{"id":711,"date":"2016-08-09T09:20:40","date_gmt":"2016-08-09T12:20:40","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=711"},"modified":"2016-08-09T09:20:40","modified_gmt":"2016-08-09T12:20:40","slug":"nas-entrelinhas-cade-o-volta-dilma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-cade-o-volta-dilma\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas: Cad\u00ea o &#8220;Volta, Dilma!&#8221;?"},"content":{"rendered":"<p><em>Como caracterizar um golpe quando o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) preside o julgamento do impeachment?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o foi \u00e0 toa que os petistas adotaram a palavra de ordem \u201cFora, Temer!\u201d, na qual se confundem com todos os demais advers\u00e1rios do presidente interino. \u00c9 uma maneira de fugir \u00e0 responsabilidade de defender a volta de Dilma Rousseff ao poder, uma miss\u00e3o imposs\u00edvel para a c\u00fapula do PT, cujo \u00fanico objetivo agora \u00e9 se defender da Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato. Mesmo a tese do \u201cgolpe de Estado\u201d contra a presidente eleita j\u00e1 n\u00e3o tem o consenso partid\u00e1rio. Como caracterizar um golpe quando o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, notoriamente ligado ao ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, preside o julgamento do impeachment?<\/p>\n<p>A partir de hoje, os senadores petistas \u2014 alguns dos quais tamb\u00e9m investigados na Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato \u2014 , na sess\u00e3o plen\u00e1ria do Senado Federal que decidir\u00e1 julgar\u00e1 ou n\u00e3o o pedido de impeachment, j\u00e1 n\u00e3o poder\u00e3o afirmar que o processo \u00e9 um golpe sem tamb\u00e9m acusar Lewandowski de golpista. Ou seja, come\u00e7a a cair por terra a tese de que a Constitui\u00e7\u00e3o foi rasgada pelo Congresso. \u00c9 que as regras do jogo foram estabelecidas pelo STF em julgamento no qual o Senado foi fortalecido como inst\u00e2ncia julgadora, uma vez que a C\u00e2mara, ent\u00e3o ainda presidida pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), teve subtra\u00eddo o poder de afastar a presidente da Rep\u00fablica. O processo se tornou mais demorado, mas enfraqueceu a ret\u00f3rica de que o impeachment fora aberto como uma \u201cvingan\u00e7a\u201d de Cunha aliado \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Estranho golpe esse, sem tanques nas ruas, cassa\u00e7\u00f5es de mandatos, fechamento de sindicados, censura \u00e0 imprensa, ocupa\u00e7\u00e3o de r\u00e1dios e emissoras de tev\u00ea. Nada se parece com o golpe militar de 1964, como a presidente afastada chegou a comparar. Somente quem n\u00e3o viveu aqueles dias ou interpreta a hist\u00f3ria por um vi\u00e9s ideol\u00f3gico sustenta um paralelo t\u00e3o fora da realidade. A prop\u00f3sito, a realiza\u00e7\u00e3o das Olimp\u00edadas no Rio de Janeiro serve para desfazer toda a campanha internacional feita por Dilma, por parte da diplomacia e por aliados do PT de que estaria em curso um golpe de Estado. A pol\u00eamica proibi\u00e7\u00e3o de manifesta\u00e7\u00f5es de protestos nos locais de jogos, que \u00e9 usada para caracterizar um surreal processo de fascistiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, ao contr\u00e1rio do que alguns imaginam, foi estabelecida a pedido do Comit\u00ea Ol\u00edmpico Internacional pela pr\u00f3pria presidente Dilma Rousseff. Nada impedia que os protestos contra o governo Michel Temer sejam marcados e convocados para os locais onde normalmente essas manifesta\u00e7\u00f5es ocorrem. E ontem uma juiza federal liberou os protestos.<\/p>\n<p>Mas voltemos ao impeachment. Para ocorrer, o julgamento da presidente Dilma Rousseff precisa que a maioria simples dos senadores aceite o pedido aprovado pela comiss\u00e3o especial, nos termos do relat\u00f3rio do senador Ant\u00f4nio Anastasia. Essa vota\u00e7\u00e3o ser\u00e1 hoje, em sess\u00e3o que servir\u00e1 para uma avalia\u00e7\u00e3o realista da situa\u00e7\u00e3o da presidente afastada e das dificuldades criadas pelos senadores que est\u00e3o em cima do muro. Dos 81 senadores, 39 declararam votos pelo impeachment, 18 s\u00e3o contr\u00e1rios e os demais preferem n\u00e3o declarar o voto. Nos bastidores, por\u00e9m, j\u00e1 passam de 60 os senadores que se comprometeram com o Pal\u00e1cio do Planalto a aprovarem o impeachment. S\u00e3o necess\u00e1rios 54 votos. O caso do senador Cristovam Buarque (PPS-DF) \u00e9 o mais emblem\u00e1tico: ele n\u00e3o disse que votar\u00e1 a favor da cassa\u00e7\u00e3o de Dilma, mas j\u00e1 deu sinais de que considera o impeachment uma alternativa v\u00e1lida. O \u00faltimo deles foi repudiar a compara\u00e7\u00e3o com o golpe de 1964.<\/p>\n<p>O desafeto<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia de usar a m\u00e1 fama de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ex-presidente da C\u00e2mara, para desmoralizar o impeachment tamb\u00e9m se esvai com o passar dos dias. Desde a elei\u00e7\u00e3o de Rodrigo Maia (DEM-RJ) para presidente da Casa, sua influ\u00eancia diminuiu, embora ainda tenha aliados poderosos. Ontem, foi lido em plen\u00e1rio o pedido de sua cassa\u00e7\u00e3o, que ser\u00e1 publicado hoje no Di\u00e1rio Oficial. Abre-se, assim, o prazo de at\u00e9 duas sess\u00f5es ordin\u00e1rias (de vota\u00e7\u00f5es ou debates) para que o processo seja inclu\u00eddo na pauta, com prioridade sobre outros temas. O PT e o Psol, dilmistas, e o PSDB, o DEM e o PPS, da antiga oposi\u00e7\u00e3o, cobram a marca\u00e7\u00e3o imediata da data de vota\u00e7\u00e3o. A cassa\u00e7\u00e3o \u00e9 pedra cantada, at\u00e9 mesmo para os aliados de Cunha, que t\u00eam medo dele se sentir tra\u00eddo e, por isso, denunciar a todos que ajudou com recursos de campanha em acordo de dela\u00e7\u00e3o premiada na Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato. Se perder o mandato, quem julgar\u00e1 seu caso \u00e9 o juiz S\u00e9rgio Moro, de Curitiba.<\/p>\n<p>Maia argumenta que o tema \u00e9 bastante pol\u00eamico e precisa ser definido por um plen\u00e1rio com qu\u00f3rum elevado. S\u00e3o necess\u00e1rios 257 votos entre os 512 deputados em exerc\u00edcio para que seja determinada a perda do mandato de Cunha. O risco de n\u00e3o aprovarem a cassa\u00e7\u00e3o de Cunha seria real durante as Olimp\u00edadas do Rio, porque a opini\u00e3o p\u00fablica est\u00e1 inebriada pela festa. Mesmo assim, em vota\u00e7\u00e3o aberta, ser\u00e1 muito dif\u00edcil para qualquer deputado n\u00e2o comparecer \u00e0 sess\u00e3o da cassa\u00e7\u00e3o. A opini\u00e3o p\u00fablica considera Cunha uma esp\u00e9cie de inimigo p\u00fablico n\u00famero um. Ningu\u00e9m se surpreenda se ele for cassado antes mesmo do afastamento definitivo de Dilma Rousseff.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como caracterizar um golpe quando o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) preside o julgamento do impeachment? 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