{"id":3498,"date":"2019-02-22T08:17:23","date_gmt":"2019-02-22T11:17:23","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=3498"},"modified":"2019-02-22T08:20:03","modified_gmt":"2019-02-22T11:20:03","slug":"nas-entrelinhas-quem-matou-marielle","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-quem-matou-marielle\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas: Quem matou Marielle?"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;H\u00e1 provas suficientes de que o crime foi meticulosamente planejado e executado por profissionais. N\u00e3o foi por outra raz\u00e3o que o ex-secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a \u00a0Richard Nunes responsabilizou as mil\u00edcias&#8221;<\/p>\n<p>A Pol\u00edcia Federal realizou ontem, no Rio de Janeiro, uma opera\u00e7\u00e3o para cumprir oito mandados de busca e apreens\u00e3o relacionados \u00e0s investiga\u00e7\u00f5es do caso Marielle Franco, a vereadora do PSol assassinada numa emboscada, com o seu motorista, Anderson Gomes. O alvo das opera\u00e7\u00f5es foram os policiais envolvidos nas investiga\u00e7\u00f5es do caso que, at\u00e9 hoje, n\u00e3o foi elucidado, embora o ent\u00e3o secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a P\u00fablica, general Richard Nunes, tenha, \u00e0 \u00e9poca, anunciado que as apura\u00e7\u00f5es haviam chegado muito perto dos envolvidos. As medidas foram autorizadas pela Justi\u00e7a Estadual ap\u00f3s serem submetidas ao Minist\u00e9rio P\u00fablico do Rio de Janeiro, mas est\u00e3o sendo determinadas pelo procuradora-geral da Rep\u00fablica, Raquel Dodge.<\/p>\n<p>A origem da investiga\u00e7\u00e3o \u00e9 um longo depoimento do miliciano Orlando de Curicica a dois procuradores federais, no Pres\u00eddio Federal de Mossor\u00f3, no qual contou que o respons\u00e1vel pela Divis\u00e3o de Homic\u00eddios, Giniton Lages, esteve no pres\u00eddio de Bangu para ouvi-lo e queria que confessasse que matou Marielle a mando do vereador carioca Marcelo Siciliano, do PHS. Ambos foram acusados por um policial militar considerado a pe\u00e7a-chave da investiga\u00e7\u00e3o feita pela Delegacia de Homic\u00eddios do Rio de Janeiro. No longo depoimento, Orlando acusa a testemunha de ser um miliciano que se desentendeu com ele, disse ter respondido ao delegado Giniton Lages que n\u00e3o tinha envolvimento com o caso e que o delegado teria pedido ent\u00e3o para ele acusar o vereador Marcelo Siciliano. \u201cFala que o cara te procurou, pediu para voc\u00ea matar ela, voc\u00ea n\u00e3o quis, e o cara arrumou outra pessoa. Mas que o cara que pediu para matar ela\u201d, teria dito o delegado. Orlando tamb\u00e9m descreveu como atuam as mil\u00edcias no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>No jarg\u00e3o das investiga\u00e7\u00f5es criminais, n\u00e3o existe crime de mando sem um \u201cbode\u201d. Isto \u00e9, algu\u00e9m que possa ser incriminado por um crime porque teria algum tipo de desaven\u00e7a ou disputa com a v\u00edtima. No caso Marielle, h\u00e1 provas suficientes de que o crime foi meticulosamente planejado e executado por profissionais. N\u00e3o foi por outra raz\u00e3o que o general Richard chegou a responsabilizar as mil\u00edcias: \u201cEra um crime que j\u00e1 estava sendo planejado desde o fim de 2017, antes da interven\u00e7\u00e3o\u201d, disse \u00e0 \u00e9poca. \u201cEla estava lidando em determinada \u00e1rea do Rio controlada por milicianos, onde interesses econ\u00f4micos de toda ordem s\u00e3o colocados em jogo.\u201d<\/p>\n<p><strong>Quebra-cabe\u00e7as<\/strong><br \/>\nNo come\u00e7o das investiga\u00e7\u00f5es, houve uma opera\u00e7\u00e3o rocambolesca para prender os supostos respons\u00e1veis pela morte de Marielle. Policiais foram despachados para a Zona Oeste do Rio; Nova Igua\u00e7u, na Baixada Fluminense; Petr\u00f3polis, na Regi\u00e3o Serrana; Angra dos Reis, na Costa Verde; e at\u00e9 Juiz de Fora, em Minas. Em Angra, os policiais ficaram encurralados por traficantes na comunidade do Frade e precisaram da ajuda de policiais militares e de um helic\u00f3ptero para sair do cerco. Em Juiz de Fora, PMs pararam a equipe para checar quem eram os homens armados que estavam circulando pela cidade, em carros descaracterizados. O delegado Giniton Lages comandou o show.<\/p>\n<p>Na opera\u00e7\u00e3o de ontem, um dos alvos foi o PM que testemunhou contra Orlando Curicica; outro, o delegado federal Helio Khristian Cunha de Almeida, o primeiro a ter contato com a testemunha, levada a ele pela advogada Camila Moreira Lima Nogueira, tamb\u00e9m investigada. Ap\u00f3s um encontro na Urca, eles decidiram apresentar o PM ao ent\u00e3o chefe da Pol\u00edcia Civil, delegado Rivaldo Barbosa, que encaminhou todos para a Delegacia de Homic\u00eddios. Em janeiro passado, cinco pessoas foram presas em uma opera\u00e7\u00e3o contra as mil\u00edcias, entre elas o major Ronald Paulo Alves Pereira, suspeito de comprar e vender im\u00f3veis constru\u00eddos ilegalmente na Zona Oeste do Rio, al\u00e9m de crimes relacionados \u00e0 a\u00e7\u00e3o da mil\u00edcia nas comunidades de Rio das Pedras, Muzema e adjac\u00eancias, como agiotagem, extors\u00e3o de moradores e comerciantes, pagamento de propina e utiliza\u00e7\u00e3o de liga\u00e7\u00f5es clandestinas de \u00e1gua e energia. O ex-capit\u00e3o Adriano da N\u00f3brega, que est\u00e1 foragido, \u00e9 outro envolvido no caso. .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;H\u00e1 provas suficientes de que o crime foi meticulosamente planejado e executado por profissionais. 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