{"id":3196,"date":"2018-11-14T08:05:54","date_gmt":"2018-11-14T10:05:54","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=3196"},"modified":"2018-11-14T08:05:54","modified_gmt":"2018-11-14T10:05:54","slug":"nas-entrelinhas-baloes-de-ensaio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-baloes-de-ensaio\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas: Bal\u00f5es de ensaio"},"content":{"rendered":"<p><em>&#8220;Em meio \u00e0 confus\u00e3o criada por declara\u00e7\u00f5es desencontradas e bal\u00f5es de ensaio, Bolsonaro est\u00e1 montando uma cadeia de comando, na qual seus ministros est\u00e3o tendo liberdade para formar equipes&#8221;<\/em><\/p>\n<p>Os jornalistas est\u00e3o com dificuldades para fazer a cobertura do governo de transi\u00e7\u00e3o de Jair Bolsonaro, que anuncia ministros pelo Twitter e tem prazer de \u201cfurar\u201d a imprensa. Na equipe de transi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 uma pol\u00edtica de comunica\u00e7\u00e3o, cada um diz o que lhe d\u00e1 na telha nas entrevistas. Falam o que n\u00e3o deveriam e, depois, reclamam dos rep\u00f3rteres que tentam arrancar uma informa\u00e7\u00e3o. Ontem, por exemplo, o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, reclamava de uma rep\u00f3rter que insistiu tanto numa pergunta sobre o Mercosul que o futuro czar da economia acabou falando o que pensa realmente sobre o assunto. Acontece que a opini\u00e3o do novo ministro n\u00e3o coincide com a dos empres\u00e1rios que realizam o com\u00e9rcio entre esses pa\u00edses e, muito menos com a do Itamaraty. A sa\u00edda foi minimizar o que disse e p\u00f4r a culpa na jornalista. N\u00e3o foi a primeira vez que isso aconteceu, nem ser\u00e1 a \u00faltima.<\/p>\n<p>Paulo Guedes foi protagonista de uma decis\u00e3o estrat\u00e9gica do novo governo, por\u00e9m, que sinaliza como as coisas v\u00e3o funcionar doravante: a indica\u00e7\u00e3o do ex-ministro Joaquim Levy para a presid\u00eancia do BNDES. Depois do an\u00fancio, o economista foi bombardeado pelos petistas e seus aliados, que o responsabilizam pelo fracasso do governo Dilma Rousseff, j\u00e1 que n\u00e3o podem responsabilizar a petista sem dar um tiro no pr\u00f3prio p\u00e9 na narrativa do golpe. Tamb\u00e9m foi bombardeado por setores ligados ao pr\u00f3prio Bolsonaro, que saiu em defesa de Guedes: \u201cEle (Guedes) \u00e9 que est\u00e1 bancando o nome Joaquim Levy. Ele tem um passado com a Dilma, sim, teve 10 meses, tem um passado com o governo Cabral, mas nada tem contra sua conduta profissional. Assim sendo, eu endosso Paulo Guedes. Esse \u00e9 um ponto pacificado\u201d, afirmou o presidente eleito, numa entrevista \u201cquebra-queixo\u201d, na entrada do condom\u00ednio onde mora, na Barra da Tijuca, logo ap\u00f3s o an\u00fancio.<\/p>\n<p>Levy \u00e9 um executivo polivalente, capaz de transitar do setor financeiro para a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica e vice-versa, sem se enrolar na quantidade de zeros. Foi ministro da Fazenda no segundo mandato da ent\u00e3o presidente Dilma Rousseff, secret\u00e1rio do Tesouro Nacional no primeiro mandato do ent\u00e3o presidente Lula e secret\u00e1rio da Fazenda do Rio de Janeiro no governo S\u00e9rgio Cabral (MDB). Diretor do Banco Mundial, em Washington (EUA), tamb\u00e9m foi diretor da administradora de investimentos Bradesco Asset Management. Tem a miss\u00e3o de abrir a \u201ccaixa-preta\u201d do BNDES, leia-se, os empr\u00e9stimos para os governos da Am\u00e9rica Latina e da \u00c1frica e os financiamentos camaradas aos \u201ccampe\u00f5es nacionais\u201d escolhidos a dedo pelo ex-presidente Lula, que est\u00e1 preso em Curitiba.<\/p>\n<p><strong>Sun Tzu<\/strong><\/p>\n<p>Muito mais importante, por\u00e9m, foi a atitude de Bolsonaro ao bancar a indica\u00e7\u00e3o de Guedes. \u201cComandar muitos \u00e9 o mesmo que comandar poucos. Tudo \u00e9 uma quest\u00e3o de organiza\u00e7\u00e3o\u201d, dizia o general chin\u00eas Sun Tzu, na Arte da Guerra. Em meio \u00e0 confus\u00e3o criada por declara\u00e7\u00f5es desencontradas e bal\u00f5es de ensaio, Bolsonaro est\u00e1 montando uma cadeia de comando, na qual seus ministros est\u00e3o tendo liberdade para formar equipes e comand\u00e1-las. No caso da Economia, Guedes resolveu assimilar tamb\u00e9m alguns quadros do atual governo, em \u00e1reas sens\u00edveis, onde n\u00e3o pode aterrissar sem trem de pouso, arrastando a barriga na Esplanada dos Minist\u00e9rios. Manteve Ivan Monteiro no comando da Petrobras e guindou Mansueto de Almeida, o atual secret\u00e1rio do Tesouro, \u00e0 futura Secretaria da Fazenda.<\/p>\n<p>Na mesma linha, deu-se a escolha do general Fernando de Azevedo e Silva, ex-chefe do Estado-Maior do Ex\u00e9rcito, que estava assessorando o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, para o cargo de ministro da Defesa. Ligado ao comandante do Ex\u00e9rcito, Eduardo Villas-Boas, que sofre de uma grave doen\u00e7a degenerativa, mas est\u00e1 muito l\u00facido e falante, o novo ministro ser\u00e1 uma blindagem \u00e0 politiza\u00e7\u00e3o das For\u00e7as Armadas, grande preocupa\u00e7\u00e3o dos atuais comandantes militares, em raz\u00e3o da forte presen\u00e7a de l\u00edderes militares reformados no governo, a come\u00e7ar pelo pr\u00f3prio presidente da Rep\u00fablica e pelo vice, general Mour\u00e3o, al\u00e9m do futuro ministro do Gabinete de Seguran\u00e7a Institucional (GSI), general Augusto Heleno.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Em meio \u00e0 confus\u00e3o criada por declara\u00e7\u00f5es desencontradas e bal\u00f5es de ensaio, Bolsonaro est\u00e1 montando uma cadeia de comando, na qual seus ministros est\u00e3o tendo liberdade para formar equipes&#8221; Os jornalistas est\u00e3o com dificuldades para fazer a cobertura do governo de transi\u00e7\u00e3o de Jair Bolsonaro, que anuncia ministros pelo Twitter e tem prazer de \u201cfurar\u201d a imprensa. 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