{"id":5262,"date":"2020-11-10T07:40:53","date_gmt":"2020-11-10T10:40:53","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=5262"},"modified":"2020-11-10T07:40:53","modified_gmt":"2020-11-10T10:40:53","slug":"biden-antecipa-2022","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/biden-antecipa-2022\/","title":{"rendered":"Biden antecipa 2022"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>\u201cO encontro do apresentador Luciano Huck com o ex-ministro da Justi\u00e7a Sergio Moro mexeu com o tabuleiro pol\u00edtico. O apresentador \u00a0de tev\u00ea se fingia de morto\u201d<\/strong><\/em><\/p>\n<p>\u201cOs homens fazem a sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria, mas n\u00e3o a fazem como querem: n\u00e3o a fazem sob circunst\u00e2ncias de sua escolha e, sim, sob aquela com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado\u201d. Quem j\u00e1 n\u00e3o leu ou ouviu essa frase na cr\u00f4nica pol\u00edtica? \u00c9 citada com frequ\u00eancia, literalmente ou n\u00e3o, mas com o mesmo sentido. Est\u00e1 no segundo par\u00e1grafo do O 18 Brum\u00e1rio de Lu\u00eds Bonaparte, de Karl Marx (Martin Claret), escrito em Londres, sob encomenda, para um seman\u00e1rio que seria lan\u00e7ado em Nova York, em 1\u00ba de janeiro de 1852, cujo editor, Joseph Weydemeyer, morreu. O texto acabou publicado numa revista mensal intitulada Die Revolution e introduzido na Alemanha semiclandestinamente, antes de virar um livro-reportagem sobre o golpe de Estado de Napole\u00e3o III, em 1851. O t\u00edtulo faz alus\u00e3o ao golpe de 9 de novembro de 1799, esse, sim, dado por Napole\u00e3o Bonaparte. \u00c9 um cl\u00e1ssico da an\u00e1lise pol\u00edtica, que cunhou os conceitos de \u201cbonapartismo\u201d, \u201ctransformismo pol\u00edtico\u201d e \u201ccretinismo parlamentar\u201d.<\/p>\n<p>O presidente Jair Bolsonaro n\u00e3o foge \u00e0 regra dos grandes personagens da Hist\u00f3ria que se repetem, citados por Marx naquele texto: depara-se com circunst\u00e2ncias que n\u00e3o escolheu e s\u00e3o completamente diferentes daquelas nas quais se elegeu. \u00c9 como se a roda da Fortuna tivesse girado a favor dos seus advers\u00e1rios, zerando a vantagem estrat\u00e9gica que a conjuntura de 2018 havia lhe proporcionado. Para piorar a situa\u00e7\u00e3o, antecipou sua campanha \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o em todos os movimentos que fez desde quando assumiu a Presid\u00eancia e, agora, com o g\u00eanio fora da garrafa, n\u00e3o tem como p\u00f4-lo de volta. Nem bem o primeiro turno das elei\u00e7\u00f5es municipais acabou, o quadro eleitoral de 2022 come\u00e7a a ser desenhado \u00e0 sua revelia, agora impulsionado por um fator externo cujo impacto no Brasil n\u00e3o pode ser subestimado: a vit\u00f3ria do democrata Joe Biden nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais dos Estados Unidos, inequ\u00edvoca, embora o presidente Donald Trump se recuse a admiti-la e se movimente como quem deseja criar uma crise institucional para permanecer no poder.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que l\u00edderes mundiais como Vladimir Putin, da R\u00fassia; Xi Jinping, na China; e L\u00f3pez Obrador, no M\u00e9xico, ainda n\u00e3o enviaram congratula\u00e7\u00f5es ao democrata e aguardem o resultado oficial da disputa, cuja divulga\u00e7\u00e3o Trump procura retardar ao m\u00e1ximo, com seus recursos judiciais. S\u00e3o l\u00edderes pol\u00edticos que t\u00eam grandes contenciosos com os Estados Unidos e n\u00e3o desejam tornar a vit\u00f3ria de Biden ainda mais consagradora, fortalecendo-o nas negocia\u00e7\u00f5es. Nenhum deles, por\u00e9m, tem tanta identidade ideol\u00f3gica com Trump como Bolsonaro. Tamb\u00e9m n\u00e3o se manifestaram durante o pleito a favor do candidato republicano. O retardo em reconhecer a vit\u00f3ria de Biden, por lealdade a Trump, est\u00e1 aprofundando o mal-estar que j\u00e1 existia com o novo presidente dos Estados Unidos. Al\u00e9m das implica\u00e7\u00f5es da vit\u00f3ria dos democratas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica externa e \u00e0 quest\u00e3o ambiental no Brasil, j\u00e1 est\u00e3o aparecendo suas consequ\u00eancias para a pol\u00edtica nacional propriamente dita, inclusive do ponto de vista eleitoral.<\/p>\n<p><strong>O centro renasce<\/strong><br \/>\nPor exemplo, o encontro do apresentador Luciano Huck com o ex-ministro da Justi\u00e7a Sergio Moro mexeu com o tabuleiro das elei\u00e7\u00f5es presidenciais. O jovem comunicador se fingia de morto e sua candidatura somente existia no Twitter do ex-deputado Roberto Freire, presidente do Cidadania. A partir do momento em que se tornou p\u00fablico seu encontro com Moro e que ambos discutiram o cen\u00e1rio eleitoral de 2022, todos os poss\u00edveis candidatos e seus aliados se mobilizaram. \u00c9 ingenuidade acreditar que o encontro em si alterou o cen\u00e1rio pol\u00edtico \u2014 o prest\u00edgio de ambos estava em decl\u00ednio nas pesquisas \u2014, o que mudou a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as foram as novas circunst\u00e2ncias criadas pela vit\u00f3ria de Biden, com uma narrativa que n\u00e3o tem sintonia com Bolsonaro, com o ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva(PT) nem mesmo com Ciro Gomes (PDT).<\/p>\n<p>O encontro de Huck e Moro sinalizou que o campo liberal-democr\u00e1tico pode buscar uma converg\u00eancia e ocupar, novamente, o centro pol\u00edtico, mas isso passa, ainda, por Jo\u00e3o Doria (PSDB), governador de S\u00e3o Paulo; Eduardo Leite (PSDB), governador do Rio Grande do Sul; Rodrigo Maia, presidente da C\u00e2mara; Luiz Henrique Mandetta (DEM), ex-ministro da Sa\u00fade; e Marina Silva(Rede), ex-ministra. Unificar o centro democr\u00e1tico n\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil, nunca foi. Ulysses Guimar\u00e3es e Tancredo Neves, no MDB, disputaram a lideran\u00e7a da oposi\u00e7\u00e3o at\u00e9 a derrota das Diretas J\u00e1. Fernando Henrique Cardoso teve de dobrar M\u00e1rio Covas, no PSDB, para consolidar sua alian\u00e7a com o PFL, de Ant\u00f4nio Carlos Magalh\u00e3es e Marco Maciel.<\/p>\n<p>De volta aos programas de tev\u00ea com forte cunho social, Huck se movimenta de forma dissimulada, mas sua perman\u00eancia na TV Globo tem data marcada, precisa decidir at\u00e9 meados do pr\u00f3ximo ano se \u00e9 candidato ou n\u00e3o. Moro enfrenta o sereno na plan\u00edcie, \u00e9 um candidato encabulado, mas tem um partido pronto para abrig\u00e1-lo, com forte bancada no Senado, o Podemos. Doria tem as dificuldades de todo pol\u00edtico paulista para sair do Pal\u00e1cio dos Bandeirantes, podendo se reeleger, e arriscar a Presid\u00eancia. Mandetta \u00e9 candidato declarado, enquanto houver pandemia, ter\u00e1 pista para correr, mas precisa seduzir a c\u00fapula partid\u00e1ria, que sonha com a candidatura de Huck pela legenda. Eduardo Leite pode ser a nova cara do PSDB, se Doria n\u00e3o concorrer. Marina Silva sonha em renascer como F\u00eanix, para viabilizar a Rede. Reunir todos numa candidatura \u00e9 um projeto ambicioso. Al\u00e9m disso, n\u00e3o se deve subestimar a for\u00e7a da oposi\u00e7\u00e3o de esquerda, que pode se reagrupar, a partir das conversas entre o ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula (PT) da Silva e Ciro Gomes (PDT), para chegar ao segundo turno.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cO encontro do apresentador Luciano Huck com o ex-ministro da Justi\u00e7a Sergio Moro mexeu com o tabuleiro pol\u00edtico. 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