{"id":5451,"date":"2021-01-12T08:01:51","date_gmt":"2021-01-12T11:01:51","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=5451"},"modified":"2021-01-12T08:03:01","modified_gmt":"2021-01-12T11:03:01","slug":"no-dia-d-na-hora-h","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/no-dia-d-na-hora-h\/","title":{"rendered":"No dia D, na hora H"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Historicamente, o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) tem condi\u00e7\u00f5es de vacinar 10 milh\u00f5es de pessoas por dia, mas passa por um de seus piores momentos<\/strong><\/em><\/p>\n<p>O ministro da Sa\u00fade, Eduardo Pazuello, evita cravar uma data de in\u00edcio para a vacina\u00e7\u00e3o contra a covid-19 no pa\u00eds. Disse ontem, em Manaus, que a imuniza\u00e7\u00e3o vai come\u00e7ar \u201cno dia D e hora H\u201d. Parece piada pronta: o come\u00e7o da vacina\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo tratado como um segredo militar. O mais prov\u00e1vel, por\u00e9m, \u00e9 que o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade n\u00e3o saiba mesmo quando ter\u00e1 vacinas, seringas e agulhas dispon\u00edveis. Desculpem-me o trocadilho, o Dia D \u00e9 um ag\u00e1.<\/p>\n<p>Na Hist\u00f3ria, o chamado Dia D foi um segredo guardado a sete chaves pelos Aliados na Segunda Guerra Mundial. No dia 6 de junho de 1944, a Opera\u00e7\u00e3o Overlord iniciou o desembarque das tropas aliadas na Normandia, no norte da Fran\u00e7a. A Alemanha passava por um momento delicado na guerra. A for\u00e7a do ex\u00e9rcito alem\u00e3o havia sido contida pelos sovi\u00e9ticos a partir de 1942. Os desgastes que o fronte na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica geraram foram muito altos, principalmente em Stalingrado e Kursk, e a Alemanha carecia de recursos para manter a guerra no n\u00edvel necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>Os objetivos dos Aliados, ao planejar a invas\u00e3o da Normandia, foram: (1) libertar a Fran\u00e7a do controle nazista, ao qual estava submetida desde 1940 e, ao criar uma nova frente de batalha (a oeste), (2) aumentar a press\u00e3o sobre a Alemanha, atacada ao leste pela Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e ao sul (na It\u00e1lia) por americanos e brit\u00e2nicos. A Opera\u00e7\u00e3o Overlord foi vista com desconfian\u00e7a pelos brit\u00e2nicos, ainda traumatizados pela dram\u00e1tica retirada de Dunquerque, no come\u00e7o da invas\u00e3o da Fran\u00e7a, quando foram encurralados na praia pelos alem\u00e3es. Temiam um fracasso, ainda mais em raz\u00e3o das ofensivas desastradas no Mar Mediterr\u00e2neo e na costa italiana, onde faltou apoio a\u00e9reo.<\/p>\n<p>A opera\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, foi um sucesso; as batalhas mais duras ocorreram depois do desembarque, principalmente em Ardenas, quando os alem\u00e3es tentaram uma contraofensiva ao se retirar da Fran\u00e7a. A Alemanha nazista sabia que um ataque Aliado contra a Normandia aconteceria, mas n\u00e3o quando e onde exatamente isso seria feito. As v\u00e3s esperan\u00e7as de Hitler estavam depositadas na famosa Muralha do Atl\u00e2ntico, linha defensiva criada pelos alem\u00e3es nos territ\u00f3rios ocupados na costa francesa. As opera\u00e7\u00f5es do Dia D contaram com 5.300 navios, que realizaram o transporte de cerca de 150 mil homens e de 1.500 tanques, com apoio de 12 mil aeronaves, em cinco praias francesas, cuja conquista permitiu que os Aliados conseguissem posicionar mais 300 mil soldados na Normandia at\u00e9 o final do dia 7 de junho, com perda de apenas tr\u00eas mil soldados mortos.<\/p>\n<p><b>Guerra da vacina<\/b><br \/>\nO custo da guerra da vacina entre o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e o governo de S\u00e3o Paulo no Brasil est\u00e1 sendo muito maior. A m\u00e9dia m\u00f3vel da \u00faltima semana foi de 1.016 mortes por dia por covid-19, chegando \u00e0 marca de 203.140 mortos, ontem, de um total 8,104 milh\u00f5es de contaminados. Historicamente, o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) tem condi\u00e7\u00f5es de vacinar 10 milh\u00f5es de pessoas por dia, mas passa por um de seus piores momentos. \u201cNo primeiro dia que chegar a vacina, ou que a autoriza\u00e7\u00e3o for feita, a partir do terceiro ou quarto dia, j\u00e1 estar\u00e1 nos estados e munic\u00edpios para come\u00e7ar a vacina\u00e7\u00e3o no Brasil\u201d, garante o general Pazuello.<\/p>\n<p>Pela primeira vez, o objetivo n\u00e3o ser\u00e1 a imunidade completa, mas frear a contamina\u00e7\u00e3o, com a aplica\u00e7\u00e3o de, pelo menos, uma dose do imunizante do laborat\u00f3rio Astrazeneca em parceria com a Universidade de Oxford, importado \u00e0s pressas da \u00cdndia (2 milh\u00f5es de doses), enquanto a Anvisa faz novas exig\u00eancias para libera\u00e7\u00e3o das vacinas produzidas pelo Instituto Butantan (CoronaVac) e pela pr\u00f3pria Fiocruz (Oxford).<\/p>\n<p>Para iniciar a campanha antes de S\u00e3o Paulo, que pretende imunizar a partir do dia 25 de janeiro, data de anivers\u00e1rio de funda\u00e7\u00e3o da capital paulista, Pazuello quer reinventar a roda, a pedido do presidente Jair Bolsonaro: \u201cCom duas doses voc\u00ea vai a 90 e tantos por cento (de imuniza\u00e7\u00e3o); com uma dose, vai a 71%. Com 71%, talvez a gente entre para imuniza\u00e7\u00e3o em massa, \u00e9 uma estrat\u00e9gia que a Secretaria de Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade vai fazer para reduzir a pandemia. Talvez, o foco seja n\u00e3o na imunidade completa, mas, sim, a redu\u00e7\u00e3o da contamina\u00e7\u00e3o e, a\u00ed, a pandemia diminui muito. Podendo aplicar a segunda dose na sequ\u00eancia, chegando a 90%\u201d, disse. Trocando em mi\u00fados, \u00e9 tudo para ingl\u00eas ver; pois, por enquanto, faltam vacinas para atender at\u00e9 mesmo os grupos de risco.<\/p>\n<p>Pazulello, por\u00e9m, garante que o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade nunca deixou de trabalhar tecnicamente com o Butantan para comprar a vacina, \u201cquando estiver registrada e garantida a seguran\u00e7a e efic\u00e1cia pela Anvisa ou autoriza\u00e7\u00e3o de uso emergencial (&#8230;). Onde est\u00e1 a dificuldade? N\u00e3o h\u00e1 registro na China nem autoriza\u00e7\u00e3o de uso emergencial ainda. E a Anvisa tem tido dificuldades de receber toda essa documenta\u00e7\u00e3o pronta. N\u00f3s estamos trabalhando com o Butantan direto para que ele forne\u00e7a essa documenta\u00e7\u00e3o\u201d, justifica Pazuello. O Butantan, em parceria com um laborat\u00f3rio chin\u00eas Sinovac, j\u00e1 produziu 2,8 milh\u00f5es de doses, al\u00e9m de 6 milh\u00f5es que importou diretamente da pr\u00f3pria China e que ser\u00e3o destinadas ao Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Historicamente, o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) tem condi\u00e7\u00f5es de vacinar 10 milh\u00f5es de pessoas por dia, mas passa por um de seus piores momentos O ministro da Sa\u00fade, Eduardo Pazuello, evita cravar uma data de in\u00edcio para a vacina\u00e7\u00e3o contra a covid-19 no pa\u00eds. Disse ontem, em Manaus, que a imuniza\u00e7\u00e3o vai come\u00e7ar \u201cno dia D e hora H\u201d. 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