{"id":7614,"date":"2023-02-28T12:11:50","date_gmt":"2023-02-28T15:11:50","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=7614"},"modified":"2023-03-01T14:14:19","modified_gmt":"2023-03-01T17:14:19","slug":"nas-entrelinhas-desmatamento-internacionalizou-a-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-desmatamento-internacionalizou-a-amazonia\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas: Desmatamento internacionalizou a Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>O desmatamento durante o governo Bolsonaro virou uma amea\u00e7a para o mundo. Seu impacto no aquecimento global \u00e9 enorme, o que gera forte rea\u00e7\u00e3o internacional<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A visita ao Brasil do enviado especial do governo Biden, John Kerry, para tratar da participa\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos no Fundo Amaz\u00f4nia, coincidiu com o registro de recrudescimentos das queimadas na floresta. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foram registrados at\u00e9 17 de fevereiro um recorde para o per\u00edodo. No encontro com o vice-presidente Geraldo Alckmin e a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, no Itamaraty, Kerry se comprometeu a buscar recursos &#8220;vultosos&#8221; para o Fundo. Na visita do presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva \u00e0 Casa Branca, o presidente Joe Biden havia anunciado essa inten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Estima-se que essa participa\u00e7\u00e3o pode chegar a US$ 50 milh\u00f5es. Segundo a embaixadora dos EUA no Brasil, Elizabeth Bagley, o montante ser\u00e1 definido numa negocia\u00e7\u00e3o da Casa Branca com o Congresso americano. O Fundo ficou parado entre 2019 e 2022, no governo Bolsonaro. Depois da posse de Lula, foi reativado e seus recursos liberados pelos doadores, principalmente Noruega e Alemanha. A Uni\u00e3o Europeia (UE) tamb\u00e9m pretende colaborar.<\/p>\n<p>O desmatamento da Amaz\u00f4nia durante o governo anterior virou uma amea\u00e7a para o mundo, que reage a isso fortemente. Na pr\u00e1tica, Bolsonaro &#8220;internacionalizou&#8221; a Amaz\u00f4nia, cujo impacto no aquecimento global \u00e9 enorme, por causa das queimadas e derrubadas de \u00e1rvores. Zerar o desmatamento \u00e9 a forma mais eficiente e barata de reduzir o aquecimento global e ganhar tempo para a convers\u00e3o \u00e0 economia verde. Por exemplo: o presidente da Fran\u00e7a, Emmanuel Macron, anunciou, s\u00e1bado passado, durante a Feira Internacional Agr\u00edcola de Paris, que o acordo entre o Mercosul e a UE pode subir no telhado em raz\u00e3o da quest\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p>Na COP27, no Egito, Macron fez dobradinha com Lula, ent\u00e3o rec\u00e9m-eleito, com duras cr\u00edticas ao ainda presidente Bolsonaro. Na verdade, a advert\u00eancia \u00e9 dirigida principalmente \u00e0 Venezuela, que passa a ser pressionada tamb\u00e9m pelos vizinhos. Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai t\u00eam interesse no acordo. A Fran\u00e7a, por causa da Guiana Francesa, se considera &#8220;uma pot\u00eancia amaz\u00f4nica&#8221;. Macron faz alus\u00e3o ao centro espacial de Kourou, que hospeda a base de lan\u00e7amento de foguetes e sat\u00e9lites da Ag\u00eancia Espacial Europeia (ESA). O empreendimento gera tecnologia de ponta e inform\u00e1tica, al\u00e9m de empregos.<\/p>\n<p>Situada na costa setentrional da Am\u00e9rica do Sul, como o Suriname e a Rep\u00fablica da Guiana, a Guiana Francesa parece mais um territ\u00f3rio caribenho do que sul-americano. Est\u00e1 isolada do resto do continente pela floresta amaz\u00f4nica, pois \u00e9 essencialmente povoada na faixa atl\u00e2ntica. O idioma franc\u00eas e o dialeto cr\u00e9ole, tamb\u00e9m presentes nas Antilhas, n\u00e3o s\u00e3o falados nos pa\u00edses sul-americanos. Por ser uma prov\u00edncia francesa, tamb\u00e9m foi exclu\u00edda dos tratados entre os pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul, por\u00e9m representa a Fran\u00e7a na Associa\u00e7\u00e3o dos Estados do Caribe, junto com a Martinica e a ilha da Guadalupe. \u00c9 um enclave europeu no subcontinente.<\/p>\n<p>Garimpo ilegal<\/p>\n<p>Com 200 mil habitantes, mercado de consumo pequeno e fronteira vulner\u00e1vel, a Guiana Francesa se manteve isolada, mas agora sofre com os imigrantes ilegais, principalmente garimpeiros brasileiros e peruanos, traficantes colombianos e refugiados haitianos. O Brasil sempre deu mais import\u00e2ncia estrat\u00e9gica \u00e0 coopera\u00e7\u00e3o com a Guiana do que a pr\u00f3pria Fran\u00e7a, da qual \u00e9 um departamento, porque a fronteira de 760km entre os dois pa\u00edses nos torna tamb\u00e9m vizinhos da UE.<\/p>\n<p>Entretanto, a ponte que ligaria a Guiana ao Amap\u00e1, o \u00fanico estado brasileiro que n\u00e3o tem liga\u00e7\u00e3o terrestre com o resto do pa\u00eds, saiu do papel em 2017, A estrat\u00e9gica liga\u00e7\u00e3o entre Manaus e Georgetown, sonhada pelos militares nos anos 1970, n\u00e3o. A liga\u00e7\u00e3o com o Suriname, ap\u00f3s a constru\u00e7\u00e3o da estrada de Cayenne ao Oiapoque, por\u00e9m, virou uma porta aberta para os traficantes colombianos e garimpeiros brasileiros \u2014 ou seja, \u00a0a solu\u00e7\u00e3o log\u00edstica \u00e9 tamb\u00e9m um problema de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>As fronteiras entre Brasil, Guiana, Suriname, Venezuela e Col\u00f4mbia s\u00e3o praticamente virtuais, o que coloca em xeque a soberania efetiva entre esses pa\u00edses, ainda mais depois que a preserva\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia se tornou um problema global. V\u00e1rias opera\u00e7\u00f5es foram realizadas pelo governo franc\u00eas para combater o garimpo ilegal na Guiana Francesa. Entretanto, ap\u00f3s cada opera\u00e7\u00e3o os garimpeiros voltaram.<\/p>\n<p>Em 12 de mar\u00e7o de 2010, soldados franceses e policiais de fronteira foram atacados enquanto retornavam de uma opera\u00e7\u00e3o bem-sucedida, durante a qual prenderam 15 mineiros, confiscaram tr\u00eas barcos e apreenderam 617 gramas de ouro. Os garimpeiros retornaram para recuperar seus saques e colegas perdidos. Os soldados dispararam tiros de advert\u00eancia e balas de borracha, mas os garimpeiros conseguiram retomar um de seus barcos e cerca de 500 gramas de ouro. A coopera\u00e7\u00e3o com a Fran\u00e7a ser\u00e1 fundamental para conter o garimpo ilegal e o tr\u00e1fico de drogas na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O desmatamento durante o governo Bolsonaro virou uma amea\u00e7a para o mundo. 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