{"id":6241,"date":"2021-10-28T06:28:53","date_gmt":"2021-10-28T09:28:53","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=6241"},"modified":"2021-10-28T07:07:41","modified_gmt":"2021-10-28T10:07:41","slug":"nas-entrelinhas-o-desafio-de-pacheco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-o-desafio-de-pacheco\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas: O desafio de Pacheco"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>A pol\u00edtica mineira \u00e9 polarizada pelo governador Romeu Zema Neto (Novo) e o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), que est\u00e1 no segundo mandato<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Para bom entendedor, \u201cOh! Minas Gerais\u201d, de Jos\u00e9 Duduca de Moraes, cantor e compositor mineiro, em parceria com Manoel Ara\u00fajo, disse tudo. Inspirada na melodia da napolitana \u201cVieni Sur Mar\u201d, que chegou ao Brasil no final do s\u00e9culo 19, a can\u00e7\u00e3o embalou o ato de filia\u00e7\u00e3o do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, ao PSD do ex-prefeito de S\u00e3o Paulo Gilberto Kassab. A bancada mineira no Congresso compareceu em peso, mas o desafio de unir Minas para projetar sua candidatura \u00e0 Presid\u00eancia em n\u00edvel nacional ainda \u00e9 um longo caminho a percorrer.<\/p>\n<p>Juntar os mineiros n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, mas \u00e9 poss\u00edvel, em torno de um projeto nacional. Entretanto, constitui um desafio \u00e0 altura das figuras de Juscelino Kubitschek e de Tancredo Neves, o presidente eleito em 1985, no col\u00e9gio eleitoral, para p\u00f4r fim ao regime militar e que n\u00e3o chegou a tomar posse. A can\u00e7\u00e3o \u00e9 um bom exemplo de que os caminhos de Minas n\u00e3o s\u00e3o um passeio pelo Eixo Monumental, no qual se situa o Memorial JK, que abrigou o ato de filia\u00e7\u00e3o de Pacheco. Nunca se chegou a um acordo quanto ao hino oficial dos mineiros. Em 1985, um concurso desclassificou as 72 composi\u00e7\u00f5es inscritas. Em 1992, o n\u00famero de desclassificadas subiu para 570.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s podemos construir as solu\u00e7\u00f5es do Brasil num \u00fanico ambiente. O ambiente da uni\u00e3o. N\u00f3s precisamos estar uni- dos, significa buscar as converg\u00eancias e respeitar as diferen\u00e7as. Quando tivermos esse sentimento de uni\u00e3o, deixando para l\u00e1 polariza\u00e7\u00e3o, radicaliza\u00e7\u00e3o, ex- tremismo, e entender que a m\u00e9dia do brasileiro \u00e9 de pessoas de bem, dentro desse processo de uni\u00e3o invocar algo fundamental: respeito. Est\u00e1 faltando respeito no Brasil, e n\u00f3s precisamos provocar cada vez mais a respeitabilidade entre poderes, institui\u00e7\u00f5es, entre as pessoas\u201d, conclamou Pacheco. A uni\u00e3o precisa come\u00e7ar por Minas, o segundo maior col\u00e9gio eleitoral do pa\u00eds, com 15,7 milh\u00f5es de eleitores.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica mineira hoje \u00e9 polarizada pelo governador Romeu Zema Neto (Novo), eleito no segundo turno com 6,9 milh\u00f5es de votos (72,80% dos votos v\u00e1lidos), e o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), que est\u00e1 no segundo mandato e \u00e9 um potencial candidato ao governo de Minas. O senador Ant\u00f4nio Anastasia, hoje no PSD, advers\u00e1rio de Zema em 2018, \u00e9 aliado de Pacheco. Para alguns interlocutores, a sa\u00edda de Pacheco do DEM muda o sistema de alian\u00e7as no estado e o coloca em oposi\u00e7\u00e3o ao governador Zema.<\/p>\n<p><strong>Folclore<\/strong><br \/>\n\u00c9 cedo para uma conclus\u00e3o, o fato de n\u00e3o se lan\u00e7ar candidato formalmente indica que h\u00e1 muitas conversas a serem feitas. Ningu\u00e9m ganha a elei\u00e7\u00e3o \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica sem o apoio da maioria dos mineiros. A\u00e9cio Neves (PSDB) que o diga: ganhou em S\u00e3o Paulo, mas perdeu para Dilma Rousseff em Minas, nas elei\u00e7\u00f5es de 2014. Minas pode alavancar uma candidatura robusta \u00e0 Presid\u00eancia.<\/p>\n<p>Kassab exumou a velha legenda do PSD \u2014 Partido Social Democr\u00e1tico, criado por Get\u00falio Vargas para abrigar seus aliados conservadores. Os mineiros foram grandes expoentes da legenda, que gostava de poder. Reunia pol\u00edticos refinados intelectualmente, como Gustavo Capanema e Virg\u00edlio de Melo Franco, e raposas pol\u00edticas, como Jos\u00e9 Maria Alckmin, que foi vice de Castelo Branco, e Benedito Valadares, governador de Minas por 12 anos. Seus \u201ccausos\u201d pontificam o folclore pol\u00edtico mineiro.<\/p>\n<p>Em 1933, quando morreu Oleg\u00e1rio Maciel, governador de Minas, Get\u00falio Vargas escolheu um interventor para suced\u00ea- lo. Capanema ocupava o cargo interinamente e imaginava que seria efetivado. Seu concorrente era Melo Franco. Bo\u00eamio e bon vivant, sem o mesmo brilho intelectual, Benedito Valadares era considerado carta fora do baralho. Get\u00falio anunciou o nome pela R\u00e1dio Nacional. A voz de Get\u00falio foi cortada por chiados.<\/p>\n<p>\u2013&#8230; Mineiro&#8230; sshhh&#8230; interventor \u00e9&#8230; sshhh&#8230; Valadares.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m esperava esse desfecho. Muita gente perguntava: \u201cMas ser\u00e1 o Benedito?\u201d<br \/>\nE assim surgiu a express\u00e3o usada quando alguma coisa acontece sem ser esperada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pol\u00edtica mineira \u00e9 polarizada pelo governador Romeu Zema Neto (Novo) e o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), que est\u00e1 no segundo mandato Para bom entendedor, \u201cOh! Minas Gerais\u201d, de Jos\u00e9 Duduca de Moraes, cantor e compositor mineiro, em parceria com Manoel Ara\u00fajo, disse tudo. 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