{"id":3915,"date":"2019-07-09T08:37:29","date_gmt":"2019-07-09T11:37:29","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=3915"},"modified":"2019-07-09T08:39:15","modified_gmt":"2019-07-09T11:39:15","slug":"nas-entrelinhas-corrida-contra-o-recesso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-corrida-contra-o-recesso\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas: Corrida contra o recesso"},"content":{"rendered":"<p>\u201c<strong><em>N\u00e3o aprovar a reforma sinalizaria dificuldades pol\u00edticas que podem at\u00e9 aumentar no segundo semestre\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Tem raz\u00e3o o presidente da C\u00e2mara, Rodrigo Maia (DEM-RJ): a aprova\u00e7\u00e3o da reforma da Previd\u00eancia ser\u00e1 uma constru\u00e7\u00e3o do Congresso. Aprovada pela comiss\u00e3o especial, a proposta de iniciativa do ministro da Economia, Paulo Guedes, foi mitigada pelos parlamentares, para formar uma maioria que vai garantir um montante de economia para os cofres do governo em torno dos R$ 900 bilh\u00f5es. Em alguns momentos, por\u00e9m, o governo atrapalhou mais do que ajudou, como na semana passada, quando o presidente Jair Bolsonaro quis fazer duas emendas ao substitutivo do deputado Samuel Moreira (PDSDB-SP) para beneficiar setores de sua base eleitoral.<\/p>\n<p>\u201cAcho que a constru\u00e7\u00e3o desse texto se deve \u00e0 capacidade de di\u00e1logo, ao equil\u00edbrio do Parlamento brasileiro. Todos participaram. Aqueles que defendem a proposta e aqueles que n\u00e3o defendem a proposta. Ent\u00e3o, \u00e9 importante que a gente entre nesta semana com essa clareza, que o texto foi uma constru\u00e7\u00e3o parlamentar\u201d, disse Maia, a prop\u00f3sito das discuss\u00f5es realizadas at\u00e9 agora. O presidente da C\u00e2mara fez v\u00e1rias reuni\u00f5es para tentar garantir a aprova\u00e7\u00e3o da reforma em primeira vota\u00e7\u00e3o ainda nesta semana, concluindo-a na pr\u00f3xima, se n\u00e3o conseguir votar tudo at\u00e9 s\u00e1bado. \u00c9 uma corrida contra o tempo, ou melhor, contra o recesso parlamentar. N\u00e3o aprovar a reforma sinalizaria dificuldades pol\u00edticas que podem at\u00e9 aumentar no segundo semestre.<\/p>\n<p>Maia estima que a proposta da comiss\u00e3o especial tenha maioria em plen\u00e1rio. Para aprovar uma emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o, s\u00e3o necess\u00e1rios os votos de 308 dos 513 deputados (3\/5 da C\u00e2mara) em dois turnos de vota\u00e7\u00e3o. As turbul\u00eancias s\u00e3o previs\u00edveis, a oposi\u00e7\u00e3o espera ter at\u00e9 150 votos contra a reforma e far\u00e1 tudo para obstruir a vota\u00e7\u00e3o; Bolsonaro provavelmente orientar\u00e1 aliados para aprovar as emendas que favorecem o pessoal da seguran\u00e7a p\u00fablica, cujos representantes eleitos hoje t\u00eam certo protagonismo na C\u00e2mara, a come\u00e7ar pelo l\u00edder do governo, deputado major Vitor Hugo. Mas isso \u00e9 pedra cantada, porque se formou um certo alinhamento de astros entre o mercado financeiro e parte da opini\u00e3o p\u00fablica a favor da reforma, que pode resultar em 340 votos em plen\u00e1rio a favor do projeto.<\/p>\n<p>Ao que tudo indica, o governo jogou a toalha quanto \u00e0 inclus\u00e3o de estados e munic\u00edpios na nova Previd\u00eancia, proposta rejeitada pelo relator e pela comiss\u00e3o especial. A l\u00edder do governo no Congresso Nacional, deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), passou recibo. Segundo ela, \u201cn\u00e3o \u00e9 grande\u201d a chance de inclus\u00e3o de servidores estaduais e municipais na reforma da Previd\u00eancia durante discuss\u00e3o e vota\u00e7\u00e3o no plen\u00e1rio da C\u00e2mara. A estrat\u00e9gia do governo \u00e9 voltar \u00e0 carga no Senado, supostamente mais suscet\u00edvel a aceitar a emenda, porque os senadores, eleitos pelo voto majorit\u00e1rio, t\u00eam preocupa\u00e7\u00f5es eleitorais diferentes dos deputados federais, que temem a concorr\u00eancia de deputados estaduais e prefeitos nas suas bases eleitorais em 2022. Hasselmann trava uma batalha particular na bancada do PSL, que \u00e9 muito corporativista, para que n\u00e3o sejam apresentadas emendas ao texto.<\/p>\n<p><b>Popularidade<\/b><\/p>\n<p>Pesquisa DataFolha divulgada ontem ajuda a entender a vaia dos torcedores ao presidente Jair Bolsonaro no domingo, durante a final da Copa Am\u00e9rica, em pleno Maracan\u00e3, mesmo acompanhado do ministro da Justi\u00e7a, S\u00e9rgio Moro. Algu\u00e9m j\u00e1 disse que a torcida no Maracan\u00e3 vaia at\u00e9 minuto de sil\u00eancio, mas isso \u00e9 apenas uma forma de contemporiza\u00e7\u00e3o. A avalia\u00e7\u00e3o do governo Bolsonaro (PSL) n\u00e3o mudou muito de abril para junho: \u00f3timo\/bom: 33%; regular: 31%; ruim\/p\u00e9ssimo: 33%; N\u00e3o sabe\/n\u00e3o respondeu: 2%. Na margem de erro, a varia\u00e7\u00e3o registrou alta de 1% na avalia\u00e7\u00e3o positiva, mas subiu 3% na negativa: Em abril, quando foi realizada a pesquisa anterior, os \u00edndices foram: \u00d3timo\/bom: 32%; Regular: 33%; Ruim\/p\u00e9ssimo: 30%; N\u00e3o sabe\/n\u00e3o respondeu: 4%.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s seis meses de mandato, a expectativa de sucesso do governo variou negativamente: 51% esperam que Bolsonaro fa\u00e7a um governo \u00f3timo ou bom; 21%, regular; e 24%, p\u00e9ssimo. Antes da posse, 65% esperavam que Bolsonaro fizesse um governo \u00f3timo ou bom, contra 17% de regular e 12%, ruim ou p\u00e9ssimo. A pesquisa foi realizada nos dias 4 e 5 de julho com 2.086 entrevistados com mais de 16 anos, em 130 cidades do pa\u00eds. A margem de erro \u00e9 de dois pontos percentuais para mais ou menos. O n\u00edvel de confian\u00e7a da pesquisa \u00e9 de 95%.<\/p>\n<p>Trocando em mi\u00fados, a estrat\u00e9gia de radicaliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de Bolsonaro, ao estabelecer a Lava-Jato como divisor de \u00e1guas da opini\u00e3o p\u00fablica em rela\u00e7\u00e3o ao seu governo, estancou a queda de sua avalia\u00e7\u00e3o nas pesquisas. A Lava-Jato continua sendo uma linha de for\u00e7a da vida pol\u00edtica nacional, bem como o antipetismo. Bolsonaro sabe disso e se instalou nessas duas trincheiras. De certa forma, com isso, tamb\u00e9m evitou maiores desgastes com a reforma da Previd\u00eancia, que foi assumida pelo Congresso. Todas as vezes que apoiou ostensivamente a reforma, o presidente da Rep\u00fablica criou uma pol\u00eamica com a oposi\u00e7\u00e3o que deslocava o debate desse eixo. A vaia no Maracan\u00e3 veio da parcela da sociedade que considera seu governo ruim e p\u00e9ssimo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cN\u00e3o aprovar a reforma sinalizaria dificuldades pol\u00edticas que podem at\u00e9 aumentar no segundo semestre\u201d Tem raz\u00e3o o presidente da C\u00e2mara, Rodrigo Maia (DEM-RJ): a aprova\u00e7\u00e3o da reforma da Previd\u00eancia ser\u00e1 uma constru\u00e7\u00e3o do Congresso. 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