{"id":3670,"date":"2019-04-18T09:45:36","date_gmt":"2019-04-18T12:45:36","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=3670"},"modified":"2019-04-18T09:52:19","modified_gmt":"2019-04-18T12:52:19","slug":"nas-entrelinhas-reforma-se-desidratax","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-reforma-se-desidratax\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas:  Reforma se desidrata"},"content":{"rendered":"<p><em>&#8220;As raposas do Centr\u00e3o j\u00e1 se deram conta de que o ministro da Economia, Paulo Guedes, \u00e9 um animal ferido na floresta. N\u00e3o tem apoio suficiente na pr\u00f3pria base do governo para aprovar a reforma que deseja&#8221;<\/em><\/p>\n<p>Para um plen\u00e1rio vazio, mas que registrava no painel de vota\u00e7\u00e3o a presen\u00e7a de 420 dos 513 deputados, por volta das cinco da tarde de ontem, o jovem l\u00edder do Novo, Marcel Van Hatten (RS), se esgoelava na tribuna da C\u00e2mara, em defesa da reforma da Previd\u00eancia tal qual fora apresentada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. Era um protesto solit\u00e1rio contra a decis\u00e3o da Comiss\u00e3o de Constitui\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a da Casa de adiar para a pr\u00f3xima semana a vota\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio de admissibilidade do projeto de reforma apresentado pelo governo. No comando da sess\u00e3o, a deputada \u00c9rika Kokay (PT-DF) ouvia atentamente o discurso do colega. Em seguida, a petista foi \u00e0 tribuna para descer o malho na reforma e enaltecer a decis\u00e3o da CCJ, \u00e0 qual chegou \u00e0s 4h30 da madrugada para reservar seu lugar na primeira fila do plen\u00e1rio, uma das t\u00e1ticas da oposi\u00e7\u00e3o para obstruir as vota\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Hatten e Kokay n\u00e3o falavam para os poucos seguran\u00e7as que guarneciam as portas do plen\u00e1rio e os dois taqu\u00edgrafos que anotavam tudo, discursavam para a Voz do Brasil e as c\u00e2meras da TV C\u00e2mara, ou seja, para os eleitores que acompanham pelo r\u00e1dio e pela televis\u00e3o o que acontece no Congresso. \u00c9 muito comum esse tipo de pr\u00e1tica nas sess\u00f5es de segunda e quinta-feira, mas raramente isso acontece numa quarta-feira, mesmo em v\u00e9spera de semana santa, quando a tribuna \u00e9 disputad\u00edssima. Em circunst\u00e2ncias normais, a sess\u00e3o estaria lotada, porque esse \u00e9 o dia de grandes vota\u00e7\u00f5es. N\u00e3o foi o que aconteceu ontem. O presidente da C\u00e2mara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), deliberadamente, havia esvaziado a pauta do plen\u00e1rio, como quem joga \u00e1gua fria na fervura do embate entre o Pal\u00e1cio do Planalto e os partidos do Centr\u00e3o. No fim da tarde, a maioria dos deputados j\u00e1 estava voando mais cedo para seus estados.<\/p>\n<p>O movimento na C\u00e2mara fora intenso durante a manh\u00e3 e come\u00e7o da tarde, por causa da Comiss\u00e3o de Constitui\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a, cujo presidente, deputado Felipe Francischini (PSL-PR), depois de tentar votar a admissibilidade da reforma, reconheceu que a aprova\u00e7\u00e3o foi adiada para a semana que vem por falta de acordo. Explicou que o deputado Marcelo Freitas (PSL-MG) havia pedido o adiamento para analisar as mudan\u00e7as pleiteadas por l\u00edderes partid\u00e1rios. A reuni\u00e3o da CCJ havia sido convocada na noite de ter\u00e7a-feira, depois que uma manobra regimental encerrou a discuss\u00e3o na sess\u00e3o que amea\u00e7ava entrar pela madrugada. No fundo, o que houve foi falta de acordo na pr\u00f3pria base do governo. DEM, PR, PP, PRB e SD, os partidos do Centr\u00e3o, que na v\u00e9spera se aliaram ao PT e demais partidos de oposi\u00e7\u00e3o, agora negociam mudan\u00e7as com o governo.<\/p>\n<p><strong>Mudan\u00e7as<\/strong><\/p>\n<p>A reforma da Previd\u00eancia, cujo projeto deveria ser aprovado integralmente na CCJ, j\u00e1 est\u00e1 desidratada, embora o ministro da Economia, Paulo Guedes, tente minimizar o que est\u00e1 acontecendo, ao afirmar que o adiamento foi provocado por \u201cpequenos desajustes\u201d e pela \u201crelativa inexperi\u00eancia\u201d de novos deputados. Segundo o l\u00edder do PP, Arthur Lira, o governo aceitou discutir altera\u00e7\u00f5es sobre a proposta para o Fundo de Garantia do Tempo de Servi\u00e7o (FGTS) e outros pontos da reforma.<\/p>\n<p>A proposta do governo retira a obrigatoriedade de recolhimento de FGTS do trabalhador que j\u00e1 for aposentado, e do pagamento da multa de 40% na rescis\u00e3o contratual em caso de demiss\u00e3o desses trabalhadores. A oposi\u00e7\u00e3o quer retirar esses itens do projeto. Tamb\u00e9m ser\u00e3o retirados a concentra\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es judiciais sobre a reforma da Previd\u00eancia em Bras\u00edlia; a exclusividade de o Poder Executivo propor altera\u00e7\u00f5es na reforma da Previd\u00eancia; e a possibilidade de mudan\u00e7as na aposentadoria compuls\u00f3ria serem feitas por lei complementar.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio da Previd\u00eancia, Rog\u00e9rio Marinho, que negocia com os parlamentares, se queixa de que as mudan\u00e7as representam quase 15% do valor total da Previd\u00eancia, cuja economia estava prevista em R$ 1 trilh\u00e3o em 10 anos. O governo ainda tenta salvar a \u201cdesconstitucionaliza\u00e7\u00e3o\u201d de temas previdenci\u00e1rios, mas ser\u00e1 muito dif\u00edcil que isso ocorra. As raposas do Centr\u00e3o j\u00e1 se deram conta de que o ministro da Economia, Paulo Guedes, \u00e9 um animal ferido na floresta. N\u00e3o tem apoio suficiente na pr\u00f3pria base do governo para aprovar a reforma que deseja.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;As raposas do Centr\u00e3o j\u00e1 se deram conta de que o ministro da Economia, Paulo Guedes, \u00e9 um animal ferido na floresta. 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