{"id":3396,"date":"2019-01-25T08:07:05","date_gmt":"2019-01-25T10:07:05","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=3396"},"modified":"2019-01-25T11:13:19","modified_gmt":"2019-01-25T13:13:19","slug":"nas-entrelinhas-falta-combinar-com-os-russos-x","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-falta-combinar-com-os-russos-x\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas: Falta combinar com os russos"},"content":{"rendered":"<p><em>&#8220;O folclore futebol\u00edstico tem tudo a ver com a situa\u00e7\u00e3o da Venezuela. A ofensiva de Trump e \u00a0Bolsonaro esbarrou na alian\u00e7a de Maduro com o presidente russo Vladimir Putin&#8221;<\/em><\/p>\n<p>Na Copa do Mundo de 1958, na Su\u00e9cia, o t\u00e9cnico Vicente Feola, em prele\u00e7\u00e3o antol\u00f3gica, explicou na prancheta a t\u00e1tica para derrotar a sele\u00e7\u00e3o da antiga Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica: Nilton Santos lan\u00e7aria a bola da esquerda do meio de campo para a direita do ataque, nos p\u00e9s de Garrincha, que driblaria tr\u00eas advers\u00e1rios e cruzaria para Mazola cabecear na grande \u00e1rea. Com ingenuidade ou ironia, n\u00e3o se sabe, o anjo das pernas tortas perguntou: \u201cSeu Feola, o senhor combinou com os russos?\u201d<\/p>\n<p>O folclore futebol\u00edstico tem tudo a ver com a situa\u00e7\u00e3o atual da Venezuela. A ofensiva diplom\u00e1tica protagonizada pelo presidente norte-americano Donald Trump e pelo presidente Jair Bolsonaro contra Nicol\u00e1s Maduro &#8212; \u00a0que denunciou a autoproclama\u00e7\u00e3o do l\u00edder do Legislativo, Juan Guaid\u00f3, como presidente interino do pa\u00eds como um \u201cgolpe de Estado\u201d &#8211;, esbarrou na resist\u00eancia do ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino, ao lado da c\u00fapula militar das For\u00e7as Armadas do seu pa\u00eds. Mas tamb\u00e9m na alian\u00e7a de Maduro com o presidente russo Vladimir Putin, liderando uma coaliz\u00e3o de oito pa\u00edses, o que transformou a Venezuela no epicentro de uma disputa semelhante \u00e0quela que ocorre entre pot\u00eancias mundiais no Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da R\u00fassia, Cuba, M\u00e9xico, Bol\u00edvia, Nicar\u00e1gua, Turquia, China e Ir\u00e3 apoiam o regime chavista, enquanto Guaid\u00f3 \u00e9 reconhecido como presidente interino pelos seguintes pa\u00edses: Estados Unidos, Brasil, Argentina, Canad\u00e1, Chile, Col\u00f4mbia, Costa Rica, Equador, Guatemala, Honduras, Panam\u00e1, Paraguai, Peru e Reino Unido. A Uni\u00e3o Europeia assumiu uma posi\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria: a defesa da realiza\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es livres na Venezuela. A crise prossegue sob muita tens\u00e3o, a qualquer momento pode haver emprego da for\u00e7a por parte dos militares contra a oposi\u00e7\u00e3o, com o fechamento da Assembleia Nacional e pris\u00e3o de Guaid\u00f3, al\u00e9m de outros l\u00edderes oposicionistas. Fala-se em divis\u00e3o nas For\u00e7as Armadas, mas o pronunciamento sinaliza apoio da c\u00fapula militar ao regime.<\/p>\n<p>O presidente Nicol\u00e1s Maduro, na verdade, \u00e9 um fantoche da c\u00fapula militar, que controla a maior parte do governo e praticamente todas as empresas estatais. Como o regime n\u00e3o tem mais nenhuma sustenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da sociedade e a Assembleia Nacional tem mais respaldo popular do que o governo, vive-se uma situa\u00e7\u00e3o de dualidade de poderes, que pode ter desdobramento tr\u00e1gico, porque o governo perdeu controle da economia, mas n\u00e3o o poder de coer\u00e7\u00e3o sobre a sociedade. A repress\u00e3o pol\u00edtica na Venezuela \u00e9 muito violenta, protagonizada pela Guarda Nacional e pela mil\u00edcia bolivariana armada, a tropa de choque de Maduro.<\/p>\n<p><strong>Interven\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nOs Estados Unidos solicitaram uma reuni\u00e3o do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU para tratar do assunto, logo ap\u00f3s o presidente Donald Trump falar que examina todas as possibilidades de interven\u00e7\u00e3o na crise venezuelana, inclusive militar. Maduro ontem mandou fechar a embaixada da Venezuela nos EUA e vai expulsar os diplomatas norte=americanos, o que aumenta a escalada de tens\u00e3o. N\u00e3o foi \u00e0 toa que o presidente em exerc\u00edcio Hamilton Mour\u00e3o, ontem, descartou a participa\u00e7\u00e3o do Brasil em qualquer interven\u00e7\u00e3o militar. O envolvimento brasileiro na crise venezuelana \u00e9 uma ruptura com a tradi\u00e7\u00e3o do Itamaraty, que costuma operar nos bastidores para sa\u00eddas negociadas durante as crises nos pa\u00edses vizinhos. Ontem, o Itamaraty anunciou que somente o chanceler Ernesto Araujo falar\u00e1 sobre o tema. O ministro defende o alinhamento autom\u00e1tico com Trump e outros falc\u00f5es da pol\u00edtica internacional.<\/p>\n<p>O apoio aberto da R\u00fassia ao regime de Maduro, com quem tem intensa coopera\u00e7\u00e3o militar, n\u00e3o deve ser subestimado, embora a situa\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica da Venezuela seja completamente diferente da situa\u00e7\u00e3o, por exemplo, da S\u00edria, onde Putin conseguiu garantir a sobreviv\u00eancia do regime de Bashar al-Assad, o ditador s\u00edrio que se recusou a deixar o poder e os ex-presidentes Bush e Obama tentaram derrubar. Hoje, os Estados Unidos est\u00e3o se retirando da S\u00edria e os russos continuam por l\u00e1, com sua base naval. Na Venezuela, n\u00e3o existe base militar da R\u00fassia, apenas blindados e avi\u00f5es de ca\u00e7a de fabrica\u00e7\u00e3o russa.<\/p>\n<p>Em termos militares, o Brasil tem as For\u00e7as Armadas mais numerosas da regi\u00e3o, contando com 366 mil militares da For\u00e7a A\u00e9rea, Marinha e Ex\u00e9rcito. A Venezuela fica um pouco atr\u00e1s, com 365 mil efetivos. O M\u00e9xico (267 mil) e a Col\u00f4mbia (265 mil) seguem de perto; depois, v\u00eam Argentina (79 mil), Peru (78 mil), Chile (67 mil), Rep\u00fablica Dominicana (58 mil), Equador (41 mil), Bol\u00edvia (34 mil), El Salvador (24 mil), Uruguai (22 mil), Guatemala (18 mil), Paraguai (16 mil) e Honduras (15 mil militares). Proporcionalmente, por\u00e9m, a Venezuela fica no primeiro lugar da lista, com 118 militares por 100 mil habitantes. O Uruguai, fica em segundo, com 65. O Brasil tem apenas 18 militares por cada 100 mil habitantes. Trocando em mi\u00fados, ningu\u00e9m com ju\u00edzo apostaria numa guerra com a Venezuela, nem Maduro est\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es de uma iniciativa dessa ordem, mesmo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Guiana. A\u00ed, sim, daria pretexto para uma interven\u00e7\u00e3o militar dos Estados Unidos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;O folclore futebol\u00edstico tem tudo a ver com a situa\u00e7\u00e3o da Venezuela. 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