{"id":7629,"date":"2023-03-03T10:03:04","date_gmt":"2023-03-03T13:03:04","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=7629"},"modified":"2023-03-03T10:33:49","modified_gmt":"2023-03-03T13:33:49","slug":"nas-entrelinhas-politica-energetica-definira-modelo-economico-de-lula","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-politica-energetica-definira-modelo-economico-de-lula\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas: Pol\u00edtica energ\u00e9tica definir\u00e1 modelo econ\u00f4mico de Lula"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>A Petrobras n\u00e3o esteve apenas no epicentro dos esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o, foi protagonista do fracasso da estrat\u00e9gia de adensamento das cadeias produtivas nacionais da \u201cnova matriz econ\u00f4mica\u201d<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A cl\u00e1ssica disputa entre o Minist\u00e9rio das Minas e Energia e a Petrobras se repete mais uma vez. Agora, op\u00f5e o ministro Alexandre da Silveira (PSD-MG) e o presidente da empresa, senador licenciado Jean Paul Prates (PT- RN). \u00c9 um choque que tem a cara do governo Lula, porque op\u00f5e um liberal e um social-democrata, respectivamente, com esquemas diferentes de racioc\u00ednio econ\u00f4mico. Uma quest\u00e3o-chave para o futuro do pa\u00eds \u00e9 a pol\u00edtica energ\u00e9tica; ela determinar\u00e1 nosso desenvolvimento.<\/p>\n<p>Como em outras \u00e1reas do governo, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, vem tendo grande protagonismo na defesa da agenda desenvolvimentista do PT, que levou o partido ao segundo turno. Chegou a dizer que se a Petrobras n\u00e3o seguir a orienta\u00e7\u00e3o que vem sendo dada pelo presidente Lula, estar\u00e1 se fazendo um &#8220;estelionato eleitoral&#8221;. Ocorre que Lula somente venceu as elei\u00e7\u00f5es porque obteve apoio de partidos de centro e da chamada terceira via, com uma agenda social-liberal. Prates representa a agenda raiz, Silveira a da frente ampla, que obviamente \u00e9 mais feij\u00e3o com arroz.<\/p>\n<p>Os fantasmas que rondam a queda de bra\u00e7os entre Prates e Silveira, como na disputa pelas indica\u00e7\u00f5es dos membros do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o da empresa, s\u00e3o o fracasso da &#8220;nova matriz energ\u00e9tica&#8221; do governo Dilma Rousseff, que apostou no velho &#8220;capitalismo de Estado&#8221; como via de desenvolvimento; e os esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o na Petrobras, o chamado &#8220;petrol\u00e3o&#8221;, combust\u00edvel da Lava-Jato e da crise \u00e9tica que atingiu o nosso sistema partid\u00e1rio.<\/p>\n<p>O &#8220;capitalismo de Estado&#8221; foi uma via de industrializa\u00e7\u00e3o das ditaduras fascistas e \u00a0do &#8220;socialismo real&#8221;. No Brasil, durante o Estado Novo e no regime militar p\u00f3s-1964, sobretudo no governo Geisel, tamb\u00e9m. H\u00e1 liberais que consideram o &#8220;capitalismo monopolista de Estado&#8221; uma parceria necess\u00e1ria entre o governo e as grandes empresas, com objetivo de fortalec\u00ea-las. Nesse caso, o Estado representa os interesses do grande capital em detrimento dos consumidores. Um modelo bem-sucedido com esse vi\u00e9s \u00e9 o da Coreia do Sul.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia dos &#8220;campe\u00f5es nacionais&#8221; seguiu a f\u00f3rmula coreana; durante o governo Dilma Rousseff, obteve alguns sucessos e colecionou fracassos. A participa\u00e7\u00e3o no sistema de financiamento eleitoral, que permitia doa\u00e7\u00f5es dessas empresas, envenenou o sistema pol\u00edtico brasileiro, sendo substitu\u00eddo pelo financiamento p\u00fablico. Grandes empresas, a JBS e a Ambev, se transformaram em multinacionais; estatal, a Petrobras foi &#8220;canibalizada&#8221;. O resultado do fracasso desse modelo foi o tsunami eleitoral de 2018, que elegeu Jair Bolsonaro \u00e0 Presid\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Cadeias globais<\/strong><\/p>\n<p>A Petrobras n\u00e3o esteve apenas no epicentro dos esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o, a empresa foi protagonista do fracasso da estrat\u00e9gia de adensamento das cadeias produtivas nacionais por n\u00e3o se integrar de forma competitiva \u00e0s cadeias globais de valor. Por exemplo, desperdi\u00e7ou o boom do pr\u00e9-sal: ao mesmo tempo em que o Brasil criava uma empresa a f\u00f3rceps para produzir sondas de petr\u00f3leo, a Sete Brasil, que se tornou um foco de corrup\u00e7\u00e3o, o governo suspendeu por v\u00e1rios anos os leil\u00f5es de po\u00e7os do pr\u00e9-sal, porque a petroleira brasileira n\u00e3o tinha recursos para participar das disputas. Isso desorganizou todo o &#8220;cluster&#8221; de explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, que envolve milhares de empresas, especialistas e t\u00e9cnicos de v\u00e1rias nacionalidades, que se deslocam entre as bacias petrol\u00edferas dos pa\u00edses produtores a cada etapa da explora\u00e7\u00e3o. O Rio de Janeiro foi do c\u00e9u ao inferno nesse processo.<\/p>\n<p>A recidiva do &#8220;capitalismo de Estado&#8221; no Brasil chegou a ser saudada como um modelo \u00e0 brasileira, no momento em que diversos pa\u00edses tentavam reinventar o Estado, com regimes iliberais, para se modernizar e acompanhar a globaliza\u00e7\u00e3o. Foi mais um voo de galinha. Parceiros comerciais mais competitivos, principalmente a China, dominaram o nosso mercado e deslocaram a produ\u00e7\u00e3o brasileira de mercados tradicionais de nossas exporta\u00e7\u00f5es industriais, como a Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>China, \u00cdndia, M\u00e9xico, Pol\u00f4nia, Indon\u00e9sia, Vietn\u00e3 e Tail\u00e2ndia se beneficiaram mais do que os outros pa\u00edses da fragmenta\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e da expans\u00e3o das cadeias globais de valor. Entretanto, com 50 milh\u00f5es de jovens, o Brasil desperdi\u00e7ou o chamado &#8220;b\u00f4nus demogr\u00e1fico&#8221;, quando h\u00e1, proporcionalmente, um maior n\u00famero de pessoas em idade ativa aptas a trabalha. O aumento da popula\u00e7\u00e3o nessa faixa et\u00e1ria come\u00e7ou no in\u00edcio da d\u00e9cada de 2010 e vive o seu auge, mas essa gera\u00e7\u00e3o foi desperdi\u00e7ada.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m desperdi\u00e7amos o ciclo de commodities, ao aumentar o consumo sem ampliar os investimentos na infraestrutura e na educa\u00e7\u00e3o. Na vanguarda da intelig\u00eancia artificial e da internet das coisas, os Estados Unidos agora protagonizam uma rearranjo de suas cadeias globais, para reduzir a depend\u00eancia \u00e0 importa\u00e7\u00e3o de componentes eletr\u00f4nicos, principalmente da China. Quem mais se beneficiou disso at\u00e9 agora foi o Vietn\u00e3.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Petrobras n\u00e3o esteve apenas no epicentro dos esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o, foi protagonista do fracasso da estrat\u00e9gia de adensamento das cadeias produtivas nacionais da \u201cnova matriz econ\u00f4mica\u201d A cl\u00e1ssica disputa entre o Minist\u00e9rio das Minas e Energia e a Petrobras se repete mais uma vez. 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