{"id":401,"date":"2016-04-07T07:17:07","date_gmt":"2016-04-07T10:17:07","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=401"},"modified":"2016-04-07T07:17:07","modified_gmt":"2016-04-07T10:17:07","slug":"nas-entrelinhas-conta-da-reeleicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-conta-da-reeleicao\/","title":{"rendered":"Nas Entrelinhas: A conta da reelei\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>At\u00e9 os deputados que negociam cargos e verbas para votar com o governo em plen\u00e1rio precisam da aprova\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio. Se for rejeitado, o pedido de impeachment morre na comiss\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>O relator da comiss\u00e3o especial do impeachment, deputado Jovair Arantes (PTB-GO), apresentou ontem relat\u00f3rio a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff, como se previa. Recha\u00e7ou os argumentos utilizados pelo advogado-geral da Uni\u00e3o, Jos\u00e9 Eduardo Cardozo, num parecer de 128 p\u00e1ginas. Segundo ele, a den\u00fancia de autoria dos juristas H\u00e9lio Bicudo, Miguel Reale Junior e Jana\u00edna Paschoal preenche \u201ctodas as condi\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas e pol\u00edticas para ser aceita\u201d. A previs\u00e3o \u00e9 que a comiss\u00e3o vote a admissibilidade do pedido na segunda-feira, ap\u00f3s todos os 65 deputados que a integram terem se pronunciado.<\/p>\n<p>A Pal\u00e1cio do Planalto at\u00e9 ontem ainda tentava reverter a maioria oposicionista na comiss\u00e3o, por meio da libera\u00e7\u00e3o de emendas parlamentares ao Or\u00e7amento da Uni\u00e3o e da nomea\u00e7\u00e3o de apadrinhados de pol\u00edticos para cargos nas estatais e \u00f3rg\u00e3os federais. O ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva comanda a opera\u00e7\u00e3o de ca\u00e7a a deputados indecisos, mas o parecer dever\u00e1 ser aprovado. Todas as contas apontam para a admissibilidade do pedido. V\u00e3o de um escore de 40 a 25, entre os mais otimistas da oposi\u00e7\u00e3o, a um placar mais apertado, com diferen\u00e7a de tr\u00eas votos, segundo governistas.<\/p>\n<p>Para Jovair, o pedido tem informa\u00e7\u00f5es que indicam atentado \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o, ou seja, provas de que houve crime de responsabilidade, com ocorr\u00eancia de fatos cuja gravidade seria suficiente para justificar o pedido. Segundo Jovair, os atrasos nos repasses do Tesouro Nacional para os bancos p\u00fablicos, as chamadas pedaladas fiscais, \u201cn\u00e3o eram apenas meros atrasos ou aceit\u00e1veis descompassos de fluxos de caixa, mas constitu\u00edram engenhoso mecanismo de oculta\u00e7\u00e3o de deficit fiscal, com valores muito expressivos a partir de 2013.\u201d<\/p>\n<p>Numa roda de pol\u00edticos e jornalistas, o veterano deputado Miro Teixeira (Rede-RJ), que frequenta a Casa desde 1975, chegou a comparar a situa\u00e7\u00e3o de Dilma Rousseff \u00e0 do famoso gangster norte-americano Al Capone, quando foi preso pelo FBI. Segundo o parlamentar, Dilma pode ser impedida por causa da sua \u201ccontabilidade criativa\u201d. Aludia ao fato de que o mafioso acabou preso por causa da sonega\u00e7\u00e3o de imposto de renda.<\/p>\n<p>O foco principal do relat\u00f3rio de Jovair foi a manipula\u00e7\u00e3o das contas do governo para esconder a real situa\u00e7\u00e3o da economia e continuar gastando mais do que deveria, com objetivo de garantir a pr\u00f3pria reelei\u00e7\u00e3o. Politicamente, pode-se dizer que a conta da elei\u00e7\u00e3o agora chegou para a presidente Dilma Rousseff, que conseguiu se manter \u00e0 margem da Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato, quando nada porque a Constitui\u00e7\u00e3o impede que seja investigada por fatos ocorridos no per\u00edodo anterior ao exerc\u00edcio do mandato, como \u00e9 o caso da compra da refinaria de Pasadena, no Texas, pela Petrobras.<\/p>\n<p>A conta da campanha eleitoral, por\u00e9m, chegou bem antes para a maioria da popula\u00e7\u00e3o, com a recess\u00e3o, o desemprego e a infla\u00e7\u00e3o, sem falar na deteriora\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que a sociedade desaprova o governo em todas as \u00e1reas, inclusive aquela que era seu ponto mais forte, a social. Para os pol\u00edticos envolvidos diretamente no esc\u00e2ndalo do petrol\u00e3o, o tempo corre noutro diapas\u00e3o, sob as batutas do procurador-geral da Rep\u00fablica, Rodrigo Janot, e do ministro-relator da Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato, Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF).<\/p>\n<p>Barganha<\/p>\n<p>Alguns parlamentares do PT, conscientes de que a batalha na comiss\u00e3o especial est\u00e1 perdida por antecipa\u00e7\u00e3o, defendem que o Pal\u00e1cio do Planalto tente impedir a vota\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio de Jovair Arantes em plen\u00e1rio, mediante recurso ao STF. Depois da liminar do ministro Marco Aur\u00e9lio Mello que determinou a abertura de pedido de impeachment contra o vice-presidente Michel Temer, por atos assinados no exerc\u00edcio da Presid\u00eancia, tudo pode acontecer.<\/p>\n<p>A derrota na comiss\u00e3o especial \u00e9 certa. At\u00e9 os deputados que negociam cargos e verbas para votar com o governo em plen\u00e1rio precisam de aprova\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio. Se for rejeitado, o pedido de impeachment morre na comiss\u00e3o. Para aprovar o impeachment em plen\u00e1rio, a oposi\u00e7\u00e3o precisa mobilizar 342 votos. Imagina que conta hoje com 310. J\u00e1 o Pal\u00e1cio do Planalto precisa do apoio de mais de 172 deputados, seja para votar contra, se abster ou se ausentar. Nos c\u00e1lculos governistas, com as negocia\u00e7\u00f5es em curso, poderia chegar a 200 votos. A oposi\u00e7\u00e3o calcula que o governo teria atualmente 120 votos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>At\u00e9 os deputados que negociam cargos e verbas para votar com o governo em plen\u00e1rio precisam da aprova\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio. 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