{"id":6238,"date":"2021-10-26T06:32:22","date_gmt":"2021-10-26T09:32:22","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=6238"},"modified":"2021-10-26T09:15:54","modified_gmt":"2021-10-26T12:15:54","slug":"nas-entrelinhas-qual-e-a-agenda-de-pacheco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-qual-e-a-agenda-de-pacheco\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas: Qual \u00e9 a agenda de Pacheco?"},"content":{"rendered":"<blockquote><p><em><strong>Simbolicamente, o presidente do Senado \u00e9 o primeiro pr\u00e9-candidato de centro a sinalizar um projeto nacional, inspirado no governo de Juscelino Kubitschek<\/strong><\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso costuma dizer que a elei\u00e7\u00e3o para a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica precisa ser \u201cfulanizada\u201d, ou seja, \u00e9 uma disputa entre indiv\u00edduos que encarnam alguma coisa e n\u00e3o entre partidos. Traduzindo para a chamada \u201cterceira via\u201d, uma alternativa de poder que se contraponha ao ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT), que lidera as pesquisas de opini\u00e3o, e ao presidente Jair Bolsonaro, que se movimento em fun\u00e7\u00e3o da reelei\u00e7\u00e3o, n\u00e3o depende apenas de um nome. Para chegar ao segundo turno, o candidato precisaria encarnar um projeto nacional que se contraponha a ambos.<\/p>\n<p>Na pol\u00edtica brasileira, na base da \u201ctransa\u201d eleitoral, a \u201cpequena pol\u00edtica\u201d obscurece a grande. Quem observa as articula\u00e7\u00f5es em curso ainda n\u00e3o consegue identificar um pr\u00e9-candidato de centro com um projeto robusto para o pa\u00eds. Se sobram candidatos, falta uma plataforma pol\u00edtica, muito mais do que uma narrativa. O debate sobre a PEC dos Precat\u00f3rios, em discuss\u00e3o na C\u00e2mara, ilustra bem como h\u00e1 um vazio program\u00e1tico ao centro. O ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva e o presidente Jair Bolsonaro est\u00e3o se lixando para o chamado equil\u00edbrio fiscal na campanha eleitoral.<\/p>\n<p>Ministro da Economia, Paulo Guedes detonou sua equipe do Tesouro, para viabilizar o chamado Aux\u00edlio Brasil, no valor de R$ 400,00, avaliado pelo Centr\u00e3o e pelo Pal\u00e1cio do Planalto como um instrumento capaz de recuperar a popularidade de Bolsonaro junto aos eleitores pobres, que derivaram de volta \u00e0s bases eleitorais de Lula, principalmente no Nordeste. O petista n\u00e3o \u00e9 bobo e est\u00e1 defendendo que o valor do aux\u00edlio seja aumentado para R$ 600. N\u00e3o ser\u00e1 surpresa alguma se a C\u00e2mara aprovar esse aumento de 50% na proposta original, como aconteceu com o aux\u00edlio emergencial concedido na pandemia. Os deputados tamb\u00e9m est\u00e3o correndo atr\u00e1s de votos.<\/p>\n<p>Muitos analistas de mercado e agentes econ\u00f4micos arrancam os cabelos com o impacto da medida na economia, por causa da desvaloriza\u00e7\u00e3o do Real e da queda do valor das a\u00e7\u00f5es nas bolsas. Entretanto, sempre h\u00e1 ganhadores numa economia capitalista. O setor exportador, por exemplo, ganha muito com isso. Tamb\u00e9m ganham megainvestidores, que aproveitam a baixa para comprar a\u00e7\u00f5es ou mesmo empresas em dificuldades. E \u201cla nave va\u201d\u2026<\/p>\n<p><strong>Desenvolvimentismo<\/strong><br \/>\nA novidade da semana \u00e9 o poss\u00edvel lan\u00e7amento da pr\u00e9-candidatura do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (MG), que amanh\u00e3 se filiar\u00e1 ao PSD, num grande ato no Memorial JK. Simbolicamente, \u00e9 o primeiro candidato de centro a sinalizar um projeto nacional, inspirado no governo de Juscelino Kubitschek. No Brasil da d\u00e9cada de 1950, como agora, era preciso ousar. JK prometeu 50 anos de progresso em 5 anos de realiza\u00e7\u00f5es, com pleno respeito \u00e0s institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Seu projeto desenvolvimentista, com 30 objetivos, ficou conhecido como Plano de Metas. De \u00faltima hora, tirou da cartola mais um: a constru\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia e a transfer\u00eancia da capital federal. Ao contr\u00e1rio de Pacheco, cuja carreira mete\u00f3rica tem seu leito no Legislativo, gra\u00e7as ao bin\u00f4mio energia e transportes, Juscelino deixava o governo de Minas (1951-1955) com um perfil desenvolvimentista. N\u00e3o era um projeto nacionalista, suas diretrizes foram herdadas da famosa Comiss\u00e3o Mista Brasil-Estados Unidos, que funcionou de entre 1951 e 1953, no governo Vargas.<\/p>\n<p>Os estudos indicavam a necessidade de eliminar \u201cpontos de estrangulamento\u201d da economia brasileira: por exemplo, fabricar tratores para mecanizar a nossa agricultura. Quando Lucas Lopes deixou a presid\u00eancia do BNDE para assumir o Minist\u00e9rio de Fazenda, em agosto de 1958, seu lugar foi ocupado por ningu\u00e9m menos do que o economista liberal Roberto Campos. N\u00e3o por acaso a esquerda atacava a sua \u201cpol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o\u201d e n\u00e3o queria, de forma alguma, que voltasse ao poder nas elei\u00e7\u00f5es de 1965, que acabaram canceladas pelos militares no poder. Mas essa j\u00e1 \u00e9 outra hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>O Plano de Metas mencionava cinco setores b\u00e1sicos da economia, para os quais os investimentos p\u00fablicos e privados deveriam ser canalizados. Os mais aquinhoados foram energia, transportes e ind\u00fastrias de base, num total de 93% dos recursos. Alimenta\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o foram preteridos; Bras\u00edlia n\u00e3o integrava nenhuma delas. Apesar da infla\u00e7\u00e3o, com a industrializa\u00e7\u00e3o, JK mudou o Brasil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Simbolicamente, o presidente do Senado \u00e9 o primeiro pr\u00e9-candidato de centro a sinalizar um projeto nacional, inspirado no governo de Juscelino Kubitschek O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso costuma dizer que a elei\u00e7\u00e3o para a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica precisa ser \u201cfulanizada\u201d, ou seja, \u00e9 uma disputa entre indiv\u00edduos que encarnam alguma coisa e n\u00e3o entre partidos. 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