{"id":7888,"date":"2023-05-19T07:49:24","date_gmt":"2023-05-19T10:49:24","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=7888"},"modified":"2023-05-19T07:49:24","modified_gmt":"2023-05-19T10:49:24","slug":"nas-entrelinhas-a-segunda-morte-de-collor-de-melo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-a-segunda-morte-de-collor-de-melo\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas: A segunda morte de Collor de Melo"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>No poder, enfrentou uma sucess\u00e3o de crises financeiras e fracassou no combate \u00e0 hiperinfla\u00e7\u00e3o. Os planos Collor I e Collor II foram desastrosos. Mas o colapso de seu governo foi \u00e9tico e pol\u00edtico<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Velha raposa pol\u00edtica brit\u00e2nica, o primeiro-ministro do Reino Unido, Winston Churchill, dizia que &#8220;a pol\u00edtica \u00e9 quase t\u00e3o excitante como a guerra, e n\u00e3o menos perigosa: na guerra, a pessoa s\u00f3 pode ser morta uma vez, mas, na pol\u00edtica, diversas vezes&#8221;. \u00c9 o caso do ex-presidente Fernando Collor, que a maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou, ontem, por corrup\u00e7\u00e3o passiva e lavagem de dinheiro em um processo da Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato. A sess\u00e3o foi suspensa com o placar de 6 x 1 e deve ser retomada na pr\u00f3xima quarta-feira. Relator, o ministro Edson Fachin recomendou a pena de 33 anos e 10 meses de pris\u00e3o.<\/p>\n<p>Votaram pela condena\u00e7\u00e3o os ministros Alexandre de Moraes, Andr\u00e9 Mendon\u00e7a, Lu\u00eds Roberto Barroso, Luiz Fux e C\u00e1rmen L\u00facia. O ministro Nunes Marques votou pela absolvi\u00e7\u00e3o de Collor. Para ele, n\u00e3o ficou comprovado que o ex-presidente tenha se beneficiado de desvios na BR Distribuidora. A pena total de Collor ainda n\u00e3o foi definida. Ele foi responsabilizado por indica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas para a BR Distribuidora, empresa subsidi\u00e1ria da Petrobras, e teria recebido R$ 20 milh\u00f5es como contrapresta\u00e7\u00e3o \u00e0 facilita\u00e7\u00e3o da contrata\u00e7\u00e3o da UTC Engenharia. A a\u00e7\u00e3o penal tramitava desde 2017 e os crimes teriam sido cometidos entre 2010 e 2014, ou seja, no primeiro mandato da ex-presidente Dilma Rousseff, que n\u00e3o est\u00e1 envolvida no caso.<\/p>\n<p>O advogado de Collor pediu sua absolvi\u00e7\u00e3o. Alegou que as acusa\u00e7\u00f5es da Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica (PGR) est\u00e3o baseadas em depoimentos de dela\u00e7\u00e3o premiada e n\u00e3o foram apresentadas provas para incriminar o ex-senador. Negou que o ex-presidente tenha indicado diretores para a empresa: &#8220;N\u00e3o h\u00e1 nenhuma prova id\u00f4nea que corrobore essa vers\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico. Se tem aqui uma vers\u00e3o posta, \u00fanica e exclusivamente, por colaboradores premiados, que n\u00e3o dizem que a arrecada\u00e7\u00e3o desses valores teria rela\u00e7\u00e3o com Collor ou com suposta intermedia\u00e7\u00e3o desse contrato de embandeiramento&#8221;, disse.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o do Supremo ocorre um dia ap\u00f3s a cassa\u00e7\u00e3o do mandato do deputado Delton Dallagnol (Podemos-PR), que obteve mais de 350 mil votos nas elei\u00e7\u00f5es passadas. Ex-chefe da for\u00e7a tarefa da Lava-Jato, o ex-procurador da Rep\u00fablica perdeu o mandato por decis\u00e3o un\u00e2nime do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que est\u00e1 sendo interpretado como uma rea\u00e7\u00e3o dos ministros do STF contra a opera\u00e7\u00e3o. A atua\u00e7\u00e3o de Dallagnol \u00e9 criticada publicamente por alguns integrantes da Corte, como o ministro Gilmar Mendes, por exemplo. A decis\u00e3o do Supremo de ontem vai na dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria, ao concluir um processo cuja origem foi a Lava-Jato com uma pena dur\u00edssima contra um ex-presidente da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>Collor foi o primeiro presidente do Brasil eleito diretamente pelo voto popular, em 1989. Derrotou o ent\u00e3o candidato Lu\u00eds In\u00e1cio Lula da Silva, que saiu do pleito como a principal lideran\u00e7a de oposi\u00e7\u00e3o. Filho do chefe pol\u00edtico e empres\u00e1rio alagoano Arnon de Mello, foi eleito governador de Alagoas em 1986. Combateu os privil\u00e9gios na pol\u00edtica e ganhou o apelido de &#8220;ca\u00e7ador de maraj\u00e1s&#8221;, com o qual se projetou nacionalmente. Foi um candidato de direita contra o establishment pol\u00edtico que emergira durante o governo do presidente Jos\u00e9 Sarney, na transi\u00e7\u00e3o \u00e0 democracia.<\/p>\n<p><strong>Impeachment<\/strong><\/p>\n<p>No poder, enfrentou uma sucess\u00e3o de crises financeiras e fracassou no combate \u00e0 hiperinfla\u00e7\u00e3o. Os planos Collor I e Collor II foram desastrosos. Mas o colapso de seu governo foi, principalmente, \u00e9tico e pol\u00edtico, em raz\u00e3o das opera\u00e7\u00f5es de caixa dois do tesoureiro da sua campanha presidencial, Paulo C\u00e9sar (PC) Farias, que continuou arrecadando recursos ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Uma entrevista de seu irm\u00e3o, Pedro Collor, \u00e0 revista Veja, acusando-o de envolvimento com PC Farias, levou \u00e0 abertura de uma CPMI e uma s\u00e9rie de investiga\u00e7\u00f5es policiais, que motivaram o seu impeachment. Collor foi acusado de ter cometido crimes de responsabilidade, pautados pelo artigo 85 da Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 e na Lei 1.079, de 1950.<\/p>\n<p>O pedido foi acolhido em 29 de setembro de 1992, na C\u00e2mara dos Deputados. Depois, seguiu para o Senado. Em apenas dois meses, teve in\u00edcio o julgamento no plen\u00e1rio do Senado. No dia da vota\u00e7\u00e3o, antes que a sess\u00e3o come\u00e7asse, Collor enviou uma carta de ren\u00fancia para o Congresso, para evitar a perda dos direitos pol\u00edticos por oito anos. Mesmo assim foi cassado, por 73 votos a oito contra. Seus aliados mudaram de lado.<\/p>\n<p>Entretanto, o Plen\u00e1rio do STF julgou improcedente, na sess\u00e3o de 24 de abril de 2014, a A\u00e7\u00e3o Penal (AP) 465, proposta pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) contra o ex-presidente pela suposta pr\u00e1tica dos crimes de falsidade ideol\u00f3gica, corrup\u00e7\u00e3o passiva e peculato, previstos, respectivamente, nos artigos 299, 312 e 317 do C\u00f3digo Penal.<\/p>\n<p>Collor havia renascido para a pol\u00edtica em 2006, quando foi eleito senador por Alagoas, com 550.725 votos. No primeiro dia de mandato, migrou do PRTB para o PTB, a convite de Roberto Jefferson, seu mais leal aliado na crise do impeachment. Manteve-se no Senado nas elei\u00e7\u00f5es de 2014. Tentou voltar ao governo de Alagoas tr\u00eas vezes, em 2010, 2018 e 2022, sem sucesso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No poder, enfrentou uma sucess\u00e3o de crises financeiras e fracassou no combate \u00e0 hiperinfla\u00e7\u00e3o. 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