{"id":3885,"date":"2019-06-30T08:09:57","date_gmt":"2019-06-30T11:09:57","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=3885"},"modified":"2019-06-30T18:08:20","modified_gmt":"2019-06-30T21:08:20","slug":"nas-entrelinhas-a-nova-abertura-comercial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-a-nova-abertura-comercial\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas: A nova abertura comercial"},"content":{"rendered":"<p style=\"padding-left: 30px\">O\u201c<em><strong>O acordo entre o Mercosul e a Uni\u00e3o Europeia \u00e9 uma derrota da ret\u00f3rica antiglobalista e a reafirma\u00e7\u00e3o do velho pragmatismo do Itamaraty\u201d<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A assinatura do acordo comercial entre o Mercosul e a Uni\u00e3o Europeia \u00e9 um novo marco na abertura comercial do Brasil, depois de 20 anos de negocia\u00e7\u00f5es. Para que finalmente fosse fechado, foi fundamental a perman\u00eancia do Brasil no Acordo de Paris \u2014 nossa sa\u00edda chegou a ser aventada pelo presidente Jair Bolsonaro \u2014 e o desatrelamento do governo Bolsonaro da pol\u00edtica clim\u00e1tica do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. No G20, os EUA s\u00e3o o \u00fanico pa\u00eds a n\u00e3o endossar o Acordo de Paris.<\/p>\n<p>A negocia\u00e7\u00e3o do acordo foi uma longa e tortuosa constru\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica do Itamaraty, cujo desfecho foram as conversas positivas de Bolsonaro com a primeira-ministra da Alemanha, \u00c2ngela Merkel, e o presidente da Fran\u00e7a, Emmanuel M\u00e1cron, durante a reuni\u00e3o do G20 em Osaka, no Jap\u00e3o. O presidente brasileiro chegou ao encontro como uma esp\u00e9cie de patinho feio, amargando not\u00edcias ruins, como a pris\u00e3o, na Espanha, de um sargento da Aeron\u00e1utica que integrava a equipe de apoio da comitiva presidencial com 39kg coca\u00edna. Desembarcou trocando farpas com os dois chefes de Estado, que questionavam a pol\u00edtica ambiental de seu governo. Voltou para o Brasil com um grande trof\u00e9u diplom\u00e1tico nas m\u00e3os.<\/p>\n<p>As declara\u00e7\u00f5es de Merkel n\u00e3o impediram a conversa com Bolsonaro nem o encontro com Macron, cujo cancelamento chegou a ser anunciado, mas resultou num convite de Bolsonaro a dois colegas para sobrevoarem a Amaz\u00f4nia. N\u00e3o houve o anunciado encontro com o presidente da China, Xi Jinping, por incompatibilidades de agendas, mas nem por isso a ida de Bolsonaro \u00e0 reuni\u00e3o do G20 deixou de ser um pleno \u00eaxito. As conversas entre o l\u00edder chin\u00eas e Trump sobre as rela\u00e7\u00f5es comerciais entre os dois pa\u00edses tamb\u00e9m contribu\u00edram para desanuviar um pouco o ambiente comercial mundial, o que \u00e9 bom para o Brasil.<\/p>\n<p>Estima-se que o acordo para a \u00e1rea de livre com\u00e9rcio entre os pa\u00edses do Mercosul e da Uni\u00e3o Europeia (UE) representar\u00e1 um aumento do PIB brasileiro de US$ 87,5 bilh\u00f5es em 15 anos, podendo chegar a US$ 125 bilh\u00f5es, com as redu\u00e7\u00f5es tarif\u00e1rias. O aumento de investimentos no Brasil, nesse mesmo per\u00edodo, ser\u00e1 da ordem de US$ 113 bilh\u00f5es por conta do acordo comercial. Segundo o Itamaraty, as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras para a UE apresentar\u00e3o quase US$ 100 bilh\u00f5es de ganhos at\u00e9 2035.<\/p>\n<p><b>Globaliza\u00e7\u00e3o<\/b><br \/>\nForam 20 anos de conversas multilaterais. No plano imediato, os detalhes do acordo precisam ser aprovados pelos congressos dos respectivos pa\u00edses. Produtos como cacha\u00e7as, queijos, vinhos e caf\u00e9s ser\u00e3o reconhecidos como distintivos do Brasil, que tamb\u00e9m ter\u00e1 acesso ao mercado europeu para diversos segmentos de servi\u00e7os, como comunica\u00e7\u00e3o, constru\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o, turismo, transportes e servi\u00e7os profissionais e financeiros. As empresas brasileiras ter\u00e3o acesso ao cobi\u00e7ado mercado de licita\u00e7\u00f5es da UE, estimado em US$ 1,6 trilh\u00e3o em compras p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Em tese, o acordo baratear\u00e1 os custos de importa\u00e7\u00e3o, exporta\u00e7\u00e3o e tr\u00e2nsito de bens com a Europa, com redu\u00e7\u00e3o de barreiras alfandeg\u00e1rias, seguran\u00e7a jur\u00eddica e transpar\u00eancia dos neg\u00f3cios, o que vai ampliar a inser\u00e7\u00e3o competitiva do Brasil nas cadeias globais de valor. Os consumidores ser\u00e3o os mais beneficiados, mas as empresas brasileiras tamb\u00e9m poder\u00e3o dar um salto de qualidade e competitividade com mais facilidade de acesso a insumos e tecnologia de ponta. Em termos demogr\u00e1ficos, trata-se de um mercado de 780 milh\u00f5es de pessoas, ou seja, 25% da popula\u00e7\u00e3o mundial.<\/p>\n<p>Atualmente, o fluxo de com\u00e9rcio entre o Mercosul e a Uni\u00e3o Europeia \u00e9 da ordem de US$ 90 bilh\u00f5es em 2018. Os investimentos da UE somam US$ 433 bilh\u00f5es. Somente o Brasil registrou, em 2018, com\u00e9rcio de US$ 76 bilh\u00f5es com a UE e superavit de US$ 7 bilh\u00f5es. O Brasil exportou mais de US$ 42 bilh\u00f5es, o que representa aproximadamente 18% do total exportado pelo pa\u00eds.<\/p>\n<p>O acordo comercial representa tamb\u00e9m a inflex\u00e3o da ret\u00f3rica antiglobalista do ministro de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Ernesto Ara\u00fajo, e a reafirma\u00e7\u00e3o do velho pragmatismo do Itamaraty. Por ironia, alguns veem na assinatura do acordo uma estrat\u00e9gia de Merkel e Makron para neutralizar a pol\u00edtica anti-acordo de Paris do presidente Donald Trump, nos Estados Unidos, aproveitando um momento de fragilidade econ\u00f4mica da Argentina e do Brasil. Faz sentido.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O\u201cO acordo entre o Mercosul e a Uni\u00e3o Europeia \u00e9 uma derrota da ret\u00f3rica antiglobalista e a reafirma\u00e7\u00e3o do velho pragmatismo do Itamaraty\u201d A assinatura do acordo comercial entre o Mercosul e a Uni\u00e3o Europeia \u00e9 um novo marco na abertura comercial do Brasil, depois de 20 anos de negocia\u00e7\u00f5es. 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