{"id":5427,"date":"2021-01-05T07:41:21","date_gmt":"2021-01-05T10:41:21","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=5427"},"modified":"2021-01-05T07:41:21","modified_gmt":"2021-01-05T10:41:21","slug":"nas-entrelinhas-o-ano-que-nao-comecou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-o-ano-que-nao-comecou\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas: O ano que n\u00e3o come\u00e7ou"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>No calend\u00e1rio do Executivo, o terceiro ano de mandato \u00e9 o das entregas. Pelo andar da carruagem, at\u00e9 aqui, Bolsonaro levou o governo no gog\u00f3<\/strong><\/em><\/p>\n<p>2021 \u00e9 uma esp\u00e9cie de ano que ainda n\u00e3o come\u00e7ou, perdoem-me o trocadilho com o t\u00edtulo do livro de Zuenir Ventura, 1968: o ano que n\u00e3o terminou. Talvez, o sinal mais emblem\u00e1tico de que ainda estamos vivendo no ano passado sejam os passeios do presidente Jair Bolsonaro em Guaruj\u00e1 (SP), nos quais voltou a provocar aglomera\u00e7\u00f5es e circular sem m\u00e1scaras com assessores e seguran\u00e7as da Presid\u00eancia. Mais d\u00e9j\u00e0-vu, imposs\u00edvel. 2020 foi um ano perdido, com 196 mil mortos pela covid-19, e parece que n\u00e3o quer acabar.<\/p>\n<p>Para a maioria da popula\u00e7\u00e3o, o ano somente vai come\u00e7ar quando a vacina chegar. O negacionismo do presidente Jair Bolsonaro e suas declara\u00e7\u00f5es sobre a real necessidade de as pessoas se vacinarem s\u00e3o uma cortina de fuma\u00e7a para a incompet\u00eancia do seu governo no enfrentamento da crise sanit\u00e1ria. O aumento exponencial do n\u00famero de casos no m\u00eas de dezembro \u00e9 um recado claro de que \u00e9 imposs\u00edvel restabelecer plenamente as atividades econ\u00f4micas sem a imuniza\u00e7\u00e3o em massa da popula\u00e7\u00e3o. A chegada do v\u00edrus mutante da Inglaterra \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o a mais, pela velocidade de sua propaga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O tempo, por\u00e9m, n\u00e3o corre igual para todo mundo. Por exemplo, para alguns ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) \u2014 Alexandre de Moraes, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e Marco Aur\u00e9lio Mello \u2014, que resolveram voltar a trabalhar em janeiro, em pleno recesso, o ano come\u00e7ou mais cedo. No Congresso, o ano s\u00f3 come\u00e7ar\u00e1 com a elei\u00e7\u00e3o das Mesas da C\u00e2mara e do Senado.<\/p>\n<p>Pega fogo a disputa entre o l\u00edder do Centr\u00e3o, Arthur Lira (PP-AL), apoiado pelo presidente Bolsonaro, e Baleia Rossi (MDB-SP), o candidato de Rodrigo Maia (DEM-RJ) \u00e0 sua sucess\u00e3o no comando da C\u00e2mara, que, ontem, recebeu o apoio formal da maioria da bancada do PT. Lira ainda \u00e9 o favorito, mas ningu\u00e9m ganha elei\u00e7\u00e3o de v\u00e9spera. No Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP) tenta emplacar o senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG) na Presid\u00eancia, mas esbarra nas candidaturas do MDB, que tem quatro postulantes cabalando votos: Simone Tebet (MS), presidente da Comiss\u00e3o de Constitui\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a (CCJ); Eduardo Braga (AM), l\u00edder da bancada; Fernando Bezerra (PE), l\u00edder do governo no Senado; e Eduardo Gomes (TO), l\u00edder do governo no Congresso. Quem conseguir mais apoio ser\u00e1 o candidato de toda a bancada da legenda, pactuaram.<\/p>\n<p><strong>Entregas<\/strong><\/p>\n<p>No calend\u00e1rio do Executivo, o terceiro ano de mandato \u00e9 o das entregas. Pelo andar da carruagem, at\u00e9 aqui, Bolsonaro levou o governo no gog\u00f3. Al\u00e9m da vacina, n\u00e3o entregou a reforma tribut\u00e1ria, as privatiza\u00e7\u00f5es, a reforma administrativa, a retomada do crescimento etc. Manteve sua popularidade em plena pandemia muito mais em raz\u00e3o do aux\u00edlio emergencial do que das suas realiza\u00e7\u00f5es, \u00e0 custa da expans\u00e3o exponencial do deficit fiscal. Como tem a pretens\u00e3o de se reeleger, agora come\u00e7ar\u00e1 uma corrida contra o rel\u00f3gio, porque o tempo que lhe resta de mandato cada vez ser\u00e1 o recurso mais escasso no governo.<\/p>\n<p>No calend\u00e1rio das entregas, a vacina \u00e9 a principal demanda da popula\u00e7\u00e3o. Seu ano de entregas somente vai come\u00e7ar quando as pessoas forem imunizadas. Mesmo assim, uma parcela enorme da popula\u00e7\u00e3o continuar\u00e1 desempregada, porque a economia somente deve entrar em recupera\u00e7\u00e3o no segundo semestre. Sem aux\u00edlio emergencial, a vida n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil para quase 68 milh\u00f5es de brasileiros que receberam o benef\u00edcio no ano passado. Muitos ter\u00e3o que se reinventar, porque as atividades econ\u00f4micas est\u00e3o passando por muitas transforma\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Com a pandemia, o trabalho remoto e a concentra\u00e7\u00e3o de capital avan\u00e7aram bastante. A maioria das empresas que sobreviveram mudou suas opera\u00e7\u00f5es, em maior ou menor grau, impactando outras atividades. Por exemplo, o mercado imobili\u00e1rio e as companhias de avia\u00e7\u00e3o sofreram impactos irrevers\u00edveis a curto prazo. A concentra\u00e7\u00e3o de capital tamb\u00e9m \u00e9 vis\u00edvel a olho nu, basta entrar num shopping center e ver as lojas que fecharam e as que est\u00e3o sendo abertas. As empresas de log\u00edstica tamb\u00e9m se beneficiaram tremendamente do com\u00e9rcio eletr\u00f4nico.<\/p>\n<p>Como em todo ano-novo, por\u00e9m, somos passageiros da esperan\u00e7a. Toda crise \u00e9 sin\u00f4nimo de oportunidades. Elas aparecem e \u00e9 preciso agarr\u00e1-las com as duas m\u00e3os. Ci\u00eancia e tecnologia, ao longo da hist\u00f3ria, sempre abriram novos horizontes para a humanidade. N\u00e3o ser\u00e1 diferente agora. Que 2021 venha logo para todos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No calend\u00e1rio do Executivo, o terceiro ano de mandato \u00e9 o das entregas. 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