{"id":5467,"date":"2021-01-15T07:50:37","date_gmt":"2021-01-15T10:50:37","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=5467"},"modified":"2021-01-15T19:09:27","modified_gmt":"2021-01-15T22:09:27","slug":"nas-entrelinhas-pra-chamar-de-nossas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-pra-chamar-de-nossas\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas: Pra chamar de nossas"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>H\u00e1 uma revolu\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o de vacinas. Essa \u00e9 a not\u00edcia boa.\u00a0A not\u00edcia ruim \u00e9 o que est\u00e1 acontecendo em Manaus, onde o SUS entrou em colapso por falta de oxig\u00eanio<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A guerra das vacinas entre o presidente Jair Bolsonaro e o governador Jo\u00e3o Doria \u00e9 como um copo pela metade: de um lado, gera muita desinforma\u00e7\u00e3o sobre imuniza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o; de outro, promove uma corrida para ver quem vai vacinar primeiro. Entretanto, vamos tratar das vacinas que est\u00e3o sendo produzidas no Brasil, tanto pelo Instituto Butantan quanto pela Fiocruz, que s\u00e3o as que v\u00e3o resolver o nosso problema. A Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI) divulgou nota na qual esclareceu que os estudos realizados para testagem de diferentes imunizantes utilizaram crit\u00e9rios distintos.<\/p>\n<p>Por exemplo, no estudo da americana Moderna, foram considerados dois sintomas de um grupo formado por febre, arrepios, dor no corpo, dor de cabe\u00e7a, dor de garganta, perda de olfato ou paladar com diagn\u00f3stico viral confirmado ou um sintoma grave, como falta de ar, tosse, diagn\u00f3stico radiol\u00f3gico como casos de covid-19. Ou seja, dois sintomas leves ou um sintoma grave. No estudo da AstraZeneca (Oxford), um sintoma do grupo formado por febre, tosse, falta de ar, perda de olfato ou paladar; ou seja, a maioria sintomas leves, mais um grave (falta de ar), para fechar o diagn\u00f3stico.<\/p>\n<p>No estudo do Instituto Butantan, foram considerados casos com qualquer um dos sintomas leves, mais sintomas n\u00e3o inclu\u00eddos por outros estudos: n\u00e1usea, v\u00f4mito e diarreia. Em consequ\u00eancia, esse estudo abriu margem para detec\u00e7\u00e3o de mais casos por diagn\u00f3stico molecular, que, nos demais estudos, provavelmente, n\u00e3o foram detectados \u2014 por n\u00e3o serem considerados sintom\u00e1ticos. Al\u00e9m disso, focou nos graus de gravidade da doen\u00e7a sugeridos pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), ao contr\u00e1rio dos demais.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">A diferen\u00e7a de par\u00e2metros parece maluquice, mas \u00e9 um reflexo dos avan\u00e7os da ci\u00eancia em busca da vacina. Na verdade, as tecnologias tamb\u00e9m s\u00e3o diferentes e n\u00e3o existe uma padroniza\u00e7\u00e3o para os estudos da fase III, embora a Food and Drug Administration (FDA), dos Estados Unidos, e a nossa SBI recomendem isso. Por exemplo, enquanto a CoronaVac utiliza os m\u00e9todos tradicionais de produ\u00e7\u00e3o de vacina, os imunizantes da Oxford e a Sputnik V, por meio de engenharia gen\u00e9tica, usaram os adenov\u00edrus como \u201cmeio de transporte\u201d de genes codificando a prote\u00edna S do novo coronav\u00edrus (Sars-CoV- 2). Uma vez inoculado, o adenov\u00edrus com o gene do coronav\u00edrus induz uma resposta imunol\u00f3gica no corpo humano.<\/p>\n<p><strong>Segunda onda<\/strong><br \/>\nAs vacinas BioNTech\/Pfizer e Moderna, que j\u00e1 est\u00e3o sendo aplicadas nos Estados Unidos, tamb\u00e9m resultam de uma abordagem revolucion\u00e1ria, aplic\u00e1vel a quaisquer vacinas futuras: um v\u00edrus \u00e9 sequenciado, recebe uma parte inofensiva em mRNA, corrigido de modo a n\u00e3o ser imuno-rejeitado, que garante a imuniza\u00e7\u00e3o. H\u00e1 uma revolu\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o de vacinas. Essa \u00e9 a not\u00edcia boa.<\/p>\n<p>A not\u00edcia ruim \u00e9 o que est\u00e1 acontecendo em Manaus, onde o SUS entrou em colapso por falta de oxig\u00eanio, trag\u00e9dia que pode se reproduzir em outros estados onde a segunda onda j\u00e1 chegou. N\u00e3o foi \u00e0 toa que o Reino Unido fechou suas fronteiras para passageiros oriundos do nosso pa\u00eds e de nossos vizinhos. A exist\u00eancia de uma variante brasileira do v\u00edrus, confirmada em Manaus, \u00e9 ainda mais amea\u00e7adora porque os anticorpos de quem j\u00e1 teve a doen\u00e7a, segundo recente pesquisa, garantem imunidade por um per\u00edodo de cinco a seis meses, o que explica o aumento de casos de reinfec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O ministro da Sa\u00fade, general Eduardo Pazuello, corre para conseguir uma vacina para o presidente Jair Bolsonaro chamar de sua, no caso, a vacina da Oxford produzida na \u00cdndia. Ao mesmo tempo, faz suspense sobre a aprova\u00e7\u00e3o da CoronaVac. N\u00e3o estamos, por\u00e9m, numa guerra civil, como a Revolu\u00e7\u00e3o Constitucionalista de 1932, estamos numa pandemia. Segundo a SBI, os n\u00fameros totais dos estudos das vacinas da Fiocruz (Oxford) e da vacina do Instituto Butantan (CoronaVac) s\u00e3o muito semelhantes. Entretanto, a vacina da Fiocruz foi testada na popula\u00e7\u00e3o geral, e a do Instituto Butantan, em profissionais de sa\u00fade atendendo pacientes da covid-19. O que o estudo do Instituto Butantan diz \u00e9 que houve redu\u00e7\u00e3o em 50% de qualquer sintoma na popula\u00e7\u00e3o de profissionais da sa\u00fade; e o da Oxford, em 62% de toda a popula\u00e7\u00e3o. Em ambos os casos, o mais importante \u00e9 que evitam interna\u00e7\u00f5es e mortes, desde que haja, realmente, vacina\u00e7\u00e3o em massa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 uma revolu\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o de vacinas. 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