{"id":5745,"date":"2021-04-23T07:33:32","date_gmt":"2021-04-23T10:33:32","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=5745"},"modified":"2021-04-23T07:33:32","modified_gmt":"2021-04-23T10:33:32","slug":"nas-entrelinhas-ajoelhou-tem-que-rezar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-ajoelhou-tem-que-rezar\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas: Ajoelhou, tem que rezar"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Bolsonaro precisa dar demonstra\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas de que mudou a pol\u00edtica ambiental. A mais aguardada \u00e9 a demiss\u00e3o do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A narrativa ambiental do presidente Jair Bolsonaro mudou da \u00e1gua para o vinho, ontem, na C\u00fapula do Clima convocada pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, que n\u00e3o assistiu a seu discurso, mas mandou o porta-voz americano para o Clima, John Kerry, dizer que gostou do pronunciamento. Bolsonaro prometeu adotar medidas que reduzam as emiss\u00f5es de gases e pediu \u201cjusta remunera\u00e7\u00e3o\u201d por \u201cservi\u00e7os ambientais\u201d prestados pelos biomas brasileiros ao planeta.<\/p>\n<p>De certa forma, surpreendeu o pr\u00f3prio Biden. Bolsonaro disse que \u201cn\u00e3o poderia estar mais de acordo\u201d com o apelo dos EUA sobre metas mais ambiciosas para o clima. N\u00e3o mencionou o Plano Amaz\u00f4nia apresentado na semana passada, mas voltou a mencionar a elimina\u00e7\u00e3o do desmatamento ilegal, por meio do C\u00f3digo Florestal, reiterando a promessa da carta que enviara a Biden na semana passada. Anunciou, tamb\u00e9m, que o Brasil reduzir\u00e1 emiss\u00f5es em 37%, em 2025, e 40%, at\u00e9 2030, alcan\u00e7ando a neutralidade clim\u00e1tica em 2050, ou seja, 10 anos antes da meta prevista pelo Brasil. S\u00e3o objetivos ambiciosos, por\u00e9m ficar\u00e3o por conta dos futuros governos. O problema \u00e9 o agora.<\/p>\n<p>N\u00e3o faltaram refer\u00eancias \u00e0 inclus\u00e3o dos povos ind\u00edgenas e comunidades tradicionais em quest\u00f5es de bioeconomia, bem como \u00e0 melhoria nas condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia. Bolsonaro disse que os mercados de carbono s\u00e3o essenciais para impulsionar investimentos clim\u00e1ticos e anunciou a participa\u00e7\u00e3o do Brasil na Conven\u00e7\u00e3o sobre Diversidade Biol\u00f3gica, na China, em outubro. Aproveitou para pedir ajuda financeira, ao falar da necessidade de pagamentos justos por servi\u00e7os ambientais.<\/p>\n<p>O problema do Brasil \u00e9 que o discurso de Bolsonaro n\u00e3o corresponde aos fatos at\u00e9 agora. Mesmo que a inten\u00e7\u00e3o seja mudar de rumo, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel reconstruir da noite para o dia o que foi destru\u00eddo, desestruturado ou desorganizado em termos de pol\u00edtica ambiental nos \u00faltimos dois anos e quase meio. Bolsonaro precisa dar demonstra\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas de que realmente mudou a pol\u00edtica ambiental. Politicamente, a a\u00e7\u00e3o mais aguardada \u00e9 a demiss\u00e3o do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, o homem que estava \u201cpassando a boiada\u201d na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p><strong>Quest\u00e3o de pr\u00e1tica<\/strong><\/p>\n<p>Dificilmente, com Salles \u00e0 frente do minist\u00e9rio, at\u00e9 por causa dos desgastes que sofreu com os interlocutores internacionais, ambientalistas e cientistas da \u00e1rea, o Brasil conseguir\u00e1 ter acesso expressivo ao fundo de US$ 1 bilh\u00e3o criado por Estados Unidos, Reino Unido e Uni\u00e3o Europeia para preserva\u00e7\u00e3o ambiental. Por causa da extin\u00e7\u00e3o do conselho que dirigia o Fundo da Amaz\u00f4nia, anunciada no in\u00edcio da gest\u00e3o do ministro Salles, Alemanha e Noruega interromperam as doa\u00e7\u00f5es do fundo, que tem uma reserva de R$ 2,9 bilh\u00f5es para combater o desmatamento das florestas, congelada por causa da mudan\u00e7a do modelo de gest\u00e3o dos recursos feita por Salles.<\/p>\n<p>Presidente do Conselho Nacional da Amaz\u00f4nia, o vice-presidente Hamilton Mour\u00e3o n\u00e3o participou do encontro. Foi uma sinaliza\u00e7\u00e3o negativa de empoderamento do ministro Salles, que est\u00e1 na mesma situa\u00e7\u00e3o em que j\u00e1 ficaram o ex-ministro da Sa\u00fade Eduardo Pazuello e o ex-chanceler Ernesto Ara\u00fajo: \u201cse ferraram\u201d cumprindo cegamente as ordens negacionistas do presidente da Rep\u00fablica. E acabaram com a cabe\u00e7a entregue numa bandeja para seus cr\u00edticos.<\/p>\n<p>Bolsonaro subordinou as a\u00e7\u00f5es do governo aos interesses de setores radicais de sua base eleitoral, como pecuaristas, madeireiros, garimpeiros e grileiros. O impacto do desmonte da pol\u00edtica ambiental no desmatamento, na invas\u00e3o de terras ind\u00edgenas e nos indicadores de viol\u00eancia no campo escandalizou o mundo. O pecado original foi a aposta de Bolsonaro no negacionismo e poder do ex-presidente Donald Trump, seu aliado principal. Com a elei\u00e7\u00e3o do democrata Joe Biden, que reposicionou os Estados Unidos na cena mundial, se tornou mesmo um \u201cp\u00e1ria\u201d internacional. Os Estados Unidos voltaram a ser protagonistas na luta contra o aquecimento global. O isolamento do governo brasileiro exigiu uma mudan\u00e7a de rumo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bolsonaro precisa dar demonstra\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas de que mudou a pol\u00edtica ambiental. 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