{"id":3132,"date":"2018-10-28T11:05:18","date_gmt":"2018-10-28T13:05:18","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=3132"},"modified":"2018-10-28T12:07:25","modified_gmt":"2018-10-28T14:07:25","slug":"nas-entrelinhas-vamos-as-urnas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-vamos-as-urnas\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas: Vamos \u00e0s urnas!"},"content":{"rendered":"<p><em>\u201cOs eleitores querem seguran\u00e7a, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, emprego e moradia. N\u00e3o se resolve esses problemas com uma ret\u00f3rica vazia\u201d<\/em><\/p>\n<p>Antes de mais nada, o eleitor brasileiro est\u00e1 cada vez mais consciente da import\u00e2ncia de seu voto e do poder que isso lhe atribui para mudar a realidade pol\u00edtica do pa\u00eds. Foi um longo aprendizado, que passou de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o. Em 1974, por exemplo, o tsunami acabou com a maioria absoluta que o governo militar tinha no Senado. Em 1978, imp\u00f4s a necessidade de abertura pol\u00edtica, que resultou na anistia. Em 1982, se n\u00e3o foi suficiente para restabelecer as elei\u00e7\u00f5es diretas para presidente da Rep\u00fablica, em 1985, viabilizou a elei\u00e7\u00e3o de Tancredo Neves. O caminho para a conquista da democracia foi o voto popular, sem embargo dos protestos, greves e articula\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. N\u00e3o foi a luta armada, uma tr\u00e1gica tolice pol\u00edtica, por mais glamorizada que seja por alguns.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma ast\u00facia popular no voto sufragado que precisa ser levada em conta. Desde 1989, o povo vem fazendo escolhas nas elei\u00e7\u00f5es que fazem algum sentido. Foi assim, com Fernando Henrique Cardoso e Luiz In\u00e1cio Lula da Silva. Quando viu o desejo manifesto nas urnas frustrado, foi \u00e0s ruas apoiar o impeachment do presidente da Rep\u00fablica. Foi o que aconteceu com Collor de Mello e Dilma Rousseff. Golpe? Golpe coisa nenhuma. Ambos foram apeados do poder com base na Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, que estabelece as regras do jogo, e por erros graves na condu\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m leva o eleitor para votar puxando-o pelo nariz. O povo tem seus motivos para fazer escolhas. Nessas elei\u00e7\u00f5es, consideradas at\u00edpicas, h\u00e1 um claro sentido de ruptura, por causa do desgaste do sistema pol\u00edtico, da viol\u00eancia no cotidiano, da corrup\u00e7\u00e3o desnudada dada pela Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato, do desemprego em massa e da falta de perspectivas. Isso est\u00e1 mais do que evidente. Apesar de ter feito uma contrarreforma pol\u00edtica para blind\u00e1-la, a elite pol\u00edtica caiu do galho. Uma gera\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo aposentada pelas urnas, outra foi expurgada pela Lei da Ficha Limpa.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o significa que a renova\u00e7\u00e3o pol\u00edtica est\u00e1 concretizada, mas essa foi a sinaliza\u00e7\u00e3o do eleitor. Uma das dificuldades para entender o sentido dessa disruptiva no processo pol\u00edtico \u00e9 narrativa dos candidatos, que tem um car\u00e1ter regressivo. A discuss\u00e3o eleitoral parece uma \u201cvendeta\u201d, que remonta \u00e0 crise pol\u00edtica de 1964. L\u00e1 se v\u00e3o 54 anos! A maioria dos eleitores nem havia nascido. A radicaliza\u00e7\u00e3o direita versus esquerda protagonizada por Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) \u00e9 um grande \u201cdej\u00e0 vu\u201d, n\u00e3o passa disso.<\/p>\n<p>Por que isso acontece? Talvez porque as for\u00e7as conservadoras que apoiaram o regime militar durante 20 anos, nos \u00faltimos 30 anos ficaram sem representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e0 altura de um novo projeto de poder. Seu \u00faltimo grande representante foi o senador Jarbas Passarinho (PDS-PA), que foi ministro da Justi\u00e7a de Collor de Mello e presidiu a CPI do Or\u00e7amento, perdendo a seguir a reelei\u00e7\u00e3o ao Senado, em 1994. Talvez porque as for\u00e7as que governaram o pa\u00eds durante os governos Lula e Dilma, ap\u00f3s o impeachment da presidente Dilma Rousseff, fizeram de tudo para se perpetuar no poder e n\u00e3o querem ficar muito tempo fora dele, o que ser\u00e1 prov\u00e1vel se perderem.<\/p>\n<p><strong>Conting\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>A nossa realidade parece um copo d&#8217;\u00e1gua pela metade. O Brasil tem a maior democracia de massas do mundo, com elei\u00e7\u00f5es livres, diretas e secretas, \u00e0 prova de fraude e apuradas no mesmo dia. Mas ambos os candidatos j\u00e1 constroem teorias conspirat\u00f3rias para n\u00e3o aceitar seu resultado. Entretanto, o que surgir das urnas \u00e9 o veredicto popular, \u201cduela a quien le duela\u201d.<\/p>\n<p>As for\u00e7as moderadas e centristas do pa\u00eds, que sempre se movimentaram pendularmente, viraram marisco nas elei\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o foram riscadas do mapa. Continuam influentes nas estruturas de poder, nas institui\u00e7\u00f5es republicanas, na grande m\u00eddia e na chamada sociedade civil. Podem at\u00e9 influenciar o resultado da elei\u00e7\u00e3o e surpreender! A disputa eleitoral parece uma guerra de movimentos; devido \u00e0 radicaliza\u00e7\u00e3o, uma guerra de posi\u00e7\u00f5es se iniciar\u00e1 ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es. Entretanto, a dicotomia fascismo ou comunismo que deu o tom nesta reta final n\u00e3o faz o menor sentido. Se fosse verdadeira, nos levaria a uma guerra civil.<\/p>\n<p>Os vitoriosos tamb\u00e9m logo descobrir\u00e3o que tropas de assalto n\u00e3o s\u00e3o eficientes para ocupa\u00e7\u00e3o.\u00c9 preciso ir devagar com o andor. Na verdade, as conting\u00eancias s\u00e3o outras. A primeira \u00e9 o equil\u00edbrio entre os poderes Executivo, Legislativo e Judici\u00e1rio. A segunda, a rela\u00e7\u00e3o entre os entes federados: Uni\u00e3o, estados e munic\u00edpios. A terceira, a rela\u00e7\u00e3o entre Estado e sociedade, que passa tamb\u00e9m pela economia. Quem vencer as elei\u00e7\u00f5es assumir\u00e1 um governo que gasta mais do que arrecada, n\u00e3o tem capacidade de investimento e presta p\u00e9ssimos servi\u00e7os \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Os eleitores querem seguran\u00e7a, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, emprego e moradia. N\u00e3o se resolve esses problemas sem reforma fiscal e com uma ret\u00f3rica vazia. Trocando em mi\u00fados, como em toda democracia, quem ganhar deve levar. Mas ter\u00e1 que trabalhar muito para n\u00e3o frustrar seus eleitores. N\u00e3o far\u00e1 o que quer, quando e como quiser; ser\u00e1 escravo das suas pr\u00f3prias circunst\u00e2ncias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cOs eleitores querem seguran\u00e7a, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, emprego e moradia. N\u00e3o se resolve esses problemas com uma ret\u00f3rica vazia\u201d Antes de mais nada, o eleitor brasileiro est\u00e1 cada vez mais consciente da import\u00e2ncia de seu voto e do poder que isso lhe atribui para mudar a realidade pol\u00edtica do pa\u00eds. Foi um longo aprendizado, que passou de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o. Em [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":39,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,8,3,9],"tags":[130,67,208],"class_list":["post-3132","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-eleicoes","category-partidos","category-politica","category-politica-2","tag-bolsonaro","tag-eleicoes2018","tag-haddad"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3132","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/39"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3132"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3132\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3139,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3132\/revisions\/3139"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3132"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3132"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3132"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}