{"id":3202,"date":"2018-11-16T09:27:14","date_gmt":"2018-11-16T11:27:14","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=3202"},"modified":"2018-11-16T09:29:34","modified_gmt":"2018-11-16T11:29:34","slug":"nas-entrelinhas-o-banqueiro-de-guedes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-o-banqueiro-de-guedes\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas: O banqueiro de Guedes"},"content":{"rendered":"<p><em>&#8220;Economistas liberais defendem a tese de que o ajuste deve ser imediato e profundo, para que a econmia possa se recuperar mais rapidamente. \u00c9 uma aposta que nunca foi adotada&#8221;<\/em><\/p>\n<p>Para quem tinha d\u00favidas, a indica\u00e7\u00e3o do economista Roberto Campos Neto, executivo do Santander, para comandar o Banco Central no governo Bolsonaro foi a confirma\u00e7\u00e3o de que o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, prepara a abertura do setor financeiro para que mais bancos estrangeiros possam operar no Brasil, como parte do choque liberal que pretende anunciar. Talvez seja a indica\u00e7\u00e3o mais simb\u00f3lica da equipe, que incorporou alguns integrantes do atual governo, como Ivan Monteiro, na Petrobras, e Mansueto de Almeida, que dever\u00e1 continuar na Secretaria do Tesouro, al\u00e9m da pol\u00eamica nomea\u00e7\u00e3o do ex-ministro Joaquim Levy para o BNDES. Como o sobrenome j\u00e1 diz, \u00e9 neto do economista Roberto Campos, expoente do pensamento liberal no Brasil, que foi ministro do Planejamento no governo Castelo Branco.<\/p>\n<p>Com 49 anos, formado em economia e com especializa\u00e7\u00e3o em finan\u00e7as pela Universidade da Calif\u00f3rnia, Campos Neto trabalhou no Banco Bozano Simonsen e na Caritas, antes de fazer carreira no Santander, onde atualmente ocupa a Tesouraria do banco. Embora a narrativa do novo ministro da Economia seja a favor da autonomia do Banco Central, com a fixa\u00e7\u00e3o de mandatos para presidente e diretores da institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o coincidentes, a indica\u00e7\u00e3o do economista refor\u00e7a a interpreta\u00e7\u00e3o de que Paulo Guedes exercer\u00e1 r\u00edgido controle sobre o BC, que hoje \u00e9 uma autarquia ligada ao Minist\u00e9rio da Fazenda, ainda que a independ\u00eancia do banco venha a ser aprovada.<\/p>\n<p>A principal miss\u00e3o da autoridade monet\u00e1ria \u00e9 o controle da infla\u00e7\u00e3o, tendo por base o sistema de metas. Quando as estimativas para a infla\u00e7\u00e3o est\u00e3o em linha com as metas, o BC reduz os juros; quando est\u00e3o acima da trajet\u00f3ria esperada, a taxa Selic \u00e9 elevada. Outra atribui\u00e7\u00e3o do Banco Central \u00e9 a pol\u00edtica cambial, que executa por meio de interven\u00e7\u00f5es no mercado, da oferta de contratos de \u201cswap cambial\u201d, a venda de d\u00f3lares no mercado futuro, para segurar a alta da moeda. Sempre que ocorre inger\u00eancia pol\u00edtica nas decis\u00f5es sobre a taxa b\u00e1sica de juros, a Selic, e na supervis\u00e3o do sistema financeiro, h\u00e1 reflexos diretos nos juros futuros e nas taxas banc\u00e1rias. A redu\u00e7\u00e3o a f\u00f3rceps das taxas de juros, como no governo Dilma Rousseff, n\u00e3o funciona.<\/p>\n<p>O maior problema de Guedes, entretanto, \u00e9 o deficit fiscal da Uni\u00e3o e da maioria dos governos estaduais, cujo epicentro s\u00e3o os gastos com a folha de pagamentos e a Previd\u00eancia. Economistas liberais defendem a tese de que o ajuste deve ser imediato e profundo, para que a econmia possa se recuperar mais rapidamente. \u00c9 uma aposta que nunca foi adotada no Brasil desde a redemcratiza\u00e7\u00e3o. Desta vez, depender\u00e1 da disposi\u00e7\u00e3o de Bolsonaro no sentido de enfrentar as corpora\u00e7\u00f5es federais e os governos estaduais, for\u00e7ando um ajuste que pode jogar sua popularidade no ch\u00e3o. Como o desemprego no Brasil \u00e9 muito alto, em torno dos 13 milh\u00f5es de trabalhadores que procuram coloca\u00e7\u00e3o, a rea\u00e7\u00e3o dos sindicatos de trabalhadores tende a ser insignificante, com exce\u00e7\u00e3o das entidades de funcion\u00e1rios p\u00fablicos. Quebrar essa resist\u00eancia \u00e9 o maior desafio para aprova\u00e7\u00e3o da reforma da Previd\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Estatais<\/strong><\/p>\n<p>Muitas coisas na esfera do pr\u00f3prio governo precisam ser resolvidas. As despesas com estatais deficit\u00e1rias, por exemplo, aumentaram 125% entre 2009 e 2017, crescimento bem acima da infla\u00e7\u00e3o do per\u00edodo, de 69,9%. No total, os gastos com as empresas enquadradas nesse crit\u00e9rio foram de R$ 67,9 bilh\u00f5es. Algumas s\u00e3o importantes, como a Embrapa, de pesquisa agropecu\u00e1ria. Mas h\u00e1 coisas inexplic\u00e1veis, como a Empresa de Planejamento e Log\u00edstica (EPL), que deveria cuidar do projeto do trem-bala ligando S\u00e3o Paulo ao Rio, heran\u00e7a do governo Dilma Rousseff.<\/p>\n<p>Esse aumento de despesas tem rela\u00e7\u00e3o direta com o n\u00famero de funcion\u00e1rios, que passaram de 37,9 mil em 2009 e chegam a quase 73,5 mil, com sal\u00e1rio m\u00e9dio mensal de R$ 13,4 mil. Essas empresas explicam parte do crescimento do deficit prim\u00e1rio e da d\u00edvida bruta do pa\u00eds. Com patrim\u00f4nio l\u00edquido de R$ 8,244 bilh\u00f5es, t\u00eam perdas previstas de R$ 7,3 bilh\u00f5es com a\u00e7\u00f5es c\u00edveis, trabalhistas, administrativas, fiscais e tribut\u00e1rias. Entre as mais deficit\u00e1rias, duas s\u00e3o consideradas \u201cimex\u00edveis\u201d pelos militares: a INB, que det\u00e9m monop\u00f3lio da produ\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o de materiais nucleares, e a Imbel, que fabrica armas, muni\u00e7\u00f5es e explosivos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Economistas liberais defendem a tese de que o ajuste deve ser imediato e profundo, para que a econmia possa se recuperar mais rapidamente. \u00c9 uma aposta que nunca foi adotada&#8221; Para quem tinha d\u00favidas, a indica\u00e7\u00e3o do economista Roberto Campos Neto, executivo do Santander, para comandar o Banco Central no governo Bolsonaro foi a confirma\u00e7\u00e3o de que o futuro ministro [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":39,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[36,4,3],"tags":[51,256,130,243],"class_list":["post-3202","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia","category-governo","category-politica","tag-ajustefiscal","tag-bancocentral","tag-bolsonaro","tag-guedes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3202","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/39"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3202"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3202\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3209,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3202\/revisions\/3209"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3202"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3202"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3202"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}