{"id":4574,"date":"2020-02-21T08:20:44","date_gmt":"2020-02-21T11:20:44","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=4574"},"modified":"2020-02-21T08:20:44","modified_gmt":"2020-02-21T11:20:44","slug":"nas-entrelinhas-brincar-separados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-brincar-separados\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas: Brincar separados"},"content":{"rendered":"<div><em><strong>\u201dO pomo da disc\u00f3rdia s\u00e3o emendas impositivas da ordem de R$ 32 bilh\u00f5es, aprovadas pelo Congresso, que Bolsonaro vetou. Na verdade, o governo comeu mosca nas negocia\u00e7\u00f5es\u201d<\/strong><\/em><\/div>\n<div><\/div>\n<div>L\u00e1, l\u00e1, l\u00e1, l\u00e1, la, l\u00e1, \u00e0s v\u00e9speras do carnaval, lembrar uma marchinha \u00e9 quase inevit\u00e1vel. De autoria de Humberto Silva e Paulo Sette, a marcha rancho At\u00e9 quarta-feira estourou no carnaval de 1968, na voz de Marcos Moran. Capixaba de Alegre, influenciado inicialmente pela bossa-nova, o cantor despontou naquele carnaval, depois de enveredou pela black music, e acabou um disputado puxador de sambas, inicialmente na Portela, passando depois pelo Imp\u00e9rio Serrano, pela Vila Isabel e por outras escolas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Mas nenhum samba fez mais sucesso do que a marcha rancho que marcou o carnaval daquele \u201cano que n\u00e3o terminou\u201d, como diria Zuenir Ventura: \u201cEste ano n\u00e3o vai ser,\/Igual aquele que passou\/ Eu n\u00e3o brinquei,\/Voc\u00ea tamb\u00e9m n\u00e3o brincou,\/Aquela fantasia,\/Que eu comprei ficou guardada,\/E a sua tamb\u00e9m, ficou pendurada\/ Mas este ano est\u00e1 combinado,\/N\u00f3s vamos brincar separados (bis)\u201d.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A marchinha \u00e9 sob medida para resumir a semana pol\u00edtica, marcada por um esgar\u00e7amento na rela\u00e7\u00e3o entre o Pal\u00e1cio do Planalto e o Congresso: \u201cSe acaso meu bloco,\/Encontrar o seu,\/N\u00e3o tem problema,\/Ningu\u00e9m morreu,\/S\u00e3o tr\u00eas dias de folia e brincadeira,\/Voc\u00ea pra l\u00e1 e eu pra c\u00e1,\/At\u00e9 quarta-feira\u201d. Por muito pouco, por\u00e9m, o senador Cid Gomes (PDT-CE) escapou da morte na quarta-feira, em Fortaleza, ao lan\u00e7ar uma retroescavadeira sobre o port\u00e3o de um quartel da Pol\u00edcia Militar ocupado por grevistas encapuzados, todos policiais militares amotinados. No ato tresloucado, o ex-governador foi apedrejado e baleado no peito por um dos grevistas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O resultado do conflito foi mais uma opera\u00e7\u00e3o de Garantia da Lei e da Ordem, decretada, ontem, pelo presidente Jair Bolsonaro a pedido do governador do Cear\u00e1, o petista Camilo Santana, para enfrentar o motim na corpora\u00e7\u00e3o. O presidente Bolsonaro aproveitou para defender a aprova\u00e7\u00e3o do chamado \u201cexcludente de ilicitude\u201d pelo Congresso. Trata-se do Projeto de Lei 882\/19, apresentado \u00e0 C\u00e2mara pelo presidente Jair Bolsonaro como parte do pacote anticrime do ministro da Justi\u00e7a, S\u00e9rgio Moro, pelo qual \u201co juiz poder\u00e1 reduzir a pena at\u00e9 a metade ou deixar de aplic\u00e1-la se o excesso decorrer de escus\u00e1vel medo, surpresa ou violenta emo\u00e7\u00e3o\u201d.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Bolsonaro joga para arquibancada, enquanto os governadores enfrentam a crise na seguran\u00e7a p\u00fablica. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 grave em v\u00e1rios estados, com desdobramentos ainda imprevis\u00edveis, por causa das amea\u00e7as de greve de policiais civis e militares. Em Minas, para evitar uma greve, aprovou-se um aumento salarial impag\u00e1vel para os servidores, que pode resultar no colapso do governo estadual, na contram\u00e3o de tudo o que o governador Romeu Zema (Novo) pregava na campanha.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Os reajustes chegam a at\u00e9 41, 47%, no caso dos policiais militares e bombeiros, escalonados at\u00e9 dezembro de 2022. Uma emenda apresentada pela oposi\u00e7\u00e3o estendeu a corre\u00e7\u00e3o para as outras categorias de funcion\u00e1rios p\u00fablicos, elevando em mais R$ 20 bilh\u00f5es o impacto nos cofres mineiros. O porcentual \u00e9 de 28,82% para 13 categorias. O or\u00e7amento de Minas para 2020 prev\u00ea deficit fiscal, ou seja, despesas superam as receitas de R$ 13,3 bilh\u00f5es.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong>Vetos<\/strong><\/div>\n<div>A situa\u00e7\u00e3o financeira dos estados \u00e9 uma das raz\u00f5es do conflito entre o presidente Jair Bolsonaro e maioria dos governadores, principalmente depois que o presidente da Rep\u00fablica desafiou-os a reduzirem a cobran\u00e7a de ICMS sobre os combust\u00edveis, prometendo fazer a mesma coisa. Foi uma jogada para agradar os caminhoneiros, que amea\u00e7avam fazer uma greve por causa da tabela do frete. O epis\u00f3dio agastou as rela\u00e7\u00f5es entre Bolsonaro e alguns governadores, entre os quais Ibaneis Rocha, do Distrito Federal, e Jo\u00e3o Doria, de S\u00e3o Paulo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Voltando ao tema das rela\u00e7\u00f5es com o Congresso, o ministro da Economia, Paulo Guedes, de novo tratou do veto do presidente Bolsonaro \u00e0s emendas impositivas ao Or\u00e7amento da Uni\u00e3o. Disse que a fric\u00e7\u00e3o entre os dois poderes \u00e9 normal, tecendo coment\u00e1rios sobre suas rela\u00e7\u00f5es com os parlamentares. O pomo da disc\u00f3rdia s\u00e3o emendas impositivas da ordem de R$ 32 bilh\u00f5es, aprovadas pelo Congresso, que Bolsonaro vetou. Na verdade, o governo comeu mosca nas negocia\u00e7\u00f5es com o Congresso, uma das raz\u00f5es da queda do ex-ministro da Casa Civil Onyx Lorenzoni.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Um novo acordo foi negociado pelo pr\u00f3prio ministro Paulo Guedes para que a C\u00e2mara devolva em torno de R$ 11 bilh\u00f5es para o Tesouro, com aval de Bolsonaro, mas depois o governo tentou voltar atr\u00e1s. O veto n\u00e3o foi votado ainda, mas o acordo praticamente implodiu, depois das declara\u00e7\u00f5es do general Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Seguran\u00e7a Institucional (GSI), acusando os parlamentares de chantagear o governo, o que foi interpretado como uma agress\u00e3o ao Congresso.<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201dO pomo da disc\u00f3rdia s\u00e3o emendas impositivas da ordem de R$ 32 bilh\u00f5es, aprovadas pelo Congresso, que Bolsonaro vetou. 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