{"id":6159,"date":"2021-10-01T07:13:50","date_gmt":"2021-10-01T10:13:50","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=6159"},"modified":"2021-10-01T07:13:50","modified_gmt":"2021-10-01T10:13:50","slug":"nas-entrelinhas-a-desagregacao-do-centro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-a-desagregacao-do-centro\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas: A desagrega\u00e7\u00e3o do centro"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>\u00c9 cada vez mais dif\u00edcil o surgimento da chamada terceira via, uma candidatura que unifique o centro pol\u00edtico. A fragmenta\u00e7\u00e3o \u00e9 muito grande. <\/strong><\/em><\/p>\n<p>Todas as pesquisas confirmam o cen\u00e1rio de polariza\u00e7\u00e3o para as elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2022, entre o ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT), favorito na disputa, em torno de 40% de inten\u00e7\u00f5es de votos, e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), cuja reelei\u00e7\u00e3o est\u00e1 cada vez mais dif\u00edcil, com teto nos 30% dos votos. O governador de S\u00e3o Paulo, Jo\u00e3o Doria, n\u00e3o sai da faixa dos 3% de inten\u00e7\u00f5es de votos, como candidato do PSDB. Se o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, fosse o candidato do PSDB, tamb\u00e9m n\u00e3o haveria grande modifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O candidato de oposi\u00e7\u00e3o que aparece com melhor pontua\u00e7\u00e3o \u00e9 o ex-governador do Cear\u00e1 Ciro Gomes (PDT), que se mant\u00e9m em terceiro lugar, variando de 5% a 11%, dependendo da pesquisa. Entretanto, o pedetista n\u00e3o consegue ampliar suas alian\u00e7as ao centro. A estagna\u00e7\u00e3o nas pesquisas eleitorais dificulta a vida de Doria, na medida em que o ga\u00facho Eduardo Leite corre na mesma faixa, o que aumenta o isolamento interno do governador paulista nas pr\u00e9vias do PSDB.<\/p>\n<p>\u00c9 cada vez mais dif\u00edcil o surgimento da chamada terceira via, uma candidatura que unifique o centro pol\u00edtico. A fragmenta\u00e7\u00e3o \u00e9 muito grande. No primeiro cen\u00e1rio, com Doria, pontuam, nas pesquisas, Jos\u00e9 Luiz Datena (PSL), com 4%; Henrique Mandetta (DEM), 3%; Rodrigo Pacheco (DEM), 2%; Aldo Rebelo (sem\u00a0partido) e Alessandro Vieira (Cidadania), com 1% cada. No segundo cen\u00e1rio, com Leite como candidato do PSDB, Mandetta tem 3%;<br \/>\nDatena, 2%; Pacheco, Aldo e Alessandro, 1%. Esses cen\u00e1rios n\u00e3o podem ser engessados \u2014 estamos a um ano das elei\u00e7\u00f5es. Entretanto, mostram grande descolamento dos partidos de centro de suas bases eleitorais tradicionais.<\/p>\n<p>A novidade no quadro partid\u00e1rio \u00e9 a anunciada fus\u00e3o do DEM com o PSL, partido pelo qual Bolsonaro se elegeu, mas, depois, rompeu. Com a fus\u00e3o, passar\u00e3o a se chamar Uni\u00e3o Brasil, com o n\u00famero 44, escolhas feitas com base em pesquisas qualitativas. Ser\u00e1 o maior partido da C\u00e2mara, com 81 deputados, o que garante para a nova legenda R$ 320 milh\u00f5es de fundo eleitoral e R$ 138 milh\u00f5es de fundo partid\u00e1rio. A nova legenda tem, ainda, sete senadores, quatro governadores e 554 prefeitos. Entretanto, n\u00e3o consegue alavancar seus pr\u00e9-candidatos: Mandetta tem apenas 3% de inten\u00e7\u00e3o de votos, e Pacheco varia entre 1% e 2%, dependendo da sondagem.<\/p>\n<p><strong>Expectativas<\/strong><br \/>\nO PSDB vive um momento de grande divis\u00e3o interna. De certa forma, a disputa entre os tucanos paralisa os demais atores pol\u00edticos de centro, que aguardam a escolha do candidato da legenda. Quem quer que seja o escolhido, ter\u00e1 dificuldade para unificar o partido. Al\u00e9m disso, os aliados tradicionais tamb\u00e9m est\u00e3o se colocando como alternativa, com seus pr\u00f3prios candidatos. O PSDB deixou de ser uma for\u00e7a agregadora do centro. Quem vencer as pr\u00e9vias precisar\u00e1 fazer um grande esfor\u00e7o para reconstruir suas alian\u00e7as tradicionais.<\/p>\n<p>Outro ator importante na constru\u00e7\u00e3o de uma alternativa de centro \u00e9 o PSD, de Gilberto Kassab, que assedia o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG). Kassab atraiu para a legenda o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, que ensaia disputar o governo fluminense, e o ex-governador paulista Geraldo Alckmin, que pretende voltar ao Pal\u00e1cio dos Bandeirantes. Com habilidade, Kassab trabalhou nos \u00faltimos anos para reunir 35 deputados, 11 senadores, dois governadores e 654 prefeitos.<\/p>\n<p>Entretanto, o PSD corre o risco de ficar na mesma situa\u00e7\u00e3o do MDB, que n\u00e3o tem, at\u00e9 agora, um projeto de candidatura pr\u00f3pria, embora a senadora Simone Tebet (MS) pleiteie a vaga e o ex-presidente Michel Temer tenha voltado \u00e0 ribalta. O MDB tem 16 senadores, 34 deputados, tr\u00eas governadores e 784 prefeitos. Tanto o PSD quanto o MDB podem derivar para a candidatura de Lula, o que aumentaria as suas chances de vencer no primeiro turno. O petista anda trabalhando nos bastidores para montar seus palanques regionais e n\u00e3o desistiu de suas velhas alian\u00e7as, inclusive com o Centr\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 cada vez mais dif\u00edcil o surgimento da chamada terceira via, uma candidatura que unifique o centro pol\u00edtico. A fragmenta\u00e7\u00e3o \u00e9 muito grande. 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