{"id":4847,"date":"2020-06-26T07:35:30","date_gmt":"2020-06-26T10:35:30","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=4847"},"modified":"2020-06-26T07:35:30","modified_gmt":"2020-06-26T10:35:30","slug":"nas-entrelinhas-mudanca-de-rota","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-mudanca-de-rota\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas: Mudan\u00e7a de rota"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>\u201cA nomea\u00e7\u00e3o de Decotelli para a Educa\u00e7ao e a passagem do general Ramos para a reserva sinalizam um corre\u00e7\u00e3o de rumo no governo Bolsonaro\u201d<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Aparentemente, o presidente Jair Bolsonaro deixou a rota de iminente colis\u00e3o contra os demais poderes. A mudan\u00e7a ocorreu ap\u00f3s forte rea\u00e7\u00e3o das lideran\u00e7as do Congresso e dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), mas, sobretudo, ap\u00f3s a pris\u00e3o de Fabr\u00edcio Queiroz, seu amigo, ex-assessor parlamentar de seu filho Fl\u00e1vio Bolsonaro (PR), quando o senador ocupava uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Ambos s\u00e3o investigados no caso das rachadinhas daquela Casa legislativa. Dois fatos assinalam a mudan\u00e7a de curso: a nomea\u00e7\u00e3o do novo ministro da Educa\u00e7\u00e3o, o economista Carlos Alberto Decotelli da Silva, e a passagem para a reserva do general de divis\u00e3o Luiz Eduardo Ramos, ministro da Secretaria de Governo, que anunciou a inten\u00e7\u00e3o na reuni\u00e3o do Alto Comando do Ex\u00e9rcito, ontem.<\/p>\n<p>Decotelli substituir\u00e1 Abraham Weintraub, protagonista de uma gest\u00e3o espalhafatosa e desastrosa \u00e0 frente da pasta, com uma narrativa ideol\u00f3gica afinada com o grupo de extrema direita liderado pelo escritor Olavo de Carvalho, guru dos filhos de Bolsonaro. Como pr\u00eamio de consola\u00e7\u00e3o, o ex-ministro foi indicado para o posto de diretor representante do Brasil no Banco Mundial, mas sua nomea\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo questionada por funcion\u00e1rios do \u00f3rg\u00e3o. At\u00e9 para sair do pa\u00eds e entrar nos Estados Unidos, Weintraub foi atabalhoado, pois viajou como se ainda fosse ministro, quando j\u00e1 havia deixado o cargo. Comportou-se como um fugitivo. Weintraub \u00e9 investigado por causa de suposto envolvimento com grupos de extrema direita que amea\u00e7avam ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), a quem chamou de \u201cvagabundos\u201d, na reuni\u00e3o ministerial de 22 de abril passado.<\/p>\n<p>Primeiro ministro preto do governo Bolsonaro, Decotelli ser\u00e1 o terceiro titular da pasta em menos de 1 ano e meio. O primeiro ocupante do posto foi Ricardo Velez, que permaneceu apenas tr\u00eas meses no cargo. Oficial da reserva n\u00e3o-remunerada da Marinha, o novo ministro atuou na Escola de Guerra Naval como professor. Bacharel em ci\u00eancias econ\u00f4micas pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), \u00e9 mestre pela Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV), doutor pela Universidade de Ros\u00e1rio (Argentina) e p\u00f3s-doutor pela Universidade de Wuppertal, na Alemanha. Tem um perfil muito mais de gestor do que de educador, sua nomea\u00e7\u00e3o \u00e9 uma esperan\u00e7a de um comportamento mais conciliador e menos ideol\u00f3gico \u00e0 frente da pasta, embora seja um conservador e tenha apenas breve passagem pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o (FNDE), entre fevereiro e agosto do ano passado. Depois, comandou a Secretaria de Modalidades Especializadas do Minist\u00e9rio.<\/p>\n<p><strong>Verde-oliva<\/strong><br \/>\nOutra not\u00edcia importante foi o an\u00fancio de que o general de ex\u00e9rcito Luiz Eduardo Ramos, ministro da Secretaria de Governo e principal articulador pol\u00edtico do Planalto, passar\u00e1 \u00e0 reserva. Ele j\u00e1 havia anunciado essa inten\u00e7\u00e3o, mas s\u00f3 agora foi oficializada. Sua situa\u00e7\u00e3o era um fator de tens\u00e3o entre o presidente Jair Bolsonaro e o Alto Comando, porque circulavam rumores de que o presidente da Rep\u00fablica pretendia nome\u00e1-lo para o Comando do Ex\u00e9rcito, no lugar do general Edson Leal Pujol. Ramos era o 6\u00ba na hierarquia de comando, o que resultaria na passagem antecipada para a reserva dos principais generais hoje na ativa. Bolsonaristas fomentavam a intriga, provocando mal-estar entre os militares.<\/p>\n<p>Pelo regulamento atual, militares da ativa somente podem permanecer dois anos fora dos quadros regulares de comando, mesmo ocupando fun\u00e7\u00e3o para as quais, tradicionalmente, s\u00e3o designados militares, no Minist\u00e9rio da Defesa, criado originalmente para ser chefiado por uma autoridade civil, no Gabinete de Seguran\u00e7a Institucional e na Secretaria de Assuntos Estrat\u00e9gicos da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. A situa\u00e7\u00e3o era meio esquizofr\u00eanica, porque Ramos \u00e9 um dos ministros mais poderosos do governo Bolsonaro e, ao mesmo tempo, era subordinado a Pujol na hierarquia militar. Outro alto oficial da ativa praticamente na mesma situa\u00e7\u00e3o \u00e9 o ministro interino da Sa\u00fade, Eduardo Pazuello, general de divis\u00e3o.<\/p>\n<p>Ambos s\u00e3o ligados ao ministro da Defesa, Fernando Azevedo, como o ministro-chefe da Casa Civil, Braga Neto, que tamb\u00e9m era do Alto Comando, mas passou \u00e0 reserva logo ap\u00f3s assumir o cargo. Quando Azevedo foi o comandante do Leste, Ramos comandou a Vila Militar; Pazuello, a Brigada de Paraquedistas; e Braga Neto era o chefe de Estado-Maior.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA nomea\u00e7\u00e3o de Decotelli para a Educa\u00e7ao e a passagem do general Ramos para a reserva sinalizam um corre\u00e7\u00e3o de rumo no governo Bolsonaro\u201d Aparentemente, o presidente Jair Bolsonaro deixou a rota de iminente colis\u00e3o contra os demais poderes. 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