{"id":3387,"date":"2019-01-23T08:05:02","date_gmt":"2019-01-23T10:05:02","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=3387"},"modified":"2019-01-23T08:46:52","modified_gmt":"2019-01-23T10:46:52","slug":"nas-entrelinhas-seis-minutosx","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-seis-minutosx\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas: Seis minutos"},"content":{"rendered":"<p><em>&#8220;Bolsonaro procurou desfazer a repercuss\u00e3o internacional negativa gerada por decis\u00f5es recentes de seu governo sobre o meio ambiente&#8221;<\/em><\/p>\n<p>O esperado discurso do presidente Jair Bolsonaro em Davos, na Su\u00ed\u00e7a, para um seleto grupo de empres\u00e1rios e pol\u00edticos, foi uma esp\u00e9cie de copo pela metade, gelado. De um lado, sinalizou o que investidores gostariam de ouvir em termos de dire\u00e7\u00e3o a ser seguida pelo pa\u00eds; de outro, decepcionou-os por n\u00e3o apresentar propostas concretas de reformas, o que deixou uma impress\u00e3o de superficialidade. Bolsonaro poderia ter roubado a cena em Davos, diante da aus\u00eancia de peso-pesados da pol\u00edtica mundial, como os presidentes Donald Trump (EUA), Xi Jinping (China), Emmanuel Macron (Fran\u00e7a), Vladimir Putin (R\u00fassia) e os primeiros-ministros Theresa May (Reino Unido) e Ram Nath Kovind (\u00cdndia).<\/p>\n<p>A op\u00e7\u00e3o pelo feij\u00e3o com arroz n\u00e3o deixa de ser positiva, se levarmos em conta, por exemplo, a pol\u00edtica externa anunciada no discurso de posse do ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Ernesto Ara\u00fajo, cuja presen\u00e7a no F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial foi ofuscada pelos ministros Paulo Guedes (Economia) e S\u00e9rgio Moro (Justi\u00e7a). Bolsonaro leu um discurso no qual falou de seguran\u00e7a, preserva\u00e7\u00e3o ambiental e desenvolvimento, redu\u00e7\u00e3o de impostos, respeito aos contratos, privatiza\u00e7\u00f5es, ajuste fiscal, reforma da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Com\u00e9rcio (OMC).<\/p>\n<p>Para n\u00e3o deixar de lado a ret\u00f3rica da campanha eleitoral, o presidente brasileiro criticou o bolivarianismo e defendeu a propriedade privada, a fam\u00edlia e os \u201cverdadeiros direitos humanos\u201d. Anunciou a meta bastante exequ\u00edvel de colocar o Brasil entre os 50 melhores pa\u00edses para se investir e a necessidade de educa\u00e7\u00e3o voltada aos desafios da \u201cquarta revolu\u00e7\u00e3o industrial\u201d. Apenas tr\u00eas l\u00edderes do chamado G7 participar\u00e3o da reuni\u00e3o de Davos: o primeiro-ministro do Jap\u00e3o, Shinzo Abe; a chanceler alem\u00e3, Angela Merkel; e o premi\u00ea italiano, Giuseppe Conte.<\/p>\n<p>Bolsonaro procurou desfazer a repercuss\u00e3o internacional negativa gerada por decis\u00f5es recentes de seu governo sobre o meio ambiente. Durante o discurso, enfatizou que o Brasil \u00e9 o pa\u00eds que mais preserva o meio ambiente e que o governo quer compatibilizar preserva\u00e7\u00e3o e biodiversidade com avan\u00e7o econ\u00f4mico. Disse que a agricultura ocupa somente 9% do territ\u00f3rio brasileiro, e a pecu\u00e1ria, menos de 20%. \u201cHoje, 30% do Brasil s\u00e3o florestas. Ent\u00e3o, n\u00f3s damos, sim, exemplo para o mundo. O que pudermos aperfei\u00e7oar, o faremos. N\u00f3s pretendemos estar sintonizados com o mundo na busca da diminui\u00e7\u00e3o de CO2 e na preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente\u201d, declarou, ap\u00f3s ser questionado pelo fundador e presidente do F\u00f3rum, Klaus Schwab. Depois, em reuni\u00e3o com investidores, confirmou que o Brasil permanecer\u00e1 no Acordo de Paris sobre o clima. Al\u00e9m de destacar a inten\u00e7\u00e3o de ampliar a abertura comercial e a integra\u00e7\u00e3o \u00e0 economia mundial, Bolsonaro ressaltou a inten\u00e7\u00e3o de combater a corrup\u00e7\u00e3o, frisando o papel nesse sentido do ex-juiz Sergio Moro, no Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Rela\u00e7\u00f5es perigosas<\/strong><\/p>\n<p>No Brasil, por\u00e9m, o senador Fl\u00e1vio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente da Rep\u00fablica, est\u00e1 na frigideira, por causa do ex-assessor Fabr\u00edcio Queiroz. Raimunda Veras Magalh\u00e3es, m\u00e3e do ex-capit\u00e3o do Bope Adriano Magalh\u00e3es da N\u00f3brega, aparece em relat\u00f3rio do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) como uma das pessoas que fizeram dep\u00f3sitos para o ex-motorista do ent\u00e3o deputado estadual. Ela depositou R$ 4,6 mil na conta de Fabr\u00edcio, de um sal\u00e1rio l\u00edquido de R$ 5.124,62 na Alerj.<\/p>\n<p>A m\u00e3e de Adriano foi assessora da lideran\u00e7a do Partido Progressista (PP), ao qual Fl\u00e1vio Bolsonaro era filiado. Ela deixou o cargo quando o deputado se filiou ao PSC. Em 29 de junho de 2016, Raimunda voltou \u00e0 Alerj, desta vez no gabinete de Fl\u00e1vio, sendo exonerada somente em novembro do ano passado. A mulher de Adriano, Danielle Mendon\u00e7a da Costa da N\u00f3brega, tamb\u00e9m trabalhou no gabinete de Fl\u00e1vio Bolsonaro na Alerj, com o mesmo sal\u00e1rio da sogra.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 o ex-capit\u00e3o do Bope, que est\u00e1 foragido. Uma for\u00e7a-tarefa do Minist\u00e9rio P\u00fablico e da Pol\u00edcia Civil do Rio de Janeiro prendeu ontem cinco suspeitos de integrar uma mil\u00edcia envolvida em grilagem de terra. Entre eles, est\u00e3o um major da PM e um tenente reformado, al\u00e9m de Adriano. Mais oito pessoas s\u00e3o procuradas, duas est\u00e3o entre os suspeitos do caso Marielle Franco, a vereadora do Psol assassinada no Rio de Janeiro no ano passado, e seu assessor Anderson Gomes.<\/p>\n<p>As investiga\u00e7\u00f5es se baseiam em escutas telef\u00f4nicas e relatos recebidos pelo Disque Den\u00fancia. Segundo a promotora Simone Sibilio, coordenadora do Grupo de Atua\u00e7\u00e3o Especial de Repress\u00e3o ao Crime Organizado (Gaeco), algumas pessoas presas tamb\u00e9m integram o \u201cescrit\u00f3rio do crime\u201d, grupo de assassinos de aluguel investigado pela morte de Marielle Franco e Anderson Gomes. \u201cA gente n\u00e3o descarta a participa\u00e7\u00e3o no crime de Marielle Franco, mas n\u00e3o podemos afirmar isso neste momento. Essa opera\u00e7\u00e3o n\u00e3o visou prender pessoas relacionadas ao crime da Marielle e Anderson. Se chegarmos \u00e0 conclus\u00e3o de que eles t\u00eam participa\u00e7\u00e3o, a\u00ed, vamos trabalhar no inqu\u00e9rito relativo a esse crime\u201d, afirmou Simone.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Bolsonaro procurou desfazer a repercuss\u00e3o internacional negativa gerada por decis\u00f5es recentes de seu governo sobre o meio ambiente&#8221; O esperado discurso do presidente Jair Bolsonaro em Davos, na Su\u00ed\u00e7a, para um seleto grupo de empres\u00e1rios e pol\u00edticos, foi uma esp\u00e9cie de copo pela metade, gelado. 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