{"id":3784,"date":"2019-05-22T08:38:37","date_gmt":"2019-05-22T11:38:37","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=3784"},"modified":"2019-05-22T08:38:37","modified_gmt":"2019-05-22T11:38:37","slug":"nas-entrelinhas-senado-paralisa-itamaraty","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-senado-paralisa-itamaraty\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas: Senado paralisa Itamaraty"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>&#8220;ONU, Paraguai, Gr\u00e9cia, Guiana, Hungria, Marrocos, Fran\u00e7a, Rom\u00eania, Bulg\u00e1ria, Jord\u00e2nia, Portugal, Bahamas, Egito, UNESCO e Catar aguardam novos embaixadores, al\u00e9m de It\u00e1lia, Santa S\u00e9 e Malta e CPLP&#8221;<\/em><\/strong><\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o do ministro de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Ernesto Ara\u00fajo, com o Congresso, na linha de atua\u00e7\u00e3o do guru Olavo de Carvalho, est\u00e1 criando a maior dor de cabe\u00e7a para o Itamaraty. Quinze novos embaixadores designados pelo ministro foram parar na geladeira da Comiss\u00e3o de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores do Senado, apesar da conversa entre o chanceler brasileiro e o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que somente liberou a aprecia\u00e7\u00e3o das indica\u00e7\u00f5es de tr\u00eas embaixadores at\u00e9 agora, todos por interfer\u00eancia de outras autoridades.<\/p>\n<p>O presidente da Comiss\u00e3o, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), \u00e9 aliado de primeira hora de Alcolumbre. Hoje, em reuni\u00e3o extraordin\u00e1ria da Comiss\u00e3o, segundo a pauta que estabeleceu, ser\u00e3o examinados os nomes dos embaixadores designados para a Comunidade dos Pa\u00edses de L\u00edngua Portuguesa, com sede em Lisboa, Pedro Fernandes Pretas, um pedido do ministro-chefe do Gabinete de seguran\u00e7a Institucional (GSI), general Augusto Heleno; para Santa S\u00e9 e Malta, Henrique da Silveira Sardinha Pinto, solicita\u00e7\u00e3o do senador Ant\u00f4nio Anastasia (PSDB-MG); e da It\u00e1lia, H\u00e9lio Vitor Ramos Filho, cujo padrinho \u00e9 o presidente da C\u00e2mara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). A primeira indica\u00e7\u00e3o ser\u00e1 relatada pela senadora Mara Gabrilli (PSDB-SP), a segunda pelo pr\u00f3prio Anastasia e a terceira, pelo senador Jarbas Vasconcelos(PMDB-PE). Todos s\u00e3o de oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nos bastidores do Itamaraty, a interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 de que as dificuldades est\u00e3o num contexto mais amplo do que as rela\u00e7\u00f5es dos diplomatas indicados para os postos no exterior com o Congresso, porque a maioria deles exerceu fun\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e n\u00e3o t\u00eam rusgas pol\u00edticas com os senadores. Tamb\u00e9m n\u00e3o existe nenhuma \u201cpend\u00eancia\u201d do presidente do Senado com o Itamaraty. H\u00e1 cerca de um m\u00eas, o chanceler Ernesto Ara\u00fajo esteve com Alcolumbre para solicitar a aprova\u00e7\u00e3o de suas indica\u00e7\u00f5es, sem sucesso at\u00e9 agora. Ara\u00fajo j\u00e1 se queixou com o presidente Jair Bolsonaro sobre a demora nas nomea\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o houve nenhuma iniciativa do Pal\u00e1cio do Planalto no sentido de agilizar a aprecia\u00e7\u00e3o dos nomes.<\/p>\n<p>A substitui\u00e7\u00e3o de embaixadores em postos estrat\u00e9gicos \u00e9 normal na troca de governos, o que n\u00e3o \u00e9 normal \u00e9 essa demora. Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 trivial a ruptura promovida por Ara\u00fajo, que resolveu \u201ccaronear\u201d \u2014 para usar uma express\u00e3o militar \u2014 a elite diplom\u00e1tica do pa\u00eds e promover diplomatas mais jovens para os postos mais relevantes. O ex-ministro Aloysio Nunes Ferreira foi elegante ao deixar o cargo que ocupou durante o governo Temer, evitando trocas nos postos primordiais, como as embaixadas de Estados Unidos, Fran\u00e7a e Portugal, com o objetivo de facilitar a vida de seu sucessor e a dos pr\u00f3prios diplomatas. A demora nas nomea\u00e7\u00f5es, por\u00e9m, tornou-se um empecilho para a pol\u00edtica externa, porque os embaixadores que ser\u00e3o substitu\u00eddos j\u00e1 fizeram suas mudan\u00e7as e cumprem um expediente meramente formal, aguardando o substituto estoicamente.<\/p>\n<p><strong>Beija-m\u00e3o<\/strong><br \/>\n\u00c9 o caso do embaixador S\u00e9rgio Amaral, em Washington, que aguarda seu substituto at\u00e9 hoje. Demitido antes mesmo de Jair Bolsonaro tomar posse, suporta com galhardia o constrangimento de ter que representar o pa\u00eds sabendo que j\u00e1 n\u00e3o tem nenhuma sintonia com o novo chanceler e o atual governo. As embaixadas tamb\u00e9m ficam em compasso de espera, porque as iniciativas estrat\u00e9gicas dependem da chegada dos novos embaixadores. No jarg\u00e3o diplom\u00e1tico, perdem o \u201cdrive\u201d, ou seja, o impulso de trabalho e a energia para novas iniciativas.<\/p>\n<p>No caso dos Estados Unidos, Bolsonaro ainda nem escolheu o substituto. A expectativa era de que o nome do novo embaixador fosse anunciado para o presidente Jair Bolsonaro no seu encontro com Donald Trump, mas isso n\u00e3o ocorreu. Os nomes que chegaram a ser cotados foram o do cientista pol\u00edtico Murillo de Arag\u00e3o, da Consultoria Arko Advice, que era apadrinhado pelo vice-presidente Hamilton Mour\u00e3o, e o do ministro de segunda classe N\u00e9stor Forster, preferido do chanceler Ernesto Ara\u00fajo.<\/p>\n<p>Est\u00e3o no limbo, aguardando aprova\u00e7\u00e3o do Senado, os novos embaixadores na Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), Ronaldo Costa Filho; no Paraguai, Fl\u00e1vio Dami\u00e3o; na Gr\u00e9cia, Roberto Abdalla; na Guiana, Maria Clara Clar\u00edsio; na Hungria, Jos\u00e9 Luiz Machado Costa; no Marrocos, J\u00falio Bitelli; na Fran\u00e7a, Luiz Fernando Serra; na Rom\u00eania, Maria Laura Rocha; na Bulg\u00e1ria, Maria Edileuza Fontenele Reis; na Jord\u00e2nia, Riu Pacheco Amaral; em Portugal, Carlos Alberto Simas Magalh\u00e3es; nas Bahamas, Cl\u00e1udio Lins; no Egito, Ant\u00f4nio Patriota; na UNESCO, Santiago Mour\u00e3o; e no Catar, Luiz Alberto Figueiredo.<\/p>\n<p>Tradicionalmente, no Senado, h\u00e1 uma esp\u00e9cie de romaria do beija-m\u00e3o dos indicados para cargos que dependem de aprova\u00e7\u00e3o no Senado, como as ag\u00eancias reguladoras e tribunais superiores. Os designados visitam os integrantes das comiss\u00f5es encarregados de apreciar a indica\u00e7\u00e3o, os l\u00edderes de bancada e os integrantes da Mesa do Congresso. No caso dos embaixadores, por\u00e9m, nunca houve isso, bastavam as visitas formais ao presidente da Comiss\u00e3o de Exteriores para marcar as sabatinas. Foram raras as vezes em que indica\u00e7\u00f5es foram embarreiradas no Senado, quase sempre em retalia\u00e7\u00e3o ao Executivo, por algum motivo. O c\u00f3digo para derrubar uma indica\u00e7\u00e3o em plen\u00e1rio era co\u00e7ar a gravata, para ningu\u00e9m ser constrangido por discursos e encaminhamentos de vota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;ONU, Paraguai, Gr\u00e9cia, Guiana, Hungria, Marrocos, Fran\u00e7a, Rom\u00eania, Bulg\u00e1ria, Jord\u00e2nia, Portugal, Bahamas, Egito, UNESCO e Catar aguardam novos embaixadores, al\u00e9m de It\u00e1lia, Santa S\u00e9 e Malta e CPLP&#8221; A rela\u00e7\u00e3o do ministro de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Ernesto Ara\u00fajo, com o Congresso, na linha de atua\u00e7\u00e3o do guru Olavo de Carvalho, est\u00e1 criando a maior dor de cabe\u00e7a para o Itamaraty. 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