{"id":5511,"date":"2021-01-29T07:33:12","date_gmt":"2021-01-29T10:33:12","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=5511"},"modified":"2021-01-29T08:18:59","modified_gmt":"2021-01-29T11:18:59","slug":"so-falta-chamar-de-cristiana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/so-falta-chamar-de-cristiana\/","title":{"rendered":"S\u00f3 falta chamar de Cristiana"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Os caciques do MDB \u201ccristianizaram\u201d a senadora Simone Tebet (MS), que se lan\u00e7ou candidata avulsa \u00e0 Presid\u00eancia do Senado, sem o apoio formal da bancada<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Mineiro de Sabar\u00e1, Cristiano Monteiro Machado foi prefeito de Belo Horizonte no final da d\u00e9cada de 1920. Partid\u00e1rio da Revolu\u00e7\u00e3o de 1930, que levou Get\u00falio Vargas ao poder, conquistou uma cadeira na Assembleia Nacional Constituinte em 1933. Renunciou ao mandato em 1936, para ser secret\u00e1rio de Educa\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade P\u00fablica de Minas Gerais, no governo de Benedito Valadares. Deixou o cargo no in\u00edcio de novembro de 1945, em decorr\u00eancia da deposi\u00e7\u00e3o de Get\u00falio Vargas (29\/10\/1945) e do consequente fim do governo Valadares. Filiado ao rec\u00e9m-fundado Partido Social Democr\u00e1tico (PSD), foi eleito deputado \u00e0 Constituinte de 1946.<\/p>\n<p>Em 15 de maio de 1950, Cristiano Machado foi lan\u00e7ado candidato \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica pelo PSD nas elei\u00e7\u00f5es que se realizariam em outubro. Entretanto, a ala getulista do PSD do Rio Grande do Sul era favor\u00e1vel \u00e0 indica\u00e7\u00e3o de Nereu Ramos e se recusou a aceitar Cristiano como candidato. Logo depois, membros do Partido Social Progressista (PSP), de Ademar de Barros, comunicaram ao PSD que n\u00e3o apoiariam Cristiano. A candidatura de Get\u00falio Vargas, do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), j\u00e1 estava sendo articulada e viria a ser apoiada por Ademar. Mesmo com o PSD dividido, Cristiano foi aclamado na conven\u00e7\u00e3o nacional do partido. Coube ao Partido Republicano (PR) indicar Altino Arantes para a vice-presid\u00eancia. Cristiano ainda fez uma alian\u00e7a com Hugo Borghi, candidato ao governo de S\u00e3o Paulo pelo Partido Trabalhista Nacional (PTN).<\/p>\n<p>Nas elei\u00e7\u00f5es de 3 de outubro de 1950, Cristiano Machado concorreu com o brigadeiro Eduardo Gomes (UDN) e Get\u00falio Vargas (PTB). Vargas teve uma vit\u00f3ria acachapante, inclusive, nos redutos eleitorais do PSD. A transfer\u00eancia dos votos de Cristiano para Vargas caracterizou um processo de esvaziamento eleitoral que ficou conhecido no jarg\u00e3o pol\u00edtico como \u201ccristianiza\u00e7\u00e3o\u201d. Passou a ser uma marca registrada do MDB nas elei\u00e7\u00f5es para presidente da Rep\u00fablica, sempre que a legenda lan\u00e7ou candidato, com aconteceu com Ulyssses Guimar\u00e3es (1989) e Orestes Qu\u00e9rcia (1994).<\/p>\n<p>Ontem, no Senado, os caciques do MDB \u201ccristianizaram\u201d a senadora Simone Tebet (MS), que se lan\u00e7ou candidata avulsa \u00e0 Presid\u00eancia da Casa, depois de perder o apoio formal da bancada. Pesaram na balan\u00e7a a maioria dos senadores do PSDB e do PT, que apoiam o candidato governista Rodrigo Pacheco (DEM-MG), numa articula\u00e7\u00e3o bem-sucedida do senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), aliado incondicional do presidente Jair Bolsonaro. Havia uma expectativa de revers\u00e3o desses apoios, o que equilibraria muito a disputa, mas isso n\u00e3o ocorreu.<\/p>\n<p><strong>Trai\u00e7\u00f5es<\/strong><br \/>\nSimone Tebet tentava virar dois votos do PSDB dos cinco que apoiam Pacheco, mais dois votos do PT e o voto do senador Cid Gomes (PDT). Se essa articula\u00e7\u00e3o prosperasse, haveria alguma chance de manter o apoio dos caciques da legenda. Os senadores Eduardo Gomes (TO), l\u00edder do governo no Congresso, Luiz do Carmo (GO), M\u00e1rcio Bittar (AC) e Conf\u00fancio Mouro (RO) j\u00e1 estavam com o candidato do DEM. Os senadores Fernando Bezerra (PE), l\u00edder do governo no Senado; Eduardo Braga (AM), l\u00edder da bancada; Renan Calheiros (AL), Fernando Bezerra (PE), Jarbas Vasconcelos ((PE), Jader Barbalho (PA), Nilda Gondim (PB) e Veneziano Vital do Rego (PB) apoiavam Tebet. Entretanto, Dario Berger (SC), Marcelo Castro (PI) e Rose de Freitas (ES) ainda aguardavam as defini\u00e7\u00f5es no PSDB e no PT.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio da C\u00e2mara, que tem 513 deputados, as disputas no Senado s\u00e3o um jogo de cartas marcadas, que se decide de v\u00e9spera, muitas vezes, em raz\u00e3o do n\u00famero de senadores (81, tr\u00eas por unidade da Federa\u00e7\u00e3o). Quando se consolida uma maioria, isso tem um efeito desestabilizador para quem est\u00e1 em desvantagem. Foi o que aconteceu com Tebet, com a decis\u00e3o da bancada do MDB de n\u00e3o oficializar sua candidatura e liberar seus integrantes para votar como quiserem.<\/p>\n<p>A ocupa\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os na Mesa Diretora do Senado e a situa\u00e7\u00e3o eleitoral nos estados tamb\u00e9m costumam ter um peso decisivo no posicionamento de cada senador. Por exemplo, Eduardo Gomes e Veneziano disputam a primeira vice-presid\u00eancia do Senado, que ficar\u00e1 com o MDB, porque a bancada abriu m\u00e3o de apoiar Simone Tebet. Por fim, os dados est\u00e3o lan\u00e7ados. E \u00e9 sempre bom levar em conta que a vota\u00e7\u00e3o secreta d\u00e1 \u201cuma vontade danada de trair\u201d, como dizia Tancredo Neves.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os caciques do MDB \u201ccristianizaram\u201d a senadora Simone Tebet (MS), que se lan\u00e7ou candidata avulsa \u00e0 Presid\u00eancia do Senado, sem o apoio formal da bancada Mineiro de Sabar\u00e1, Cristiano Monteiro Machado foi prefeito de Belo Horizonte no final da d\u00e9cada de 1920. 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