{"id":5177,"date":"2020-10-09T07:10:47","date_gmt":"2020-10-09T10:10:47","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=5177"},"modified":"2020-10-09T07:10:47","modified_gmt":"2020-10-09T10:10:47","slug":"nas-entrelinhas-o-centro-esta-orfao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-o-centro-esta-orfao\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas: O centro est\u00e1 \u00f3rf\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>O candidato no poder tem vantagens estrat\u00e9gicas e precisa errar muito para perder a elei\u00e7\u00e3o. A oposi\u00e7\u00e3o enfrenta muitas dificuldades para construir uma alternativa convincente<\/strong><\/em><\/p>\n<p>O presidente Jair Bolsonaro n\u00e3o \u00e9 mais um l\u00edder sem estado-maior. No Pal\u00e1cio do Planalto, consolidou-se um alto-comando formado por oficiais generais de quatro estrelas: Braga Netto (Casa Civil), Luiz Ramos (Secretaria de Governo) e Augusto Heleno (Gabinete de Seguran\u00e7a Institucional), agora refor\u00e7ado com a ida do almirante de esquadra Fl\u00e1vio Augusto Vianna Rocha, da Secretaria de Assuntos Estrat\u00e9gicos para a Secretaria-Geral da Presid\u00eancia, no lugar do ministro Jorge Oliveira. Completam o time os l\u00edderes do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE); no Congresso, senador Eduardo Gomes (MDB-TO); e na C\u00e2mara, Ricardo Barros (PP-PA), que operam as articula\u00e7\u00f5es pol\u00edticas no Congresso, com apoio dos ministros do Desenvolvimento, Rog\u00e9rio Marinho; da Infraestrutura, Tarc\u00edsio de Freitas; e da Agricultura, Teresa Cristina. O cururu na hist\u00f3ria \u00e9 o ministro da Economia, Paulo Guedes, que joga praticamente sozinho.<\/p>\n<p>Duas batalhas est\u00e3o em curso no Congresso: uma \u00e9 a disputa pelo controle da Comiss\u00e3o de Or\u00e7amento, entre o DEM e os partidos de Centr\u00e3o; outra \u00e9 pela reelei\u00e7\u00e3o dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e da C\u00e2mara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que depende da aprova\u00e7\u00e3o de uma emenda constitucional pelo Congresso \u2013\u2013 muito dif\u00edcil \u2013\u2013 e da aceita\u00e7\u00e3o da mudan\u00e7a regimental pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o que \u00e9 mais dif\u00edcil ainda. Alcolumbre trabalha abertamente pela perman\u00eancia no cargo, com apoio do Pal\u00e1cio do Planalto, mas o mesmo n\u00e3o ocorre com Maia, que, inclusive, se declara contra a reelei\u00e7\u00e3o. Em qualquer circunst\u00e2ncia, por\u00e9m, o candidato do Pal\u00e1cio do Planalto a presidente da C\u00e2mara \u00e9 o deputado Arthur Lira (AL), l\u00edder da bancada do PP.<\/p>\n<p>Bolsonaro se finge de morto nas elei\u00e7\u00f5es municipais, mas opera uma estrat\u00e9gia bem pensada de ocupa\u00e7\u00e3o do centro pol\u00edtico, um espa\u00e7o cada vez mais aberto em raz\u00e3o do esvaziamento das nunca assumidas pr\u00e9-candidaturas do ex-ministro da Justi\u00e7a Sergio Moro e do apresentador Luciano Huck. Quando a popularidade de Bolsonaro despencou, em raz\u00e3o da pandemia da covid-19 e das suas pr\u00f3prias trapalhadas, ambos apareciam como poss\u00edveis alternativas de poder, inclusive com estruturas partid\u00e1rias \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o: o Podemos, no caso de Moro, e o Cidadania, no caso de Huck. Acontece que \u201co mundo gira e a Lusit\u00e2nia roda\u201d, como diz o velho reclame de caminh\u00f5es de mudan\u00e7a. A pandemia virou tudo de pernas para o ar. O governador de S\u00e3o Paulo, Jo\u00e3o D\u00f3ria (PSDB), enfraquecido pela crise sanit\u00e1ria, est\u00e1 confinado e, provavelmente, concorrer\u00e1 \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>O terreno<\/strong><br \/>\nCavalo n\u00e3o passa arreado quando se trata de reelei\u00e7\u00e3o. O candidato no poder tem vantagens estrat\u00e9gicas que pesam na balan\u00e7a e precisa errar muito para perder a elei\u00e7\u00e3o. A oposi\u00e7\u00e3o enfrenta muitas dificuldades, precisa construir uma alternativa de poder que seja convincente. Isso n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel com dissimula\u00e7\u00e3o. Moro e Huck est\u00e3o se inviabilizando por causa disso. Ciro Gomes, o candidato do PDT, que tenta essa constru\u00e7\u00e3o pela terceira vez, foi completamente contingenciado pelo PT, que manteve a candidatura de Lula, mesmo considerado um ficha-suja, ofuscando, inclusive, a melhor alternativa que a legenda teria: Fernando Haddad, que nas elei\u00e7\u00f5es passadas obteve 47 milh\u00f5es de votos, 44,8% do total, contra 57,7 milh\u00f5es de Bolsonaro, 55,1% dos votos v\u00e1lidos. Com Ciro emparedado, Lula acredita que o PT ter\u00e1 um lugar seguro no segundo turno contra o presidente. O grande risco \u00e9 a reelei\u00e7\u00e3o ocorrer no primeiro, com o deslocamento de Bolsonaro para o centro. Por isso, ele n\u00e3o faz o menor esfor\u00e7o para alavancar os candidatos bolsonaristas de raiz nas elei\u00e7\u00f5es municipais.<\/p>\n<p>Militares classificam os terrenos de acordo com as dificuldades de manobra. O campo que pode ser facilmente atravessado por qualquer lado \u00e9 considerado acess\u00edvel, leva vantagem quem ocupa as melhores posi\u00e7\u00f5es primeiro. \u00c9 o que est\u00e1 sendo feito por Bolsonaro. Nas elei\u00e7\u00f5es municipais, faz um duplo movimento: de um lado, avan\u00e7a sobre o eleitorado de baixa renda, gra\u00e7as ao aux\u00edlio emergencial; de outro, tece alian\u00e7as com os advers\u00e1rios de seu inimigo principal, a esquerda, principalmente no Nordeste. Sua prioridade \u00e9 impedir que surja uma alternativa de poder ao centro e isolar a esquerda; n\u00e3o \u00e9 agradar a sua base eleitoral mais ideol\u00f3gica, que n\u00e3o tem alternativa. Como a esquerda \u00e9 incapaz de se aliar ao centro, a n\u00e3o ser quando recebe apoio eleitoral, a manobra de ocupa\u00e7\u00e3o de terreno ficou muito mais f\u00e1cil.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m se iluda, a pol\u00edtica tradicional n\u00e3o morreu. Renasce das cinzas na disputa pelo controle das prefeituras e c\u00e2maras municipais, uma tradi\u00e7\u00e3o que vem desde o per\u00edodo colonial. O MDB \u00e9 o partido com maior n\u00famero de candidatos (44 mil), seguido pelo PSD (39 mil) e PP (38 mil); todos est\u00e3o na base de Bolsonaro e podem emergir das elei\u00e7\u00f5es municipais como os maiores partidos. DEM, PSDB, ao centro, e PT, \u00e0 esquerda (com 30 mil cada), disputam o segundo pelot\u00e3o. Republicanos e PL, bolsonaristas; e PDT (com 28 mil) e PSB (26 mil), firmes na oposi\u00e7\u00e3o, v\u00eam a seguir. PTB, PSL, na base de Bolsonaro, e Podemos, ao centro, est\u00e3o na faixa dos 20 mil. PSC, Solidariedade, Patriota e o Avante, governistas, e Cidadania, na oposi\u00e7\u00e3o, em torno de 17 mil. Mais abaixo est\u00e3o a oposi\u00e7\u00e3o mais \u00e0 esquerda: PV e o PCdoB (10 mil); PSol e Rede, com menos de 5 mil candidatos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O candidato no poder tem vantagens estrat\u00e9gicas e precisa errar muito para perder a elei\u00e7\u00e3o. A oposi\u00e7\u00e3o enfrenta muitas dificuldades para construir uma alternativa convincente O presidente Jair Bolsonaro n\u00e3o \u00e9 mais um l\u00edder sem estado-maior. 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