{"id":3547,"date":"2019-03-13T08:42:51","date_gmt":"2019-03-13T11:42:51","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=3547"},"modified":"2019-03-14T14:32:53","modified_gmt":"2019-03-14T17:32:53","slug":"nas-entrelinhas-os-fantasmas-de-marielle-e-anderson","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-os-fantasmas-de-marielle-e-anderson\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas: Os fantasmas de Marielle e Anderson"},"content":{"rendered":"<p><em>&#8220;O presidente Bolsonaro vive aquela situa\u00e7\u00e3o do devoto que quanto mais reza, mais assombra\u00e7\u00e3o aparece&#8221;<\/em><\/p>\n<p>Os fantasmas da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes atormentam o cl\u00e3 Bolsonaro, por causa do envolvimento pol\u00edtico e eleitoral com as mil\u00edcias fluminenses. Por isso mesmo, n\u00e3o deixa de ser muito relevante a afirma\u00e7\u00e3o de Jair Bolsonaro no sentido de que as investiga\u00e7\u00f5es cheguem aos mandantes do crime. Para a Divis\u00e3o de Homic\u00eddios da Capital, por\u00e9m, o caso \u00e9 um crime de \u00f3dio, ou seja, estar\u00e1 resolvido com a puni\u00e7\u00e3o dos dois acusados: o policial militar reformado Ronnie Lessa e o ex-policial militar \u00c9lcio Vieira de Queiroz.<\/p>\n<p>O presidente Bolsonaro vive aquela situa\u00e7\u00e3o do devoto que quanto mais reza, mais assombra\u00e7\u00e3o aparece. Ronnie foi preso em casa, no condom\u00ednio na Avenida L\u00facio Costa, na Barra da Tijuca, onde o presidente tamb\u00e9m tem resid\u00eancia. Pra complicar, a filha de um dos assassinos namorou um dos seus filhos. Mera coincid\u00eancia, disse a promotora que investiga o caso, Simone Sib\u00edlio, tamb\u00e9m coordenadora do Gaeco. Afinal, \u00e9 muito comum o filho namorar a filha do vizinho.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 poss\u00edvel que tenha um mandante. Eu conheci a Marielle depois que ela foi assassinada. N\u00e3o a conhecia, apesar de ela ser vereadora l\u00e1 com meu filho no Rio de Janeiro. E tamb\u00e9m estou interessado em saber quem mandou me matar\u201d, disse Bolsonaro. Chegar aos mandantes do crime n\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil, mas \u00e9 uma necessidade para separar o joio do trigo e desfazer mal-entendidos. O presidente da Rep\u00fablica precisa exorcizar esses fantasmas, at\u00e9 porque o caso Marielle Franco pautou os debates na C\u00e2mara, ontem, com a oposi\u00e7\u00e3o na ofensiva; e a base governista, baratinada.<\/p>\n<p>A Opera\u00e7\u00e3o Lume, que investiga o caso, tem possibilidades de puxar o fio da meada. Realizou 32 mandados de busca e apreens\u00e3o contra os denunciados para apreender documentos, telefones celulares, notebooks, computadores, armas, acess\u00f3rios, muni\u00e7\u00e3o e outros objetos. Houve buscas em dezenas de endere\u00e7os de outros suspeitos.<\/p>\n<p><strong>Pacto macabro<\/strong><\/p>\n<p>Havia um pacto corrupto na pol\u00edtica fluminense, cuja rela\u00e7\u00e3o com as mil\u00edcias passava pelos chef\u00f5es do jogo do bicho. O chamado \u201cescrit\u00f3rio do crime\u201d era uma esp\u00e9cie de estado-maior das mil\u00edcias encarregado das execu\u00e7\u00f5es e cobran\u00e7as no submundo do crime organizado. Os principais atores desse esquema s\u00e3o conhecidos, bem como suas conex\u00f5es com a banda podre das pol\u00edcias Civil e Militar. Com a pris\u00e3o do ex-presidente da Assembleia Legislativa Jorge Picciani (MDB), a media\u00e7\u00e3o pol\u00edtica com os chef\u00f5es do bicho e os l\u00edderes das mil\u00edcias deixou de existir. O assassinato de Marielle foi o recado de que as mil\u00edcias assumiram a hegemonia desse pacto macabro.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi \u00e0 toa que o interventor federal no Rio de Janeiro, general Braga Neto, e o ent\u00e3o secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a, general Richard Nunes, quando no comando das investiga\u00e7\u00f5es do caso, ou seja, at\u00e9 dezembro de 2018, n\u00e3o chegaram aos criminosos. Havia uma barreira de prote\u00e7\u00e3o aos envolvidos, que s\u00f3 foi desnudada pela for\u00e7a-tarefa da Pol\u00edcia Federal ao desmontar a tese de que o miliciano Orlando Oliveira de Ara\u00fajo, o Orlando de Curicica, e o vereador Marcello Siciliano (PHS) eram autor e mandante do crime, respectivamente. No esquema cl\u00e1ssico dos crimes de mando, por\u00e9m, eram os \u201cbodes\u201d.<\/p>\n<p>A for\u00e7a-tarefa entrou no caso em outubro do ano passado, depois que Curicica denunciou \u00e0 Procuradora-Geral da Rep\u00fablica, Rachel Dodge, que estaria sendo coagido pela Delegacia de Homic\u00eddios da Capital (DH) a assumir o crime. \u00c0 \u00e9poca, Curicica acusou a DH de receber R$ 200 mil por m\u00eas de propina. Segundo o miliciano, esse \u201cfixo\u201d sofria acr\u00e9scimos quando os investigadores negociavam imagens de c\u00e2meras de seguran\u00e7a que poderiam identificar os assassinos e servir de prova nos inqu\u00e9ritos. O ex-PM est\u00e1 preso no pres\u00eddio de seguran\u00e7a m\u00e1xima de Mossor\u00f3 (RN), para evitar uma \u201cqueima de arquivo\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;O presidente Bolsonaro vive aquela situa\u00e7\u00e3o do devoto que quanto mais reza, mais assombra\u00e7\u00e3o aparece&#8221; Os fantasmas da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes atormentam o cl\u00e3 Bolsonaro, por causa do envolvimento pol\u00edtico e eleitoral com as mil\u00edcias fluminenses. 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