{"id":3021,"date":"2018-09-28T09:32:29","date_gmt":"2018-09-28T12:32:29","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=3021"},"modified":"2018-09-28T10:21:26","modified_gmt":"2018-09-28T13:21:26","slug":"nas-entrelinhas-haddad-repete-dilma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-haddad-repete-dilma\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas: Haddad repete Dilma"},"content":{"rendered":"<p><em>&#8220;O card\u00e1pio de medidas populistas e o discurso f\u00e1cil do petista \u00a0pode fazer o cr\u00e9dito simplesmente desaparecer e provocar uma crise de financiamento dos neg\u00f3cios, como na Venezuela&#8221;<\/em><\/p>\n<p>Uma piada de mineiro sobre as diferen\u00e7as de comportamento entre cariocas, paulistas e ga\u00fachos ilustra o que pensa o candidato do PT, Fernando Haddad, em termos de condu\u00e7\u00e3o da economia. O carioca costuma valorizar a isonomia nos neg\u00f3cios: \u201cQuanto \u00e9 que n\u00f3s vamos ganhar?\u201d O paulista, sua participa\u00e7\u00e3o nos lucros: \u201cQuanto \u00e9 que eu vou ganhar?\u201d O ga\u00facho, por\u00e9m, estaria mais preocupado com os rendimentos do s\u00f3cio: \u201cQuanto tu vais ganhar?\u201d A piada fez muito sucesso nos bastidores do governo de Dilma Rousseff, porque a ent\u00e3o presidente da Rep\u00fablica estava mais interessada em arbitrar o lucro das empresas do que com o equil\u00edbrio das contas p\u00fablicas e os ganhos de produtividade do pa\u00eds. Com perd\u00e3o da injusti\u00e7a com os ga\u00fachos, principalmente meus amigos queridos, o candidato do PT repete o comportamento em campanha.<\/p>\n<p>Recentemente, em entrevista na tev\u00ea, disse que os bancos ganham muito e que vai reduzir os spreads banc\u00e1rios, que v\u00eam a ser a diferen\u00e7a entre a remunera\u00e7\u00e3o que o banco paga ao aplicador para captar um recurso e quanto esse banco cobra para emprestar o mesmo dinheiro. O cliente que deposita dinheiro em conta-corrente, poupan\u00e7a ou outra aplica\u00e7\u00e3o faz um empr\u00e9stimo ao banco, que remunera esses dep\u00f3sitos com juros chamados de taxa de capta\u00e7\u00e3o; entretanto, quando o banco empresta dinheiro a algu\u00e9m, cobra uma taxa pelo empr\u00e9stimo superior \u00e0 taxa de capta\u00e7\u00e3o. Haddad quer reduzir os juros a f\u00f3rceps, como fez Dilma Rousseff, baixando na marra os spreads banc\u00e1rios, cujo valor os bancos atribuem \u00e0 alta inadimpl\u00eancia e ao dep\u00f3sito compuls\u00f3rio.<\/p>\n<p>A proposta \u00e9 sedutora, faz parte de um card\u00e1pio de medidas populistas e do discurso f\u00e1cil de campanha, mas pode fazer o cr\u00e9dito simplesmente desaparecer e provocar uma crise de financiamento dos neg\u00f3cios, como a da Venezuela. A rea\u00e7\u00e3o dos bancos para reduzir a inadimpl\u00eancia ser\u00e1 arrochar o cr\u00e9dito de risco, a n\u00e3o ser que o governo reduza os compuls\u00f3rios e os impostos, que acabam repassados aos clientes, mas isso n\u00e3o faz parte do programa de governo de Haddad, que \u00e9 expansionista e intervencionista. Ontem, na Serra Ga\u00facha, por exemplo, anunciou que pretende usar o poder de compra da m\u00e1quina federal para estimular a ind\u00fastria nacional. Disse que vai reativar o polo naval ga\u00facho, localizado em Rio Grande, que na gest\u00e3o do ent\u00e3o presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva criou mais de 20 mil postos de trabalho, o que somente ser\u00e1 poss\u00edvel com uma nova farra com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES). Esqueceu-se de dizer que essa foi a g\u00eanese do esc\u00e2ndalo da Petrobras, que deu origem \u00e0 Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato.<\/p>\n<p><strong>Corrup\u00e7\u00e3o e desperd\u00edcio<\/strong><br \/>\nA menina dos olhos da pol\u00edtica de est\u00edmulo \u00e0 ind\u00fastria nacional dos governos Lula e Dilma foi a empresa Sete de Brasil, criada com recursos p\u00fablicos para fabrica\u00e7\u00e3o de sondas para a Petrobras. Seu presidente, Pedro Barusco, deu in\u00edcio \u00e0 s\u00e9rie de dela\u00e7\u00f5es premiadas de executivos e diretores da Petrobras ligados ao esc\u00e2ndalo. Espontaneamente, devolveu US$ 100 milh\u00f5es que havia arrecado de propina, para espanto at\u00e9 dos investigadores. Segundo a Lava-Jato, aproximadamente US$ 70 milh\u00f5es em propina foram arrecadados pelo PT, agentes p\u00fablicos da Petrobras e executivos da Sete Brasil em contratos bilion\u00e1rios com os estaleiros Jurong (Aracruz, ES), Brasfels (Angra dos Reis, RJ), Enseada do Paragua\u00e7u (Maragogipe, BA), Ecovix (Rio Grande, RS) e Atl\u00e2ntico Sul (Fortaleza), a maioria hoje em recupera\u00e7\u00e3o judicial. O c\u00e1lculo teve por base 1% de desvios nos contratos dos 21 navios-sondas encomendados pela Sete Brasil a serem fornecidos \u00e0 Petrobras.<\/p>\n<p>S\u00f3 a Jurong, que tinha US$ 2,1 bilh\u00f5es em contratos com a Sete Brasil, pagou US$ 18,8 milh\u00f5es em propinas. Um dos r\u00e9us confessou ter recebido pelos menos US$ 3,8 milh\u00f5es em uma conta no exterior: o ex-diretor de Servi\u00e7os da Petrobras Renato Duque, que disse ao juiz S\u00e9rgio Moro, da 13\u00aa Vara de Curitiba, que dois ter\u00e7os do total arrecadado foram para o grupo pol\u00edtico do PT, em uma divis\u00e3o que teria beneficiado o ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, o ex-ministro Jos\u00e9 Dirceu e a legenda. Vaccari seria o arrecadador, e Ant\u00f4nio Palocci, ex-ministro da Fazenda de Lula e da Casa Civil de Dilma Rousseff, o respons\u00e1vel pelo gerenciamento. Vaccari, tamb\u00e9m r\u00e9u, ao prestar depoimento, preferiu ficar calado sobre o assunto. Lula e Dirceu negam o fato; Palocci negocia sua dela\u00e7\u00e3o premiada.<\/p>\n<p>O candidato do PT tamb\u00e9m se jactou de ter comprado 35 mil \u00f4nibus escolares em sua gest\u00e3o \u00e0 frente do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e disse que dar\u00e1 aten\u00e7\u00e3o especial ao transporte p\u00fablico, repassando a receita arrecadada pela cobran\u00e7a da Cide \u2014 contribui\u00e7\u00e3o que incide sobre o pre\u00e7o da gasolina \u2014 para os munic\u00edpios. Ou seja, pretende resgatar o velho pacto automotivo, que deixou em segundo plano o transporte de massas \u2014 metr\u00f4, trens, volts \u2014 para favorecer a produ\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos automotores no ABC, ber\u00e7o hist\u00f3rico do PT. Repete outro erro de Dilma, que comprou 3.401 ve\u00edculos da Volkswagen e da Mercedes-Benz para o Ex\u00e9rcito, a um custo total de R$ 1,1 bilh\u00e3o, ou seja, em m\u00e9dia, R$ 323,4 mil por viatura. Os modelos comprados s\u00e3o o VW Worker e o Atego. O que foi uma festa nos quart\u00e9is no dia da entrega, virou um problema: o 72\u00ba Batalh\u00e3o de Infantaria Motorizada, sediado em Petrolina, que tinha cinco caminh\u00f5es, por exemplo, agora tem 50 ve\u00edculos parados, sem recursos para manuten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;O card\u00e1pio de medidas populistas e o discurso f\u00e1cil do petista \u00a0pode fazer o cr\u00e9dito simplesmente desaparecer e provocar uma crise de financiamento dos neg\u00f3cios, como na Venezuela&#8221; Uma piada de mineiro sobre as diferen\u00e7as de comportamento entre cariocas, paulistas e ga\u00fachos ilustra o que pensa o candidato do PT, Fernando Haddad, em termos de condu\u00e7\u00e3o da economia. 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