{"id":697,"date":"2016-08-04T07:23:19","date_gmt":"2016-08-04T10:23:19","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=697"},"modified":"2016-08-04T07:23:19","modified_gmt":"2016-08-04T10:23:19","slug":"nas-entrelinhas-o-fundo-do-poco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-o-fundo-do-poco\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas: O fundo do po\u00e7o"},"content":{"rendered":"<p><em>O afastamento de Dilma e a nomea\u00e7\u00e3o de Meirelles geraram certo otimismo, mas as expectativas pessimistas come\u00e7am a contaminar as previs\u00f5es para 2017<\/em><\/p>\n<p>O Brasil vive a pior recess\u00e3o da hist\u00f3ria, disse ontem o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. \u201c\u00c0 medida que o deficit se torna real, as despesas aumentam e as receitas caem. A receita l\u00edquida tribut\u00e1ria, que foi 15% do PIB em 2011, est\u00e1 em 11% hoje. O Brasil tem d\u00edvida bruta p\u00fablica que \u00e9 muito elevada para o nosso n\u00edvel de desenvolvimento. A d\u00edvida j\u00e1 supera 70% do PIB, e a m\u00e9dia dos emergentes \u00e9 45% do PIB. O deficit prim\u00e1rio, R$ 170,5 bilh\u00f5es, \u00e9 elevado, mas \u00e9 real, realista\u201d, avalia.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o somente n\u00e3o \u00e9 pior do que a d\u00e9cada de 1980 porque n\u00e3o estamos num cen\u00e1rio de hiperinfla\u00e7\u00e3o. No ano passado, a retra\u00e7\u00e3o foi de 3,8%, a maior desde 1990. O Brasil vem desacelerando h\u00e1 sete trimestres consecutivos. O consumo caiu 4%. A produ\u00e7\u00e3o recuou em todos os 25 segmentos da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o. Os investimentos encolheram pelo segundo ano consecutivo, acumulando uma contra\u00e7\u00e3o de quase 18%. A taxa de desemprego continua crescendo.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o resultado da nova \u201cmatriz econ\u00f4mica\u201d da presidente afastada, Dilma Rousseff, e suas pedaladas fiscais para maquiar a realidade, e do oba-oba ufanista do governo Lula, que surfou a onda do crescimento da China e usufruiu do b\u00f4nus demogr\u00e1fico (a redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de dependentes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa), mas, na verdade, perdeu o bonde do crescimento sustent\u00e1vel. O experimentalismo econ\u00f4mico em pa\u00edses de dimens\u00f5es continentais \u00e9 um perigo, pois a economia desgovernada tem a in\u00e9rcia de um trem de carga quando descarrila. Aliado ao voluntarismo pol\u00edtico, a situa\u00e7\u00e3o pode ser pior ainda.<\/p>\n<p>Lula, Dilma e seus aliados fingem que n\u00e3o t\u00eam nada a ver com o que est\u00e1 acontecendo. Petistas continuam defendendo os velhos paradigmas que deram errado. No Congresso, verdade seja dita, as for\u00e7as que nadaram de bra\u00e7ada durante as vacas gordas e que agora est\u00e3o na base do governo Temer, docemente constrangidas, fazem corpo mole para aprovar o ajuste fiscal, enquanto o PT busca uma volta \u00e0s origens sindicais corporativas com a velha ladainha contra o ajuste.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros n\u00e3o deixam d\u00favidas quanto \u00e0 gravidade da recess\u00e3o e das dificuldades para a retomada da economia. A economia brasileira segue encolhendo no primeiro trimestre de 2016, e a redu\u00e7\u00e3o de nosso PIB per capita poder\u00e1 chegar a 10% em dois anos. Para fazer uma compara\u00e7\u00e3o, na chamada d\u00e9cada perdida, de 1981 a 1992, a renda encolheu 7,6%. Ou seja, toda a pol\u00edtica de distribui\u00e7\u00e3o de renda e inclus\u00e3o social est\u00e1 sendo anulada pela recess\u00e3o.<\/p>\n<p>O afastamento de Dilma Rousseff e a nomea\u00e7\u00e3o de uma nova equipe econ\u00f4mica, comandada por Henrique Meirelles, geraram certo otimismo entre os agentes econ\u00f4micos, mas as expectativas pessimistas em rela\u00e7\u00e3o ao PIB come\u00e7am a contaminar as previs\u00f5es para 2017 porque o ajuste n\u00e3o sai. Caso se confirmem as previs\u00f5es, teremos tr\u00eas anos seguidos de recess\u00e3o. Nunca antes neste pa\u00eds houve isso. Meirelles, com raz\u00e3o, argumenta que a situa\u00e7\u00e3o precisa ser reconhecida e enfrentada, com a aprova\u00e7\u00e3o da meta de crescimento dos gastos p\u00fablicos federais prim\u00e1rios at\u00e9, no m\u00e1ximo, o \u00edndice da infla\u00e7\u00e3o do ano anterior para viabilizar um ajuste de longo prazo.<\/p>\n<p><strong>Laborat\u00f3rio<\/strong><\/p>\n<p>Caso o Congresso aprove o crescimento zero dos gastos p\u00fablicos durante os pr\u00f3ximos 10 anos, haver\u00e1 uma tend\u00eancia a p\u00f4r as contas da Uni\u00e3o nos eixos, com o pa\u00eds gastando de acordo com suas receitas. O problema \u00e9 que as for\u00e7as pol\u00edticas, \u00e0 esquerda e \u00e0 direita, precisar\u00e3o abandonar as pr\u00e1ticas populistas, fisiol\u00f3gicas e patrimonialistas. Talvez somente uma nova gera\u00e7\u00e3o de pol\u00edticos, formada ap\u00f3s a Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato, seja capaz de compreender isso e fazer diferente.<\/p>\n<p>As elei\u00e7\u00f5es municipais s\u00e3o um grande laborat\u00f3rio. Primeiro, as prefeituras de todo o pa\u00eds est\u00e3o passando o p\u00e3o que o diabo amassou por causa da queda de arrecada\u00e7\u00e3o e do fechamento das torneiras dos governos estaduais e federal, quase todos em dificuldades financeiras. N\u00e3o se pode prometer o que n\u00e3o tem. Segundo, porque a nova legisla\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao financiamento de campanha est\u00e1 afastando da disputa todos aqueles que se acostumaram a abusar do poder econ\u00f4mico e comprar a pr\u00f3pria elei\u00e7\u00e3o em campanhas milion\u00e1rias, gra\u00e7as ao dinheiro proveniente de doa\u00e7\u00f5es eleitorais e caixa dois de empresas que superfaturavam obras e servi\u00e7os p\u00fablicos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O afastamento de Dilma e a nomea\u00e7\u00e3o de Meirelles geraram certo otimismo, mas as expectativas pessimistas come\u00e7am a contaminar as previs\u00f5es para 2017 O Brasil vive a pior recess\u00e3o da hist\u00f3ria, disse ontem o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. \u201c\u00c0 medida que o deficit se torna real, as despesas aumentam e as receitas caem. 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