{"id":646,"date":"2016-06-23T07:11:16","date_gmt":"2016-06-23T10:11:16","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=646"},"modified":"2016-06-23T10:45:04","modified_gmt":"2016-06-23T13:45:04","slug":"nas-entrelinhas-delacao-vera","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-delacao-vera\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas: Dela\u00e7\u00e3o \u00e0 vera"},"content":{"rendered":"<p>Investiga\u00e7\u00f5es revelam a exist\u00eancia de muitas conex\u00f5es entre a Odebrecht e as campanhas de candidatos aliados do PT nos pa\u00edses onde a empresa tem obras financiadas pelo BNDES<\/p>\n<p>O empres\u00e1rio norte-americano Percival Farquhar (1864-1953) foi uma das figuras mais controvertidas da hist\u00f3ria econ\u00f4mica do Brasil. Natural da Pensilv\u00e2nia, formou-se em engenharia na Universidade de Yale e tornou-se um magnata dos transportes, da energia e da minera\u00e7\u00e3o no come\u00e7o do s\u00e9culo passado. Seu imp\u00e9rio incluiu os bondes em Nova Iorque, a Companhia de Eletricidade de Cuba, ferrovias na Guatemala e minas na Europa Central. Na R\u00fassia, negociou seus investimentos nesses setores pessoalmente com L\u00eanin, para quem \u201co socialismo era a eletrifica\u00e7\u00e3o\u201d. Entre 1905 e 1918, foi o maior investidor privado do Brasil.<\/p>\n<p>Seus interesses por aqui surgiram ap\u00f3s a anexa\u00e7\u00e3o do Acre, por causa da borracha. Construiu o porto de Bel\u00e9m e a famosa estrada Madeira-Mamor\u00e9. No ramo ferrovi\u00e1rio, adquiriu o controle e concluiu as ferrovias S\u00e3o Paulo-Rio Grande, Sorocabana e Vit\u00f3ria-Minas. Explorou as jazidas de ferro de Itabira (MG) e implantou uma sider\u00fargica em Santa Cruz (ES), neg\u00f3cios que deram origem \u00e0 Companhia Vale do Rio Doce. Amante dos bons restaurantes e hot\u00e9is, construiu em S\u00e3o Paulo a Rotisserie Sportsman, para o qual contratou o chef Henri Galon, do famoso Elis\u00e9e Palace Hotel de Paris. Na mesma \u00e9poca, deu in\u00edcio \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do balne\u00e1rio de Guaruj\u00e1, onde comprou e reformou o Grande Hotel de La Plage.<\/p>\n<p>Farquhar rivalizou em ambi\u00e7\u00e3o e aud\u00e1cia com o Conde Francisco Matarazzo e com Irineu Evangelista de Sousa, o Visconde de Mau\u00e1. Foi \u00e0 fal\u00eancia duas vezes, na I Guerra Mundial (1014-1918) e no Grande Recess\u00e3o de 1929. Quem lhe deu o golpe miseric\u00f3rdia foi o presidente Get\u00falio Vargas, durante o Estado Novo (1937-1945), ao estatizar suas propriedades. Sua hist\u00f3ria nos remete ao empres\u00e1rio falido Eike Batista, cujo imp\u00e9rio desmoronou, mas n\u00e3o \u00e9 dele que estamos falando. Nosso personagem \u00e9 outro candidato \u00e0 ru\u00edna espetacular: o empres\u00e1rio Marcelo Odebrecht, o ex-presidente da maior empreiteira do pa\u00eds, que negocia sua dela\u00e7\u00e3o premiada e promete entregar todos os pol\u00edticos que receberam dinheiro da sua companhia, na tentativa desesperada de salvar os neg\u00f3cios da fam\u00edlia no Brasil, na \u00c1frica e na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Ontem, Camilo Gornarti, respons\u00e1vel pela inform\u00e1tica utilizada pelo \u201csetor de propina\u201d da Odebrecht, afirmou \u00e0 Justi\u00e7a Federal que o servidor do sistema ficava na Su\u00ed\u00e7a \u201cpor quest\u00f5es de seguran\u00e7a\u201d. A exist\u00eancia do mesmo havia sido revelado por Maria L\u00facia Tavares, que era respons\u00e1vel dentro do Setor de Opera\u00e7\u00f5es Estruturadas da Odebrecht por gerenciar requerimentos de propina e repass\u00e1-los aos entregadores, que por sua vez fariam chegar os recursos aos destinat\u00e1rios finais. As comunica\u00e7\u00f5es eram feitas atrav\u00e9s de um sistema de intranet chamado Drousys. Marcelo Odebrecht resolveu \u201cprofissionalizar\u201d, \u201cmodernizar\u201d e \u201cglobalizar\u201d o esquema da propina.<\/p>\n<p>Cervejaria<br \/>\nGornarti \u00e9 testemunha de acusa\u00e7\u00e3o contra o ex-presidente da empresa Marcelo Odebrecht e o publicit\u00e1rio Jo\u00e3o Santana, que teria recebido dinheiro de caixa dois no exterior, em pagamento da campanha de Dilma Rousseff, com base em acerto feito entre a presidente afastada e o empres\u00e1rio preso em Curitiba. Segundo ele, o sistema funcionou entre os anos de 2008 e 2014. Quando foi bloqueado pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico federal, um novo sistema foi criado na Su\u00ed\u00e7a e esteve operacional at\u00e9 dois meses atr\u00e1s. Em sua defesa, Santana alegou que os recursos obtidos no exterior tinham origem nas campanhas eleitorais que fez v\u00e1rios pa\u00edses, como Angola, Argentina, Equador e Rep\u00fablica Dominicana. Outras dela\u00e7\u00f5es e informa\u00e7\u00f5es obtidas nas investiga\u00e7\u00f5es revelam a exist\u00eancia de muitas conex\u00f5es entre a Odebrecht e as campanhas de candidatos aliados do PT nos pa\u00edses onde a empresa tem obras financiadas pelo BNDES.<\/p>\n<p>Outro delator, Vin\u00edcius Veiga Borin, revelou a exist\u00eancia de um banco para operar o esquema da propina. Para fazer as opera\u00e7\u00f5es financeiras no exterior, um grupo de funcion\u00e1rios da Odebrecht teve a ideia de comprar 51% do Meinl Bank Antigua, um banco austr\u00edaco que tinha uma filial sem atividade em Ant\u00edgua. Foram acertados pagamentos de US$ 3 milh\u00f5es e mais quatro parcelas anuais de US$ 246 mil para a compra de 51% do Meinl Bank Antiqua. Essa sociedade foi dividida em tr\u00eas partes: uma para Borin e seus s\u00f3cios, uma para os funcion\u00e1rios da Odebrecht, e uma terceira para Vanu\u00ea Farias, que teve US$ 50 milh\u00f5es bloqueados, e vendeu sua participa\u00e7\u00e3o para os outros dois grupos, que ainda compraram mais a\u00e7\u00f5es do Meinl Bank Antiqua e chegaram a 67% da sociedade. Vanu\u00ea \u00e9 sobrinho de Walter Farias, dono da cervejaria Itaipava (Grupo Petr\u00f3polis) e amigo do ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Investiga\u00e7\u00f5es revelam a exist\u00eancia de muitas conex\u00f5es entre a Odebrecht e as campanhas de candidatos aliados do PT nos pa\u00edses onde a empresa tem obras financiadas pelo BNDES O empres\u00e1rio norte-americano Percival Farquhar (1864-1953) foi uma das figuras mais controvertidas da hist\u00f3ria econ\u00f4mica do Brasil. 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