{"id":7396,"date":"2022-12-20T06:54:28","date_gmt":"2022-12-20T09:54:28","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=7396"},"modified":"2022-12-20T07:13:08","modified_gmt":"2022-12-20T10:13:08","slug":"nas-entrelinhas-pcb-da-luta-armada-a-defesa-da-democracia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-pcb-da-luta-armada-a-defesa-da-democracia\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas: PCB, da luta armada \u00e0 defesa da democracia"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>O livro tem um olhar cr\u00edtico sobre a atua\u00e7\u00e3o de Prestes, sem embargo de reconhecer seu papel decisivo na hist\u00f3ria do Brasil<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Bi\u00f3grafo do jornalista Carlos Castelo Branco (Todo aquele imenso mar de liberdade) e do senador Teot\u00f4nio Vilela (Senhor Rep\u00fablica), o escritor e jornalista pol\u00edtico Carlos Machi lan\u00e7a hoje o seu mais novo livro: Longa jornada at\u00e9 a democracia (Funda\u00e7\u00e3o Astrojildo Pereira), o primeiro volume de uma hist\u00f3ria dos 100 de funda\u00e7\u00e3o do Partido Comunista Brasileiro (PCB), desde as ideias que lhe dariam origem, em 1922, at\u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o do VI Congresso, em dezembro de 1967. Ser\u00e1 \u00e0s 19h, no Beirute, tradicional reduto de estudantes, jornalistas e bo\u00eamios de esquerda, na Asa Sul do Plano Piloto de Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>Quem imagina uma obra apolog\u00e9tica e manique\u00edsta, ir\u00e1 se surpreender. O livro conta a hist\u00f3ria do PCB como quem prepara o peixe com um olho no gato e o outro na frigideira. O duplo olhar de Marchi contextualiza o papel do PCB na hist\u00f3ria do Brasil e, ao mesmo tempo, mostra as contradi\u00e7\u00f5es de seus dirigentes com a antiga Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, e entre eles pr\u00f3prios. Um processo no qual uma das v\u00edtimas foi o pr\u00f3prio fundador do partido, o jornalista e escritor Astrojildo Pereira, que caiu em desgra\u00e7a ap\u00f3s uma viagem a Moscou, em 1930, mesmo depois de capitular diante dos dirigentes do Comintern, que consideravam muito pr\u00f3xima uma revolu\u00e7\u00e3o comunista no Brasil.<\/p>\n<p>Havia, sim, uma revolu\u00e7\u00e3o em gesta\u00e7\u00e3o, mas era a de 1930, liderada por Get\u00falio Vargas, com ades\u00e3o dos l\u00edderes tenentistas. Entretanto, n\u00e3o obteve apoio de Luiz Carlos Prestes, que havia se aproximado dos comunistas. Astrojildo lhe entregara uma mala de obras marxistas durante o ex\u00edlio do comandante da Coluna Prestes na Bol\u00edvia. Por pura ironia, Prestes voltaria ao Brasil anos depois, para fazer a tal revolu\u00e7\u00e3o, enquanto Astrojildo amargava o ostracismo pol\u00edtico: vendia bananas e escrevia cr\u00edticas liter\u00e1rias e ensaios sobre a sociedade brasileira.<\/p>\n<p>O livro tem um olhar cr\u00edtico sobre a atua\u00e7\u00e3o de Prestes, sem embargo de reconhecer seu papel decisivo na hist\u00f3ria do Brasil. O l\u00edder comunista teve o destino do pa\u00eds nas m\u00e3os em 1930, quando recusou o comando da Revolu\u00e7\u00e3o, e em 1945, quando saiu da cadeia e decidiu apoiar Vargas, na redemocratiza\u00e7\u00e3o. Quando o ex-ditador voltou ao poder, eleito em 1950, os comunistas lhe fizeram oposi\u00e7\u00e3o. S\u00f3 foram defend\u00ea-lo depois do suic\u00eddio, em agosto de 1954.<\/p>\n<p>A t\u00f3rrida paix\u00e3o entre Prestes e Olga Ben\u00e1rio, a judia alem\u00e3 treinada pelos servi\u00e7os de intelig\u00eancia do Ex\u00e9rcito Vermelho e escalada para fazer sua seguran\u00e7a, chamava aten\u00e7\u00e3o. Era um casal improv\u00e1vel: ele, baixinho; ela, muito alta \u2014 raz\u00e3o pela qual a volta de Prestes de Moscou para o Brasil foi uma longa viagem, que durou quatro meses e virou lua de mel. Percorreram v\u00e1rias capitais europeias, atravessaram o Atl\u00e2ntico at\u00e9 Nova York, de onde desceram para Montevid\u00e9u. A entrada clandestina no Brasil, com escalas em Buenos Aires e Florian\u00f3polis, foi rocambolesca.<\/p>\n<p><b>Aggiornamento<\/b><\/p>\n<p>Marchi p\u00f5e o holofote nas diverg\u00eancias na c\u00fapula do Comintern sobre a linha a ser adotada por Prestes e no papel de um agente ingl\u00eas infiltrado no grupo de revolucion\u00e1rios que o assessorava. O alem\u00e3o Johann De Graaf, que era oficial do Ex\u00e9rcito Vermelho, desembarcou no Brasil com o nome falso de Franz Paul Gruber. Foi encarregado de montar uma caixa-forte que explodiria com os documentos de Prestes e os planos da insurrei\u00e7\u00e3o, mas isso n\u00e3o aconteceu. Johann manteve os servi\u00e7os de intelig\u00eancia brit\u00e2nicos informados sobre tudo e chegou a receber uma carta de agradecimento de Vargas. Olga, gr\u00e1vida quando foi presa com Prestes, foi deportada para a Alemanha. Morreu num campo de concentra\u00e7\u00e3o nazista, onde nasceu Anita Leoc\u00e1dia Prestes.<\/p>\n<p>Ao longo do livro, o foco de Marchi \u00e9 o progressivo &#8220;aggiornamento&#8221; do PCB, da op\u00e7\u00e3o pela armada, em 1935, ao compromisso com a democracia, na Declara\u00e7\u00e3o de Mar\u00e7o de 1958. Como bom rep\u00f3rter, revela, em primeira m\u00e3o, a localiza\u00e7\u00e3o do &#8220;aparelho&#8221; no qual foi realizado o 6\u00ba Congresso do PCB, em S\u00e3o Paulo, em 1967, quando o partido adotou a linha de ampla frente democr\u00e1tica para a redemocratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e recha\u00e7ou a op\u00e7\u00e3o pela guerrilha urbana contra o regime militar, defendida pelo l\u00edder comunista Carlos Marighela e alguns dirigentes hist\u00f3ricos do PCB, sem a menor chance de dar certo.<\/p>\n<p>Contraditoriamente, na prepara\u00e7\u00e3o do congresso, o dirigente comunista Salom\u00e3o Malina, ex-integrante da For\u00e7a Expedicion\u00e1ria Brasileira (FEB) e her\u00f3i da tomada de Montese, na It\u00e1lia, durante a II Guerra Mundial (recebeu a Cruz de Combate de 1\u00aa Classe), perdeu os dedos da m\u00e3o direita e teve o pulm\u00e3o perfurado ao desativar uma granada defeituosa. Em coma, foi operado clandestinamente no Hospital das Cl\u00ednicas de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Sapador, Malina estava encarregado de garantir a fuga de Prestes caso o congresso fosse localizado pelos \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a do regime militar. Mais tarde, seria o \u00faltimo secret\u00e1rio-geral do partido e, em 1991, apoiaria a mudan\u00e7a do nome e da sigla do PCB para PPS, atual Cidadania.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O livro tem um olhar cr\u00edtico sobre a atua\u00e7\u00e3o de Prestes, sem embargo de reconhecer seu papel decisivo na hist\u00f3ria do Brasil Bi\u00f3grafo do jornalista Carlos Castelo Branco (Todo aquele imenso mar de liberdade) e do senador Teot\u00f4nio Vilela (Senhor Rep\u00fablica), o escritor e jornalista pol\u00edtico Carlos Machi lan\u00e7a hoje o seu mais novo livro: Longa jornada at\u00e9 a democracia [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":39,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1223,164,92,972,113,8,9,3],"tags":[1289,351,1290,1156,121,1291],"class_list":["post-7396","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-brasilia","category-guerra","category-literatura","category-memoria","category-militares","category-partidos","category-politica-2","category-politica","tag-astrojildo","tag-ditadura","tag-malina","tag-pcb","tag-prestes","tag-redemocratizacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7396","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/39"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7396"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7396\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7404,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7396\/revisions\/7404"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7396"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7396"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7396"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}