{"id":8000,"date":"2023-06-27T07:58:25","date_gmt":"2023-06-27T10:58:25","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=8000"},"modified":"2023-06-27T07:58:25","modified_gmt":"2023-06-27T10:58:25","slug":"lula-propoe-pacto-comercial-com-a-argentina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/lula-propoe-pacto-comercial-com-a-argentina\/","title":{"rendered":"Lula prop\u00f5e pacto comercial com a Argentina"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>O pa\u00eds vizinho era o nosso terceiro parceiro comercial, agora \u00e9 o quarto. Mesmo assim, continua sendo o parceiro mais importante para a nossa ind\u00fastria de autom\u00f3veis e de eletrodom\u00e9sticos.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A rivalidade entre Brasil e Argentina perdeu o sentido desde a Guerra das Malvinas, quando os Estados Unidos apoiaram o Reino Unido. Resultado: os ingleses foram beneficiados pelo apoio log\u00edstico norte-americano, enquanto os argentinos n\u00e3o obtiveram a assist\u00eancia de que necessitavam da pot\u00eancia que consideravam seu &#8220;aliado principal&#8221;. Ao contr\u00e1rio do que imaginava o ent\u00e3o presidente da Argentina, o general Leopoldo Galtieri, a primeira-ministra brit\u00e2nica, Margaret Thatcher, n\u00e3o quis saber de negocia\u00e7\u00e3o e resolveu o assunto pela for\u00e7a, exibindo o poder naval e a hegemonia militar do Reino Unido no Atl\u00e2ntico Sul.<\/p>\n<p>Foi um golpe de morte na ditadura militar argentina, desmoralizada na guerra. No Brasil de 1982, vigia ainda o governo militar, sob a presid\u00eancia do general Jo\u00e3o Baptista Figueiredo. O tema das guerras recebia aten\u00e7\u00e3o especial dos dois governos. Historicamente, o Ex\u00e9rcito argentino era o advers\u00e1rio principal na hip\u00f3tese de emprego de nossas For\u00e7as Armadas numa guerra convencional. Os dois pa\u00edses tinham doutrinas militares parecidas, inclusive para a guerra contra insurgentes, movimentos armados de oposi\u00e7\u00e3o a ambos os regimes militares.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de p\u00f4r fim \u00e0 ditadura argentino e sepultar a velha &#8220;doutrina de seguran\u00e7a nacional&#8221; dos nossos militares, norteada pela Guerra Fria, a Guerra das Malvinas aproximou o Brasil da Argentina. O ex-presidente Jos\u00e9 Sarney foi o grande patrono dessa mudan\u00e7a, tanto do ponto de vista diplom\u00e1tico como militar, estreitando a coopera\u00e7\u00e3o entre os dois pa\u00edses. Entretanto, durante o governo Bolsonaro, desde a elei\u00e7\u00e3o do presidente Alberto Fern\u00e1ndez, um peronista moderado, as rela\u00e7\u00f5es entre os dois pa\u00edses se deterioraram muito. Bolsonaro nem \u00e0 posse do colega foi, quebrando uma tradi\u00e7\u00e3o do Mercosul.<\/p>\n<p>O pa\u00eds vizinho era o nosso terceiro parceiro comercial, agora \u00e9 o quarto. Mesmo assim, continua sendo o parceiro mais importante para a nossa ind\u00fastria de autom\u00f3veis e de eletrodom\u00e9sticos. Nosso segundo parceiro comercial s\u00e3o os Estados Unidos, que est\u00e3o em guerra comercial com a China, o maior destino das nossas exporta\u00e7\u00f5es. Ontem, o presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva recebeu com honras de &#8220;visita de Estado&#8221; o presidente Alberto Fern\u00e1ndez. Ambos tenta recuperar o tempo perdido.<\/p>\n<p>Durante o encontro, Lula afirmou que \u00e9 preciso &#8220;maior integra\u00e7\u00e3o financeira&#8221; entre os dois pa\u00edses. &#8220;Estamos trabalhando na cria\u00e7\u00e3o de uma linha de financiamento abrangente das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras para a Argentina. N\u00e3o faz sentido que o Brasil perca espa\u00e7o no mercado argentino para outros pa\u00edses porque esses oferecem cr\u00e9dito e n\u00f3s n\u00e3o&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Muito do prest\u00edgio de Maradona se deve \u00e0 vit\u00f3ria da sele\u00e7\u00e3o argentina contra os ingleses na Copa do Mundo do M\u00e9xico, em 1986, quando fez dois gols \u2014 um com &#8220;la mano de Dios&#8221; e o outro, numa arrancada em linha reta, driblando todos os ingleses \u00e0 sua frente. Lavou, em campo, a alma de uma Argentina humilhada. \u00c9 mais ou menos o que o presidente Alberto Fern\u00e1ndez tenta fazer nessa viagem, com um olho no colapso da economia argentina e o outro na pr\u00f3pria sucess\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Parceria estrat\u00e9gica<\/strong><\/p>\n<p>A Argentina precisa da ajuda do Brasil para enfrentar sua crise. Lula tenta socorrer Fern\u00e1ndez n\u00e3o s\u00f3 porque se trata de um aliado hist\u00f3rico. H\u00e1 reais interesses econ\u00f4micos do Brasil. &#8220;Precisamos avan\u00e7ar nessa dire\u00e7\u00e3o, com novas e criativas solu\u00e7\u00f5es que permitam maior integra\u00e7\u00e3o financeira e facilitem nossas trocas. Entre as op\u00e7\u00f5es, est\u00e1 a ado\u00e7\u00e3o de uma moeda de refer\u00eancia espec\u00edfica para o com\u00e9rcio regional, que n\u00e3o eliminar\u00e1 as respectivas moedas nacionais&#8221;, disse Lula.<\/p>\n<p>Os dois pa\u00edses v\u00e3o adotar um plano com &#8220;quase 100 a\u00e7\u00f5es&#8221;. Na Am\u00e9rica do Sul, a Argentina \u00e9 o principal parceiro comercial do Brasil. Um dos projetos \u00e9 o financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES) para a constru\u00e7\u00e3o do gasoduto N\u00e9stor Kirchner, que ligar\u00e1 o campo de g\u00e1s Vaca Muerta, em Neuqu\u00e9n, \u00e0 localidade de Salliquel\u00f3, na prov\u00edncia de Buenos Aires.<\/p>\n<p>H\u00e1 mais de 10 anos, o nosso principal parceiro comercial \u00e9 a China. No primeiro semestre de 2020, o Brasil exportou mais de US$ 34 bilh\u00f5es para o pa\u00eds. No mesmo per\u00edodo, a importa\u00e7\u00e3o de produtos chineses foi de US$ 16,7 bilh\u00f5es. Vendemos soja, \u00f3leos brutos de petr\u00f3leo, min\u00e9rios de ferro e seus concentrados, pastas qu\u00edmicas de madeira e carnes desossadas de bovino congeladas, principalmente. Compramos plataformas de perfura\u00e7\u00e3o ou de explora\u00e7\u00e3o, flutuantes ou submers\u00edveis; componentes para aparelhos receptores de radiodifus\u00e3o; c\u00e9lulas solares em m\u00f3dulos ou pain\u00e9is; e celulares.<\/p>\n<p>Entretanto, nossa ind\u00fastria perde mercado para a China na Argentina. Para recuperar o mercado vizinho, o governo pretende promover as exporta\u00e7\u00f5es de produtos brasileiros para a constru\u00e7\u00e3o do gasoduto; financiar a exporta\u00e7\u00e3o de blindados Guarani; promover um acordo de vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica para a detec\u00e7\u00e3o antecipada de riscos \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica; e acordar plano de trabalho com a\u00e7\u00f5es coordenadas e\/ou conjuntas para a preven\u00e7\u00e3o e o combate do racismo, da xenofobia e formas correlatas de discrimina\u00e7\u00e3o no ambiente esportivo. O governo brasileiro tamb\u00e9m pretende manter apoio aos &#8220;direitos leg\u00edtimos&#8221; da Argentina na disputa com o Reino Unido pelas ilhas Malvinas, Ge\u00f3rgia do Sul e Sandwich do Sul.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O pa\u00eds vizinho era o nosso terceiro parceiro comercial, agora \u00e9 o quarto. Mesmo assim, continua sendo o parceiro mais importante para a nossa ind\u00fastria de autom\u00f3veis e de eletrodom\u00e9sticos. A rivalidade entre Brasil e Argentina perdeu o sentido desde a Guerra das Malvinas, quando os Estados Unidos apoiaram o Reino Unido. 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