{"id":6821,"date":"2022-05-19T07:27:59","date_gmt":"2022-05-19T10:27:59","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=6821"},"modified":"2022-05-19T07:29:49","modified_gmt":"2022-05-19T10:29:49","slug":"nas-entrelinhas-traido-por-garcia-situacao-de-doria-e-insustentavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-traido-por-garcia-situacao-de-doria-e-insustentavel\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas: Tra\u00eddo por Garcia, situa\u00e7\u00e3o de Doria \u00e9 insustent\u00e1vel"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Pesquisa quantitativa e qualitativa feita sob encomenda para demover Doria apontou a senadora Simone Tebet (MDB-MS) como a candidata mais competitiva de centro, por ter menos rejei\u00e7\u00e3o <\/strong><\/em><\/p>\n<p>Difundiu-se no Ocidente que a palavra Weiji significa crise e oportunidade em chin\u00eas, simultaneamente. Essa tradu\u00e7\u00e3o \u00e9 atribu\u00edda ao linguista norte-americano Benjamin Zimmer, num editorial de um jornal em l\u00edngua inglesa para mission\u00e1rios na China, de 1938. Ganhou popularidade ap\u00f3s um discurso antol\u00f3gico de John F. Kennedy, em Indian\u00e1polis, no dia 12 de abril de 1959. Desde ent\u00e3o, integra o vocabul\u00e1rio otimista de pol\u00edticos, consultores, economistas e executivos. A crise do PSDB seria, assim, uma oportunidade de refunda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O sin\u00f3logo Victor H. Mair, da Universidade da Pensilv\u00e2nia, por\u00e9m, lembra que essa interpreta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 absoluta: enquanto wei significa &#8220;perigo, perigosos; causar perigo, amea\u00e7ar; risco; prec\u00e1rio, precipitado; alto; medo, pavor, receio&#8221;, ji pode ter outros significados, como &#8220;ocasi\u00e3o apropriada, ponto crucial, momento incipiente, segredo, ardil&#8221;. Esse \u00e9 o ponto em que se encontra a crise do PSDB, cuja c\u00fapula resolveu descartar a candidatura do ex-governador Jo\u00e3o Doria, mas ainda n\u00e3o sabe como faz\u00ea-lo por acordo.<\/p>\n<p>O presidente do PSDB, Bruno Ara\u00fajo, n\u00e3o construiu uma sa\u00edda negociada para Doria e percorreu um roteiro que esgar\u00e7ou demais as rela\u00e7\u00f5es dentro do partido, em raz\u00e3o de manobras, dissimula\u00e7\u00f5es e trai\u00e7\u00f5es. A pr\u00e9via realizada para escolher o candidato do PSDB, na qual o exd-governador paulista foi vencedor, revelou-se muito mais um ardil para afast\u00e1-lo do Pal\u00e1cio dos Bandeirantes do que um processo de escolha democr\u00e1tica, como fora concebido na origem.<\/p>\n<p>Doria venceu as pr\u00e9vias com apoio dos que hoje o est\u00e3o defenestrando da candidatura, depois de alijar da disputa o ex-governador ga\u00facho Eduardo Leite, que pleiteava a vaga de candidato a presidente da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>Pela primeira vez em sua hist\u00f3ria, o PSDB n\u00e3o se apresenta como alternativa de poder, abdica de propor os rumos do pa\u00eds. Os bastidores da reuni\u00e3o de ter\u00e7a-feira da c\u00fapula do PSDB, para a qual Doria n\u00e3o foi chamado, nem de longe se parecem com os encontros liderados por Franco Montoro, Jos\u00e9 Richa, M\u00e1rio Covas, Fernando Henrique Cardoso, Jos\u00e9 Serra, Euclides Scalco, Jaime Santana e outros fundadores da legenda.<\/p>\n<p>Muitas vezes, eram almo\u00e7os ou jantares frugais, nos quais a experi\u00eancia pol\u00edtica de alguns e as ideias iluministas de outros teciam uma praxis pol\u00edtica inovadora para os padr\u00f5es brasileiros, em busca de um projeto social-democrata que se plasmasse \u00e0 realidade nacional. Esse PSDB n\u00e3o existe mais, est\u00e1 se acabando melancolicamente.<\/p>\n<p>Naqueles encontros, os interesses do pa\u00eds, a lealdade e o compromisso entre seus l\u00edderes eram mais importantes do que as eventuais diverg\u00eancias sobre como levar adiante as ideias comuns. Hoje, o que est\u00e1 acontecendo n\u00e3o \u00e9 a falta de consenso \u2014 \u00e9 a falta de projeto mesmo. A transa pol\u00edtica passou a ser o modus operandi do PSDB no Congresso.<\/p>\n<p>Sua bancada mergulhou de cabe\u00e7a no or\u00e7amento secreto do Centr\u00e3o e est\u00e1 mais preocupada em aumentar a fatia no fundo eleitoral do que em construir uma alternativa de poder, que se contraponha ao ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva e ao presidente Jair Bolsonaro, que hoje polarizam as elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Falta combinar<\/strong><\/p>\n<p>No domingo passado, Rodrigo Garcia sugeriu a Doria que desistisse da candidatura e lhe comunicou que faria campanha em S\u00e3o Paulo sem sua companhia. Foi um xeque-mate na candidatura. Uma conversa como essa seria inimagin\u00e1vel entre Mario Covas e Geraldo Alckmin ou Jos\u00e9 Serra e Alberto Goldman, por exemplo.<\/p>\n<p>Garcia \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o de Doria, que cometeu o grave erro de terceirizar a pol\u00edtica como governador e cuidar apenas da gest\u00e3o administrativa e financeira de S\u00e3o Paulo, uma das causas de sua rejei\u00e7\u00e3o e da falta de apoio pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Quando Doria descobriu que estava sendo sabotado pelo vice e amea\u00e7ou concorrer \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o, permanecendo no Pal\u00e1cio dos Bandeirantes, era tarde demais. Levou um ultimato dos aliados de Garcia, que amea\u00e7aram at\u00e9 destitui-lo do cargo com um impeachment. Nunca houve um precedente desta ordem na pol\u00edtica paulista. Agora, n\u00e3o existe a menor possibilidade de Doria manter sua candidatura, sem apoio de Garcia, que ocupa o v\u00e9rtice do sistema de poder interno do PSDB pela for\u00e7a do cargo.<\/p>\n<p>Bruno Ara\u00fajo \u00e9 um operador pol\u00edtico do governador paulista. Ontem, na reuni\u00e3o com os presidentes do Cidadania, Roberto Freire, e do PMDB, Baleia Rossi, desligou os aparelhos e decretou a morte cerebral do Doria candidato. Antes, bloqueou os recursos da pr\u00e9-campanha e decidiu cobrar os R$ 12 milh\u00f5es do fundo partid\u00e1rio que j\u00e1 foram gastos pelo ex-governador paulista para se movimentar e estruturar a pr\u00e9-campanha.<\/p>\n<p>Garcia tamb\u00e9m comunicou aos aliados que est\u00e1 fora da campanha de Doria, cujo apoio, agora, se restringe aos empres\u00e1rios amigos e a poucos deputados leais. O consenso secreto a que chegaram os protagonistas da candidatura \u00fanica, que ser\u00e1 submetido \u00e0s dire\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias e foi anunciado ontem, \u00e9 um segredo de polichinelo: a pesquisa quantitativa e qualitativa feita sob encomenda para demover Doria apontou a senadora Simone Tebet (MDB-MS) como a candidata mais competitiva de centro, por ter menos rejei\u00e7\u00e3o e ser menos conhecida. S\u00f3 falta combinar com os eleitores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa quantitativa e qualitativa feita sob encomenda para demover Doria apontou a senadora Simone Tebet (MDB-MS) como a candidata mais competitiva de centro, por ter menos rejei\u00e7\u00e3o Difundiu-se no Ocidente que a palavra Weiji significa crise e oportunidade em chin\u00eas, simultaneamente. 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