{"id":365,"date":"2016-04-01T10:29:06","date_gmt":"2016-04-01T13:29:06","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=365"},"modified":"2016-04-01T10:34:57","modified_gmt":"2016-04-01T13:34:57","slug":"o-fantasma-arrasta-as-correntes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/o-fantasma-arrasta-as-correntes\/","title":{"rendered":"O fantasma arrasta as correntes"},"content":{"rendered":"<p>O caso Celso Daniel , prefeito do PT assassinado em Santo Andr\u00e9 em janeiro de 2002, est\u00e1 sendo exumado. Ontem, a Pol\u00edcia Federal deflagrou mais uma etapa da Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato, com o cumprimento de dos mandados de pris\u00e3o tempor\u00e1ria do empres\u00e1rio e dono do &#8220;Di\u00e1rio do Grande ABC&#8221; Ronan Maria Pinto e do ex-secret\u00e1rio-nacional do Partido dos Trabalhadores Silvio Pereira.<\/p>\n<p>O lobista Fernando Antonio Guimar\u00e3es Hourneaux de Moura, em janeiro, disse que Silvio Pereira recebia R$ 50 mil &#8220;em dinheiro vivo&#8221; para manter sil\u00eancio a respeito de irregularidades, de duas empreiteiras sob investiga\u00e7\u00e3o, a OAS e a UTC Engenharia.<br \/>\nDenominada de &#8220;Carbono 14&#8221;, a 27a. fase da Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato investiga crimes de extors\u00e3o, falsidade ideol\u00f3gica, fraude, corrup\u00e7\u00e3o ativa e passiva e lavagem de dinheiro.<br \/>\nAo todo, a PF cumpre 12 ordens judiciais nos munic\u00edpios paulistas de S\u00e3o Paulo, Carapicu\u00edba, Osasco e Santo Andr\u00e9. As dilig\u00eancias tamb\u00e9m est\u00e3o sendo realizadas na empresa de \u00f4nibus controlada por Ronan, a &#8220;Expresso Nova Santo Andr\u00e9&#8221;, e a empresa DNP eventos, em Osasco.<br \/>\nA opera\u00e7\u00e3o investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro de cerca de R$ 6 milh\u00f5es provenientes de gest\u00e3o fraudulenta no Banco Schahin, cujo rombo foi coberto depois pela Petrobras.<\/p>\n<p>Segundo o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, &#8220;constatou-se que Jos\u00e9 Carlos Bumlai contraiu um empr\u00e9stimo fraudulento junto ao Banco Schahin em outubro de 2004 no montante de R$ 12 milh\u00f5es. O m\u00fatuo, na realidade, tinha por finalidade a &#8216;quita\u00e7\u00e3o&#8217; de d\u00edvidas do Partido dos Trabalhadores (PT) e foi pago por interm\u00e9dio da contrata\u00e7\u00e3o fraudulenta da Schahin como operadora do navio-sonda Vit\u00f3ria 10.000, pela Petrobras, em 2009, ao custo de US$ 1,6 bilh\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Pecuarista amigo de Lula, Bumlai relatou que metade desse valor foi destinao ao PT, que estaria sendo chantageado por Ronan Maria Pinto, empres\u00e1rio da cidade, que teria pedido R$ 6 milh\u00f5es para n\u00e3o contar o que sabia sobre o caixa dois do diret\u00f3rio local e a rela\u00e7\u00e3o desses recursos com o assassinato do ent\u00e3o prefeito Celso Daniel (PT), ocorrida em 2002. Ronan tamb\u00e9m \u00e9 propriet\u00e1rio de empresas de \u00f4nibus e foi implicado no esc\u00e2ndalo de desvio de recursos da Prefeitura de Santo Andr\u00e9 (SP) que veio \u00e0 tona logo ap\u00f3s o assassinato de Celso Daniel.<\/p>\n<p>&#8220;Para fazer os recursos chegarem ao destinat\u00e1rio final, foi arquitetado um esquema de lavagem de capitais, envolvendo Ronan, pessoas ligadas ao Partido dos Trabalhadores e terceiros envolvidos na operacionaliza\u00e7\u00e3o da lavagem do dinheiro proveniente do crime contra o sistema financeiro nacional&#8221;, diz a nota do Minist\u00e9rio P\u00fablico.<br \/>\nSegundo a \u00a0Procuradoria, h\u00e1 evid\u00eancias de que o PT atuou junto ao Schahin pela libera\u00e7\u00e3o do empr\u00e9stimo: &#8220;a operacionaliza\u00e7\u00e3o do esquema se deu, inicialmente, por interm\u00e9dio da transfer\u00eancia dos valores de Bumlai para o frigor\u00edfico Bertin, que, por sua vez, repassou a quantia de aproximadamente R$ 6 milh\u00f5es a um empres\u00e1rio do Rio de Janeiro envolvido no esquema.&#8221;<\/p>\n<p>O empres\u00e1rio do Rio fez transfer\u00eancias diretas para a Expresso Nova Santo Andr\u00e9, empresa de \u00f4nibus controlada por Ronan, al\u00e9m de outras pessoas f\u00edsicas e jur\u00eddicas indicadas pelo empres\u00e1rio \u2013entre eles, o ent\u00e3o dono do &#8220;Di\u00e1rio do Grande ABC&#8221;, de quem Ronan comprava o peri\u00f3dico. Parte das a\u00e7\u00f5es do jornal teria sido comprada com dinheiro proveniente do Schahin, por meio de contratos simulados.<br \/>\n<strong>A Origem Macabra<\/strong><br \/>\nUma das empresas de \u00f4nibus de Ronan recebeu R$ 2,9 milh\u00f5es de uma firma de &#8220;agenciamento&#8221;, a Remar. A investiga\u00e7\u00e3o corrobora\u00a0um depoimento prestado em 2012 pelo piv\u00f4 do esc\u00e2ndalo do mensal\u00e3o, o publicit\u00e1rio mineiro Marcos Val\u00e9rio Fernandes de Souza, segundo o qual houve uma opera\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em 2002 com o objetivo de comprar o sil\u00eancio de Ronan Pinto sobre den\u00fancias de irregularidades na Prefeitura de Santo Andr\u00e9.\u00a0Na \u00e9poca do seu assassinato, Celso Daniel era coordenador da pr\u00e9-campanha de Lula \u00e0 Presid\u00eancia.<\/p>\n<p>Foi a dela\u00e7\u00e3o premiada do ex-diretor da \u00e1rea Internacional da Petrobras Nestor Cerver\u00f3 que\u00a0puxou o fio da meada do caso Santo Andr\u00e9. Segundo Cerver\u00f3, em 2004, o fazendeiro Jos\u00e9 Carlos Bumlai obteve empr\u00e9stimo do Banco Schahin e repassou R$ 6 milh\u00f5es para o empres\u00e1rio de Santo Andr\u00e9 Ronan Maria Pinto, que detinha informa\u00e7\u00f5es comprometedoras sobre o PT na regi\u00e3o. Anos depois, sob comando de Nestor Cerver\u00f3, a diretoria internacional da Petrobras aceitou contratar a empresa Schahin Engenharia por US$ 1,6 bilh\u00e3o para a opera\u00e7\u00e3o de um navio-sonda. O contrato seria uma forma de o PT retribuir o grupo Schahin pelo empr\u00e9stimo.<\/p>\n<p>O publicit\u00e1rio Marcos Val\u00e9rio, condenado no mensal\u00e3o, que teria sido um dos \u201coperadores\u201d escalados para abafar o caso Celso Daniel, chegou a se oferece para fazer dela\u00e7\u00e3o premiada na Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato. Teve oportunidade de faz\u00ea-la no mensal\u00e3o, mas preferiu manter o sil\u00eancio e acabou condenado a 37 anos e 8 meses de pris\u00e3o. Em 2012, Val\u00e9rio havia revelado que metade do dinheiro fora destinado ao empres\u00e1rio S\u00e9rgio Gomes da Silva, o Sombra, amigo de Celso Daniel e principal suspeito do crime, mas que foi absolvido desse crime por falta de provas. Ele era um dos cabe\u00e7as de um esquema de cobran\u00e7a de propina de empresas de transportes contratadas pela prefeitura de Santo Andr\u00e9, no ABC, de 1997 a 2002, Al\u00e9m de Sombra, foram condenados por corrup\u00e7\u00e3o Ronan Maria Pinto e o ex-secret\u00e1rio de Servi\u00e7os Municipais da cidade Klinger Luiz de Oliveira Sousa.<\/p>\n<p>Os tr\u00eas chantageavam a c\u00fapula do PT. O caso Celso Daniel \u00e9 uma esp\u00e9cie de divisor de \u00e1guas na trajet\u00f3ria do partido. Coordenador do programa de governo de Lula, o prefeito de Santo Andr\u00e9 fazia parte do n\u00facleo dirigente da campanha petista, ao lado de Jos\u00e9 Dirceu. A investiga\u00e7\u00e3o interna realizada pelo PT deu muita confus\u00e3o na c\u00fapula do partido, mas tamb\u00e9m n\u00e3o esclareceu o crime. O promotor Francisco Cembranelli, respons\u00e1vel pela acusa\u00e7\u00e3o no caso Celso Daniel, por\u00e9m, concluiu que o prefeito de Santo Andr\u00e9 foi morto porque descobriu que o esquema de propina obtido com empres\u00e1rios para caixa dois de campanha do PT passou a ser desviado tamb\u00e9m para contas particulares dos envolvidos. Segundo depoimento de pessoas que sofriam extors\u00e3o, elas pagavam de R$ 30 mil a R$ 40 mil por m\u00eas ao esquema.<\/p>\n<p><strong>Queima de arquivo<\/strong><\/p>\n<p>A fam\u00edlia de Celso Daniel nunca engoliu a vers\u00e3o de crime de encomenda e responsabiliza o PT pela morte do prefeito, o que nunca foi comprovado. Uma lista macabra de assassinatos aumenta o mist\u00e9rio sobre o caso, pois representa uma verdadeira queima de arquivo. O gar\u00e7om Ant\u00f4nio Pal\u00e1cio de Oliveira, que serviu o prefeito e S\u00e9rgio Sombra no restaurante Rubaiyat em 18 de janeiro de 2002, noite do sequestro, foi assassinado em fevereiro de 2003. Usava documentos falsos, com outro nome. Teria recebido R$ 60 mil de fonte desconhecida por seus familiares e fora citado numa conversa gravada pela pol\u00edcia entre Sombra e Klinger. Era testemunha de desentendimento entre Daniel e Sombra.<\/p>\n<p>Paulo Henrique Brito, a \u00fanica testemunha do assassinato do gar\u00e7om, foi morto no mesmo lugar, com um tiro nas costas, 20 dias depois. O agente funer\u00e1rio Iran Moraes R\u00e9du, o primeiro a identificar o corpo do prefeito na estrada, foi morto com dois tiros quando estava trabalhando, em dezembro de 2003. Apontado pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico como o elo entre S\u00e9rgio Sombra e a quadrilha que matou o prefeito, tr\u00eas meses depois, o detento Dion\u00edsio Severo foi assassinado na cadeia, na frente do advogado. Ele havia sido resgatado do pres\u00eddio dois dias antes do sequestro, mas acabou recapturado. Tinha sido escondido por S\u00e9rgio Orelha, que tamb\u00e9m foi assassinado em 2003. O investigador do Denarc Ot\u00e1vio Mercier, que ligou para Severo na v\u00e9spera do sequestro, morreu em troca de tiros com homens que tinham invadido seu apartamento, em julho de 2003. O \u00faltimo cad\u00e1ver foi o do legista Carlos Delmonte Printes, que identificou sinais de tortura no corpo do ex-prefeito, morto em outubro de 2005.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O caso Celso Daniel , prefeito do PT assassinado em Santo Andr\u00e9 em janeiro de 2002, est\u00e1 sendo exumado. 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