{"id":3604,"date":"2019-03-28T06:44:31","date_gmt":"2019-03-28T09:44:31","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=3604"},"modified":"2019-03-28T06:55:40","modified_gmt":"2019-03-28T09:55:40","slug":"nas-entrelinhas-a-nau-dos-insensatosx","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-a-nau-dos-insensatosx\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas: A nau dos insensatos"},"content":{"rendered":"<p><em>&#8220;A escalada do confronto entre o presidente Jair Bolsonaro e o presidente da C\u00e2mara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), evoca situa\u00e7\u00f5es que v\u00e3o da ren\u00fancia de J\u00e2nio Quadros ao Ato Institucional n\u00ba 5&#8221;<\/em><\/p>\n<p>Vencedora de dois pr\u00eamios Pulitzer, a historiadora norte-americana Barbara Tuchman dedicou seu livro mais famoso \u00e0 insist\u00eancia dos governos em adotarem pol\u00edticas contr\u00e1rias aos pr\u00f3prios interesses. A Marcha da Insensatez \u00e9 um estudo sobre quatro epis\u00f3dios da Hist\u00f3ria que resultaram de decis\u00f5es equivocadas das lideran\u00e7as, com repeti\u00e7\u00e3o de erros crassos: a Guerra de Troia, a Reforma Protestante, a Independ\u00eancia dos Estados Unidos e a Guerra do Vietn\u00e3. A escalada do confronto entre o presidente Jair Bolsonaro e o presidente da C\u00e2mara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), evoca situa\u00e7\u00f5es que v\u00e3o da ren\u00fancia de J\u00e2nio Quadros, em 21 de agosto de 1961, ao Ato Institucional n\u00ba 5, do presidente Costa e Silva, em 13 dezembro de 1968.<\/p>\n<p>Ontem, em entrevista \u00e0 TV Bandeirantes, depois de um fim de semana com trocas de farpas, Bolsonaro disse n\u00e3o ter problema com o presidente da C\u00e2mara, mas afirmou que quest\u00f5es pessoais t\u00eam \u201cabalado\u201d Rodrigo Maia. Indagado sobre quais seriam esses problemas, Bolsonaro disse que eram pelo \u201cpelo lado emocional\u201d e que, por essa raz\u00e3o, n\u00e3o procuraria o deputado para conversar.<\/p>\n<p>Era uma alus\u00e3o \u00e0 pris\u00e3o do ex-ministro Moreira Franco, padrasto da mulher de Maia, que se abespinhou: \u201cAbalados est\u00e3o os brasileiros, que est\u00e3o esperando desde 1\u00ba de janeiro que o governo comece a funcionar. S\u00e3o 12 milh\u00f5es de desempregados, 15 milh\u00f5es de brasileiros vivendo abaixo da linha de pobreza, capacidade de investimento do Estado brasileiro diminuindo, 60 mil homic\u00eddios e o presidente brincando de presidir o Brasil\u201d, disparou, em entrevista no Sal\u00e3o Verde da C\u00e2mara.<\/p>\n<p>Maia ainda arrematou: \u201cEnt\u00e3o, vamos parar de brincadeira e vamos tratar de forma s\u00e9ria. O Brasil precisa de um governo funcionando, a gente precisa que o governo do Bolsonaro d\u00ea certo. A gente precisa que o governo do Bolsonaro gere emprego, reduza o desemprego. Se a gente continuar perdendo tempo com essas discuss\u00f5es secund\u00e1rias, n\u00f3s vamos continuar colocando o Brasil andando para tr\u00e1s. Est\u00e1 na hora de o Brasil andar para a frente\u201d.<\/p>\n<p>Bolsonaro, ap\u00f3s encontro com o governador de S\u00e3o Paulo Jo\u00e3o Doria (PSDB) na Uni\u00e3o Brasileiro-Israelita do Bem Estar Social (Unibes), na capital paulista, manteve a pol\u00eamica: \u201cN\u00e3o \u00e9 palavra de uma pessoa que conduz uma casa. Brincar? Se algu\u00e9m quiser que eu fa\u00e7a o que os presidentes anteriores fizeram, eu n\u00e3o vou fazer. J\u00e1 dei o recado aqui. A nossa forma de governar \u00e9 respeitando todo mundo, e acima de tudo, al\u00e9m de respeitar os colegas pol\u00edticos, respeitar o povo brasileiro que me colocou l\u00e1.\u201d<\/p>\n<p>O novo bate-boca ocorreu um dia ap\u00f3s a C\u00e2mara aprovar uma emenda constitucional transformando em impositivas as emendas de bancada ao Or\u00e7amento da Uni\u00e3o, por maioria inacredit\u00e1vel (em primeiro turno; por 448 votos a 3; no segundo, por 453 votos a 6). At\u00e9 o filho do presidente da Rep\u00fablica, deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), votou a favor. A decis\u00e3o foi uma retalia\u00e7\u00e3o ao n\u00e3o comparecimento do ministro da Economia, Paulo Guedes, \u00e0 Comiss\u00e3o de Constitui\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a, respons\u00e1vel pela aprova\u00e7\u00e3o da admissibilidade da proposta de reforma da Previd\u00eancia.<\/p>\n<p>Por decis\u00e3o do Pal\u00e1cio do Planalto, Guedes cancelou a agenda duas horas antes de a reuni\u00e3o come\u00e7ar, o que gerou grande mal-estar na C\u00e2mara. Foi um erro crasso de articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do governo, pois Guedes costuma se sair muito bem nas reuni\u00f5es de que participa, como aconteceu ontem na Comiss\u00e3o de Assuntos Econ\u00f4micos do Senado, na qual foi sabatinado. Sua passagem pelo Senado impediu que a emenda constitucional aprovada pela C\u00e2mara fosse votada e aprovada, ontem mesmo, pelos senadores, engessando ainda mais o Or\u00e7amento.<\/p>\n<p><strong>Panos quentes<\/strong><\/p>\n<p>Mais uma vez, o vice-presidente Hamilton Mour\u00e3o p\u00f4s panos quentes na pol\u00eamica: \u201cAcho que houve algum ru\u00eddo na comunica\u00e7\u00e3o entre os dois. Julgo que o deputado Rodrigo Maia \u00e9 imprescind\u00edvel no processo que estamos vivendo no Brasil, pelo papel que ele tem dentro da C\u00e2mara dos Deputados e pela import\u00e2ncia desse papel dele. Ru\u00eddos ocorrem\u201d. Nos bastidores do Congresso, por\u00e9m, h\u00e1 muita irrita\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria base de Bolsonaro com o governo e grande perplexidade da oposi\u00e7\u00e3o, cuja atua\u00e7\u00e3o vem sendo at\u00e9 cautelosa, porque o governo faz oposi\u00e7\u00e3o a si mesmo. A reforma da Previd\u00eancia depende do empenho do presidente da Rep\u00fablica, mas Bolsonaro est\u00e1 terceirizando sua aprova\u00e7\u00e3o, o que deixa todos em d\u00favida sobre suas verdadeiras inten\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ontem, o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, e os comandantes militares divulgaram a ordem do dia a prop\u00f3sito do golpe militar de 1964, um texto que ser\u00e1 lido nos quart\u00e9is, por recomenda\u00e7\u00e3o do presidente Jair Bolsonaro. \u201cEm 1979, um pacto de pacifica\u00e7\u00e3o foi configurado na Lei da Anistia e viabilizou a transi\u00e7\u00e3o para uma democracia que se estabeleceu definitiva e enriquecida com os aprendizados daqueles tempos dif\u00edceis. As li\u00e7\u00f5es aprendidas com a Hist\u00f3ria foram transformadas em ensinamentos para as novas gera\u00e7\u00f5es (&#8230;)\u201d. Ser\u00e1?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;A escalada do confronto entre o presidente Jair Bolsonaro e o presidente da C\u00e2mara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), evoca situa\u00e7\u00f5es que v\u00e3o da ren\u00fancia de J\u00e2nio Quadros ao Ato Institucional n\u00ba 5&#8221; Vencedora de dois pr\u00eamios Pulitzer, a historiadora norte-americana Barbara Tuchman dedicou seu livro mais famoso \u00e0 insist\u00eancia dos governos em adotarem pol\u00edticas contr\u00e1rias aos pr\u00f3prios interesses. 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