{"id":4007,"date":"2019-08-07T09:11:02","date_gmt":"2019-08-07T12:11:02","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=4007"},"modified":"2019-08-07T09:11:02","modified_gmt":"2019-08-07T12:11:02","slug":"nas-entrelinhas-a-ameaca-externa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-a-ameaca-externa\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas: A amea\u00e7a externa"},"content":{"rendered":"<p>\u201c<em><strong>A China \u00e9 o maior parceiro comercial do Brasil; os Estados Unidos, o segundo. O choque entre ambos transforma a economia brasileira numa esp\u00e9cie de marisco\u201d<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A primeira fala s\u00e9ria de uma autoridade de primeiro escal\u00e3o do atual governo sobre a situa\u00e7\u00e3o internacional n\u00e3o veio do Itamaraty, veio do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, ontem, no debate Como fazer os juros ca\u00edrem no Brasil, promovido pelo Correio. Segundo ele, no momento, a maior amea\u00e7a \u00e0 economia brasileira \u00e9 a guerra comercial deflagrada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra a China, o M\u00e9xico e parte da Europa. A escalada da guerra comercial, que agora virou uma guerra cambial, continua, e seus efeitos negativos est\u00e3o se espalhando pelo mundo.<\/p>\n<p>Quando os Estados Unidos come\u00e7aram a sobretaxar importa\u00e7\u00f5es, especialmente da China, se imaginava que o efeito seria um pouco mais de infla\u00e7\u00e3o e, consequentemente, a eleva\u00e7\u00e3o da taxa de juros nos Estados Unidos e na Europa. Segundo Campos Neto, o que houve foi outra coisa: queda da infla\u00e7\u00e3o, em raz\u00e3o da baixa atividade econ\u00f4mica. Como j\u00e1 estava muito baixa ou negativa na maioria dos pa\u00edses desenvolvidos, nesse cen\u00e1rio, a taxa de juros deixou de ser um instrumento para aumentar a atividade econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da guerra comercial, segundo Campos Neto, dois problemas afetam a economia global, inclusive a brasileira: o envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o europeia, a exemplo do que aconteceu no Jap\u00e3o, e a escalada de tens\u00f5es pol\u00edticas em decorr\u00eancia das atitudes de Trump. \u00c9 o caso da crise dos EUA e da Inglaterra com o Ir\u00e3 e seu impacto no Estreito de Ormuz, na rota do petr\u00f3leo que abastece o Ocidente. Na pol\u00edtica mundial, as a\u00e7\u00f5es intempestivas de Trump s\u00e3o um fator de instabilidade econ\u00f4mica, pois inibem a tomada de decis\u00f5es quanto aos investimentos.<\/p>\n<p>Campos Neto n\u00e3o disse, mas a realidade escancara: o alinhamento autom\u00e1tico do presidente Jair Bolsonaro com Trump \u2014 cujo lance mais pol\u00eamico \u00e9 a indica\u00e7\u00e3o do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) para o estrat\u00e9gico posto de embaixador do Brasil em Washington \u2014 est\u00e1 em contradi\u00e7\u00e3o com essa realidade do cen\u00e1rio internacional. Corrobora e segue a reboque de uma pol\u00edtica internacional danosa \u00e0 nossa inser\u00e7\u00e3o na economia global. A China \u00e9 o maior parceiro comercial do Brasil; os Estados Unidos, o segundo. O choque entre ambos transforma a economia brasileira numa esp\u00e9cie de marisco. Agarrar-se ao rochedo n\u00e3o impede o impacto da onda.<\/p>\n<p><b>Crescimento<\/b><br \/>\n\u201cO que vir\u00e1 por a\u00ed?\u201d, indaga o presidente do Banco Central. Sua \u00fanica certeza \u00e9 de que teremos baixo crescimento econ\u00f4mico, em praticamente todas as economias do planeta. \u00c9 por essa raz\u00e3o que as expectativas dos analistas de mercado e investidores com rela\u00e7\u00e3o ao desempenho da economia brasileira, mesmo com uma alvissareira aprova\u00e7\u00e3o da reforma da Previd\u00eancia, s\u00e3o pessimistas ou moderadas. Segundo o Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI), o mundo vai crescer 3,2% neste ano e 3,5% no pr\u00f3ximo, um d\u00e9cimo menos tanto em 2019 como 2020. A proje\u00e7\u00e3o de crescimento do Brasil para este ano foi reduzida de 2,1% para 0,8%; diminuiu tamb\u00e9m a estimativa de 2020, que passou de 2,5% para 2,4%.<\/p>\n<p>A aprova\u00e7\u00e3o da reforma da Previd\u00eancia \u00e9 um alento para o mercado, mas n\u00e3o basta para relan\u00e7ar a economia. O governo precisaria irrigar a economia com mais recursos, por\u00e9m, est\u00e3o cada vez mais escassos. No momento, o ministro da Economia, Paulo Guedes, tenta fazer isso com a libera\u00e7\u00e3o dos saques do Fundo de Garantia do Tempo de Servi\u00e7o (FGTS), que resolve apenas o problema do endividamento excessivo das fam\u00edlias de baixa renda, j\u00e1 que o limite de saque por trabalhador \u00e9 de R$ 500.<\/p>\n<p>Outra op\u00e7\u00e3o seria usar as reservas e comprar t\u00edtulos p\u00fablicos no mercado para inundar a economia de dinheiro vivo, a f\u00f3rmula usada nos Estados Unidos e na Europa para sair da crise de 2008. O Banco Central tamb\u00e9m pode baixar ainda mais os juros, que continuam escorchantes no mercado financeiro, porque a infla\u00e7\u00e3o permanece abaixo da meta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA China \u00e9 o maior parceiro comercial do Brasil; os Estados Unidos, o segundo. 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