{"id":3368,"date":"2019-01-17T11:31:32","date_gmt":"2019-01-17T13:31:32","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=3368"},"modified":"2019-01-17T11:37:01","modified_gmt":"2019-01-17T13:37:01","slug":"nas-entrelinhas-meia-volta-volver","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-meia-volta-volver\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas: Meia-volta, volver!"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;A Argentina \u00e9 o terceiro parceiro comercial do Brasil, atr\u00e1s da China e dos Estados Unidos, mas \u00e9 \u00a0principal parceiro para a nossa ind\u00fastria&#8221;<\/p>\n<p>O encontro do presidente Jair Bolsonaro com o presidente da Argentina, Mauricio Macri, serviu para reposicionar o novo governo em rela\u00e7\u00e3o ao Mercosul. Foi uma esp\u00e9cie de \u201cmeia-volta, volver!\u201d, depois das declara\u00e7\u00f5es do ministro da Economia, Paulo Guedes, logo ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es, de que as rela\u00e7\u00f5es comerciais do Brasil com os vizinhos do Cone Sul n\u00e3o eram uma prioridade. Guedes chegou a contextualizar o coment\u00e1rio de maneira a desdizer seu significado, mas foi preciso o encontro de ontem para que as coisas ficassem realmente mais claras, principalmente para os vizinhos. Bolsonaro e Macri acertaram trabalhar conjuntamente para fortalecer o bloco sul-americano. O ministro Paulo Guedes, nas conversas com os argentinos, procurou desfazer a imagem de que estava de costas para o Mercosul. A Argentina \u00e9 o terceiro parceiro comercial do Brasil, atr\u00e1s da China e dos Estados Unidos, mas \u00e9 \u00a0principal parceiro para a nossa ind\u00fastria.<\/p>\n<p>Isso significa que tudo ficar\u00e1 como dantes? N\u00e3o, diplomatas do Brasil e Argentina discutiram mudan\u00e7as nas regras do Mercosul que pro\u00edbem os pa\u00edses-membros de negociarem separadamente acordos de livre com\u00e9rcio com outros pa\u00edses. No caso brasileiro, Bolsonaro quer enxugar os encargos do Mercosul, reduzir tarifas e burocracia. Abre-se a possibilidade de avan\u00e7os nas conversas com a Uni\u00e3o Europeia. Al\u00e9m disso, Paraguai e o Uruguai desejam fazer seus acordos bilaterais. O patinho feio do Mercosul \u00e9 a Venezuela, que foi outro assunto abordado no encontro. Nesse caso, a afina\u00e7\u00e3o entre Bolsonaro e Macri \u00e9 total: ambos pretendem endurecer o jogo ainda mais com o presidente do pa\u00eds vizinho, Nicol\u00e1s Maduro, que assumiu novo mandato de seis anos e \u00e9 considerado um ditador pela maioria dos pa\u00edses do continente.<\/p>\n<p>Macri foi o mais enf\u00e1tico nos ataques a Maduro. Ressaltou que Argentina e Brasil reconhecem apenas a Assembleia Nacional da Venezuela, que \u00e9 comandada pela oposi\u00e7\u00e3o e considera Maduro um usurpador. \u201cReafirmamos nossa condena\u00e7\u00e3o \u00e0 ditadura de Nicol\u00e1s Maduro. N\u00e3o aceitamos esse esc\u00e1rnio com a democracia, e, menos ainda, a tentativa de vitimiza\u00e7\u00e3o de quem na verdade \u00e9 o algoz\u201d, disse Macri. Bolsonaro foi mais comedido em rela\u00e7\u00e3o a Maduro, mas reiterou que Brasil e Argentina jogar\u00e3o juntos no caso da Venezuela: \u201cNossa coopera\u00e7\u00e3o na quest\u00e3o da Venezuela \u00e9 o exemplo mais claro do momento. As conversas de hoje (ontem) com o presidente Macri s\u00f3 fazem refor\u00e7ar minha convic\u00e7\u00e3o de que o relacionamento entre Brasil e Argentina seguir\u00e1 avan\u00e7ando no rumo certo: o rumo da democracia, da liberdade, da seguran\u00e7a e do desenvolvimento\u201d, disse.<\/p>\n<p>Recess\u00e3o<br \/>\nO fato de o Brasil e a Argentina terem governos ultraliberais tem um peso espec\u00edfico no continente, mas h\u00e1 uma vari\u00e1vel imponder\u00e1vel: ao contr\u00e1rio de Bolsonaro, que acabou de assumir o governo, Macri est\u00e1 terminando seu mandato, em meio a um tremendo fracasso econ\u00f4mico. Os pre\u00e7os na Argentina subiram 2,6% em dezembro, com infla\u00e7\u00e3o anual de 2018 em 47,6%, a maior desde 1991. A meta de infla\u00e7\u00e3o de 23% em 2019, j\u00e1 considerada muito alta, dificilmente ser\u00e1 alcan\u00e7ada, num ano de elei\u00e7\u00f5es presidenciais, nas quais Macri ainda pretende disputar a reelei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com os pre\u00e7os descontrolados, o Banco Central argentino fez um ajuste dur\u00edssimo, com juros de at\u00e9 70% e retirada de pesos do mercado. O d\u00f3lar estabilizou em 37 pesos, mas a economia est\u00e1 em recess\u00e3o: 2,5% em 2018; previs\u00e3o de 2%, em 2019. Macri ter\u00e1 dificuldades para manter esse ajuste, quando nada porque os sal\u00e1rios sofreram uma perda de poder de compra pr\u00f3xima a 10%, a maior desde 2002. At\u00e9 o FMI prev\u00ea dificuldades para manter o ajuste, cujas proje\u00e7\u00f5es apontam que somente em 2024 os argentinos conseguir\u00e3o recuperar o n\u00edvel de vida de 2017. Ser\u00e1 dif\u00edcil para Macri resistir \u00e0s press\u00f5es dos sindicatos por aumentos de sal\u00e1rios e manter o acordo feito com o FMI.<\/p>\n<p><strong>\u00c0 deriva<\/strong><br \/>\nA prop\u00f3sito, a Inglaterra nunca esteve t\u00e3o \u00e0 deriva. Conservadores brit\u00e2nicos e unionistas da Irlanda do Norte salvaram a primeira-ministra Theresa May, derrotando por apenas 19 votos a mo\u00e7\u00e3o de desconfian\u00e7a apresentada pelos trabalhistas para evitar que o l\u00edder da oposi\u00e7\u00e3o, Jeremy Corbyn, a substitu\u00edsse, depois de a maioria esmagadora do parlamento do Reino Unido ter rejeitado o acordo de sa\u00edda da Uni\u00e3o Europeia. O Brexit continua um salto no escuro, porque a primeira-ministra ainda n\u00e3o tem um plano B.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;A Argentina \u00e9 o terceiro parceiro comercial do Brasil, atr\u00e1s da China e dos Estados Unidos, mas \u00e9 \u00a0principal parceiro para a nossa ind\u00fastria&#8221; O encontro do presidente Jair Bolsonaro com o presidente da Argentina, Mauricio Macri, serviu para reposicionar o novo governo em rela\u00e7\u00e3o ao Mercosul. 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