{"id":6415,"date":"2022-01-01T06:58:45","date_gmt":"2022-01-01T09:58:45","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=6415"},"modified":"2022-01-01T06:58:45","modified_gmt":"2022-01-01T09:58:45","slug":"nas-entrelinhas-tudo-e-divino-e-maravilhoso-apesar-das-incertezas-de-2022","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-tudo-e-divino-e-maravilhoso-apesar-das-incertezas-de-2022\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas: Tudo \u00e9 divino e maravilhoso, apesar das incertezas de 2022"},"content":{"rendered":"<h4><em>Ser\u00e1 um ano muito duro, de grandes incertezas, mas a vida sempre vale a pena, se a alma n\u00e3o \u00e9 pequena \u2014 desculpem-me o po\u00e9tico lugar comum<\/em><\/h4>\n<p class=\"texto\">Gosto do nosso cancioneiro popular. Faz a cr\u00f4nica da vida como ela \u00e9, sonha com o que deveria ser. As obras de Sergio Cabral, o pai, e Rui Castro sobre o samba e a Bossa Nova, principalmente, mostram muito como a can\u00e7\u00e3o popular influencia e reflete o comportamento do povo. Em paciente garimpo cultural, Franklin Martins nos conta a hist\u00f3ria pol\u00edtica da Rep\u00fablica, em tr\u00eas volumes, a partir da nossa m\u00fasica popular. Um coment\u00e1rio do antrop\u00f3logo baiano Ant\u00f4nio Ris\u00e9rio sobre a jovem Gal Costa me fez viajar aos anos duros do regime militar. No \u00e1lbum Domingo, de janeiro de 1967, com Caetano Veloso, Gal escancarava a influ\u00eancia de Jo\u00e3o Gilberto. J\u00e1 em Baby, de janeiro de 1969, com can\u00e7\u00f5es que antecederam a rebordosa do Ato Institucional n\u00ba 5, mostra que a Tropic\u00e1lia antecedeu o endurecimento do regime e o ex\u00edlio de Caetano e Gilberto Gil.<\/p>\n<p class=\"texto\">Ou\u00e7o Divino Maravilhoso: &#8220;Aten\u00e7\u00e3o Tudo \u00e9 perigoso\/ Tudo \u00e9 divino maravilhoso\/ Aten\u00e7\u00e3o para o refr\u00e3o\/ \u00c9 preciso estar atento e forte\/ N\u00e3o temos tempo de temer a morte\/ \u00c9 preciso estar atento e forte\/ N\u00e3o temos tempo de temer a morte&#8221;. Em tempos de necropol\u00edtica, o tema da morte se tornou recorrente. J\u00e1 s\u00e3o dois anos de pandemia no Brasil, com saldo de 619 mil mortos nesta largada de 2022. Entretanto, precisamos celebrar a vida, como no c\u00e9lebre LP Tropic\u00e1lia ou Panis et Circencis, de 1968, de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Os Mutantes e Tom Z\u00e9.<\/p>\n<p class=\"texto\">O movimento influenciou H\u00e9lio Oiticica nas artes pl\u00e1sticas, Glauber Rocha no Cinema Novo, Jos\u00e9 Celso Martinez Corr\u00eaa no teatro brasileiro. Mexeu muito com a nossa m\u00fasica popular, embora tenha resultado na pris\u00e3o e, depois, em tr\u00eas anos de ex\u00edlio para a dupla Caetano e Gil.<\/p>\n<p class=\"texto\">Mesmo assim, a esperan\u00e7a n\u00e3o morreu, como aquela menina dos olhos verdes de Mario Quintana. \u00c9 o nosso caso neste ano: 2022 se inicia arrastando as correntes do passado. Ser\u00e1 um ano muito duro, de grandes incertezas, mas a vida sempre vale a pena, se a alma n\u00e3o \u00e9 pequena \u2014 desculpem-me o po\u00e9tico lugar comum.<\/p>\n<h3>Ancoragem<\/h3>\n<p class=\"texto\">Quais s\u00e3o as nossas grandes incertezas de 2022? A primeira \u00e9 a pandemia, claro. A variante \u00f4micron avan\u00e7a numa velocidade in\u00e9dita pelo mundo, mas \u00e9 menos letal e a vacina\u00e7\u00e3o em massa vem sendo eficaz para evitar interna\u00e7\u00f5es e mortes, exceto para os n\u00e3o vacinados. Dessa vari\u00e1vel sanit\u00e1ria resultar\u00e3o o n\u00edvel de atividade econ\u00f4mica e o fluxo das cadeias globais de com\u00e9rcio.<\/p>\n<p class=\"texto\">A segunda \u00e9 econ\u00f4mica, principalmente a infla\u00e7\u00e3o e o n\u00edvel de emprego, em raz\u00e3o do problema fiscal. O governo furou o teto de gastos, o Banco Central (BC) elevou os juros e os agentes econ\u00f4micos seguram os investimentos. Recess\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de agravamento da crise social, que j\u00e1 registra 54% da popula\u00e7\u00e3o com algum n\u00edvel de inseguran\u00e7a alimentar.<\/p>\n<p class=\"texto\">A terceira incerteza chama-se Jair Bolsonaro. O presidente da Rep\u00fablica \u00e9 imprevis\u00edvel, n\u00e3o respeita os paradigmas da pol\u00edtica democr\u00e1tica nem seus limites constitucionais. Somente a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as pol\u00edticas o cont\u00e9m. At\u00e9 que ponto ela ser\u00e1 suficiente para resguardar as institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas?<\/p>\n<p class=\"texto\">Do ponto de vista econ\u00f4mico, o Brasil est\u00e1 ancorado nas suas contas externas, com reservas de US$ 364,2 bilh\u00f5es, e na produ\u00e7\u00e3o do setor agropecu\u00e1rio, que deve bater novos recordes. Entretanto, isso n\u00e3o resolve os problemas do povo, apenas consolida um modelo agr\u00e1rio-exportador e fortalece um projeto pol\u00edtico que lembra muito a receita de Oliveira Vianna, em Popula\u00e7\u00f5es Meridionais do Brasil. \u00c9 a\u00ed que mora o perigo, Bolsonaro tem uma concep\u00e7\u00e3o autorit\u00e1ria de poder e nele pretende permanecer, para levar adiante ideias autocr\u00e1ticas, com apoio de um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o, para o qual governa.<\/p>\n<p class=\"texto\">Essa op\u00e7\u00e3o do presidente \u00e9 uma t\u00e1tica para garantir um lugar no segundo turno nas elei\u00e7\u00f5es, meio caminho para a reelei\u00e7\u00e3o. Mas tamb\u00e9m pode ser uma estrat\u00e9gia, pois trata-se da popula\u00e7\u00e3o que o apoia para impor seus desejos e lhes garantir privil\u00e9gios perante a sociedade. Bolsonaro tamb\u00e9m disp\u00f5e de uma mil\u00edcia pol\u00edtica numerosa e armada at\u00e9 os dentes.<\/p>\n<p>E o divino e maravilhoso? \u00c9 a vida. E s\u00e3o as elei\u00e7\u00f5es de outubro, quando o povo decidir\u00e1 nas urnas qual o destino a seguir. \u00c9 preciso estar atento e forte para que seus resultados sejam respeitados. Venha 2022, estamos a\u00ed!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ser\u00e1 um ano muito duro, de grandes incertezas, mas a vida sempre vale a pena, se a alma n\u00e3o \u00e9 pequena \u2014 desculpem-me o po\u00e9tico lugar comum Gosto do nosso cancioneiro popular. Faz a cr\u00f4nica da vida como ela \u00e9, sonha com o que deveria ser. 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