rural. Nem de longe passa por sua cabe\u00e7a deixar o Brasil.<\/p>\n<p><strong>Esperan\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>Entretanto, ultimamente, \u00e9 crescente o n\u00famero de pessoas que desejam deixar o pa\u00eds em busca de uma vida melhor. \u00c9 muito comum ouvir coment\u00e1rios desse tipo, por exemplo, dos motoristas de Uber, geralmente pessoas com qualifica\u00e7\u00e3o profissional que perderam os empregos e optaram por essa nova ocupa\u00e7\u00e3o. A maioria dos nossos emigrantes tem direito \u00e0 dupla nacionalidade, com ra\u00edzes familiares em Portugal, Espanha e It\u00e1lia. Os que n\u00e3o t\u00eam sonham com a vida na Austr\u00e1lia ou no Canad\u00e1, j\u00e1 que os Estados Unidos deixaram de ser um porto seguro por causa da pol\u00edtica de Trump, o presidente americano mais xen\u00f3fobo da Hist\u00f3ria, que joga duro com os imigrantes latinos, inclusive com as crian\u00e7as, sobretudo os clandestinos.<\/p>\n<p>Pesquisas de opini\u00e3o apontam que 44% dos eleitores est\u00e3o pessimistas com as elei\u00e7\u00f5es deste ano no Brasil, 23% t\u00eam uma posi\u00e7\u00e3o de neutralidade e apenas 20% veem o processo eleitoral com otimismo, sem falar nos 13% que simplesmente n\u00e3o t\u00eam opini\u00e3o ou n\u00e3o querem falar. Parece que o Brasil est\u00e1 naquela categoria de pa\u00eds que deixou de ser um bom lugar para viver, embora essa n\u00e3o seja a opini\u00e3o de milhares de venezuelanos que fogem da fome e da viol\u00eancia do regime de Maduro e atravessam nossas fronteiras quase todos os dias.<\/p>\n<p>Nem todo mundo pode escolher o lugar no qual pretende viver, porque n\u00e3o tem recursos para isso, ou mesmo qualifica\u00e7\u00e3o para arrumar um trabalho no estrangeiro. Ainda mais quando os pa\u00edses mais desenvolvidos, como os Estados Unidos e os pa\u00edses europeus, come\u00e7am a rejeitar os imigrantes de suas antigas col\u00f4nias. A melhor op\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 aproveitar as elei\u00e7\u00f5es para dar um novo rumo ao pa\u00eds. Quem assistiu ao debate entre os presidenci\u00e1veis na TV Bandeirantes constatou que n\u00e3o temos muitas alternativas, mas h\u00e1 uma esperan\u00e7a: na democracia, \u00e9 poss\u00edvel enfrentar os problemas e construir uma vida melhor. Olhando para o mundo l\u00e1 fora, n\u00e3o \u00e9 pouca coisa. N\u00e3o se trata de ufanismo patri\u00f3tico, \u00e9 apenas a constata\u00e7\u00e3o da realidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cNem todo mundo pode escolher o lugar no qual pretende viver, porque n\u00e3o tem recursos para isso, ou mesmo qualifica\u00e7\u00e3o para arrumar um trabalho no estrangeiro\u201d Entre 800 e 200 a.C., surgiram os fundamentos espirituais que ainda hoje norteiam o processo civilizat\u00f3rio, com Conf\u00facio e Lao-Ts\u00e9 na China, os Upanishades e Buda na \u00cdndia, Zaratrusta na P\u00e9rsia, os profetas na [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":39,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[54,46,164,3,9,48,187],"tags":[171,213,219,218],"class_list":["post-2870","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america","category-eleicoes","category-guerra","category-politica","category-politica-2","category-trabalho","category-venezuela","tag-brasil","tag-eleicoes","tag-emigrantes","tag-humanismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2870","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/39"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2870"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2870\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2876,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2870\/revisions\/2876"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2870"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2870"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2870"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}