{"id":5988,"date":"2021-08-08T08:15:49","date_gmt":"2021-08-08T11:15:49","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=5988"},"modified":"2021-08-08T08:15:49","modified_gmt":"2021-08-08T11:15:49","slug":"nas-entrelinhas-o-partido-fardado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-o-partido-fardado\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas: O partido fardado"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>O confronto aberto de Bolsonaro com o Supremo e o TSE, a prop\u00f3sito da seguran\u00e7a das urnas eletr\u00f4nicas, \u00e9 uma armadilha que precisa ser desarmada<\/strong><\/em><\/p>\n<p>O ex-ministro da Defesa Raul Julgmann, em artigos, entrevistas e lives, vem reiterando a necessidade de o Congresso debater a quest\u00e3o militar no Brasil, para definir claramente a pol\u00edtica de Defesa Nacional, o papel das For\u00e7as Armadas, suas rela\u00e7\u00f5es com a sociedade e os limites da participa\u00e7\u00e3o dos militares da ativa na administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Esse debate est\u00e1 na ordem do dia, protagonizado por estudiosos e militares da reserva, em raz\u00e3o das atitudes e declara\u00e7\u00f5es golpistas do presidente Jair Bolsonaro e da presen\u00e7a de grande n\u00famero de militares no seu governo, muitos dos quais da ativa.<\/p>\n<p>As interven\u00e7\u00f5es militares na vida pol\u00edtica republicana foram frequentes: 1889 (Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica), 1893 (Revolta da Armada), 1922 (os 18 do Forte), 1924 (Revolu\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Paulo e in\u00edcio da Coluna Prestes), 1930 (a Revolu\u00e7\u00e3o), 1935 (a Intentona), 1937 (o Estado Novo), 1945 (deposi\u00e7\u00e3o de Vargas), 1954 (suic\u00eddio de Get\u00falio), 1954 (Memorial dos coron\u00e9is), 1955 (a \u201cNovembrada\u201d, deposi\u00e7\u00e3o de Carlos Luz e Caf\u00e9 Filho), 1956 (Jacareacanga), 1959 (Aragar\u00e7as), 1961 (tentativa de impedimento de Goulart), 1963 (revolta dos sargentos), 1964 (deposi\u00e7\u00e3o de Goulart), 1968 (AI-5).<\/p>\n<p>Essas interven\u00e7\u00f5es nunca tiveram um car\u00e1ter moderador; a maioria atalhou ou afrontou a democracia, sendo derrotada. As que foram vitoriosas, quase sempre, arrastaram a c\u00fapula militar para aventuras pol\u00edticas e resultaram em regimes autorit\u00e1rios. Atos institucionais, fechamento do Congresso, cassa\u00e7\u00e3o de mandatos e decretos-lei n\u00e3o t\u00eam esse car\u00e1ter moderador. Foram obra do chamado \u201cpartido fardado\u201d, que agora o presidente Jair Bolsonaro tenta ressuscitar, como um n\u00e1ufrago do passado.<\/p>\n<p>O \u201cpartido fardado\u201d, na defini\u00e7\u00e3o de Oliveiros S. Ferreira, \u201c\u00e9 mais estado de esp\u00edrito que organiza\u00e7\u00e3o\u201d. Existiu at\u00e9 o governo do general Em\u00edlio M\u00e9dici, como se fosse obra de quem buscasse, em diferentes momentos, \u201caglutinar os que se consideravam os reais defensores da ordem (um Estado bem-ordenado) e dos valores que as Armas haviam inscrito em suas almas, devendo agir contra qualquer governo que os amea\u00e7asse.\u201d<\/p>\n<p>No contexto de sucessivas derrotas eleitorais do regime militar, o que matou o \u201cpartido fardado\u201d foi a hierarquia. A lei de Castelo Branco sobre as promo\u00e7\u00f5es e o decreto-lei da \u201cexpuls\u00f3ria\u201d consagraram o princ\u00edpio do chefe. A demiss\u00e3o do general Sylvio Frota do Minist\u00e9rio do Ex\u00e9rcito pelo presidente Ernesto Geisel foi a sua morte. Alguns setores mais radicais ainda tentaram uma rea\u00e7\u00e3o, no governo Figueiredo, inclusive por meio de atentados terroristas, como a bomba do Rio Centro, no Rio de Janeiro, mas fracassaram. A partir da elei\u00e7\u00e3o de Tancredo Neves, em 1985, os governos civis n\u00e3o mais precisaram se preocupar com os militares e sua vis\u00e3o da ordem, nem com a preserva\u00e7\u00e3o dos valores castrenses. At\u00e9 a forma\u00e7\u00e3o do atual governo.<\/p>\n<p><strong>Armadilha<\/strong><br \/>\nAp\u00f3s a vit\u00f3ria eleitoral de 2018, Jair Bolsonaro formou seu Estado-Maior com os generais da reserva e da ativa que o apoiaram. Diante das consequ\u00eancias, alguns se afastaram e t\u00eam se manifestado publicamente contra as atitudes do presidente da Rep\u00fablica. Bolsonaro tenta empregar as For\u00e7as Armadas na disputa pol\u00edtica, o que \u00e9 ilegal, n\u00e3o apenas para a sua reelei\u00e7\u00e3o, mas para mudar a natureza do regime pol\u00edtico consagrado pela Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, o que \u00e9 uma aventura golpista. Esses objetivos est\u00e3o cada vez mais claros, em suas atitudes e declara\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Um pequeno grupo de generais, liderado pelo atual ministro da Defesa, general Braga Netto, compartilha desses prop\u00f3sitos e tensiona a alta hierarquia das For\u00e7as Armadas, principalmente do Ex\u00e9rcito. Entretanto, a recidiva do \u201cpartido fardado\u201d esbarra, novamente, na exist\u00eancia de leis e regulamentos, al\u00e9m de uma cadeia de comando constitu\u00edda por crit\u00e9rios profissionais de antiguidade e de meritocracia. Nem por isso, por\u00e9m, a quest\u00e3o deve ser subestimada.<\/p>\n<p>Bolsonaro j\u00e1 demitiu um ministro da Defesa e os comandantes das tr\u00eas For\u00e7as; Braga Netto endossa o radicalismo do presidente da Rep\u00fablica e constrange os chefes militares. Nesse aspecto , o confronto aberto de Bolsonaro com o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a prop\u00f3sito da seguran\u00e7a das urnas eletr\u00f4nicas, \u00e9 uma armadilha, que pode ser desarmada pela C\u00e2mara, ao enterrar a pol\u00eamica sobre o voto impresso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O confronto aberto de Bolsonaro com o Supremo e o TSE, a prop\u00f3sito da seguran\u00e7a das urnas eletr\u00f4nicas, \u00e9 uma armadilha que precisa ser desarmada O ex-ministro da Defesa Raul Julgmann, em artigos, entrevistas e lives, vem reiterando a necessidade de o Congresso debater a quest\u00e3o militar no Brasil, para definir claramente a pol\u00edtica de Defesa Nacional, o papel das [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":39,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,46,4,7,972,113,8,9,3,44,68],"tags":[130,77,351,114,79],"class_list":["post-5988","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-congresso","category-eleicoes","category-governo","category-justica","category-memoria","category-militares","category-partidos","category-politica-2","category-politica","category-terrorismo","category-violencia","tag-bolsonaro","tag-congresso","tag-ditadura","tag-militares","tag-supremo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5988","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/39"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5988"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5988\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5995,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5988\/revisions\/5995"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5988"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5988"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5988"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}