{"id":8068,"date":"2023-07-18T07:32:57","date_gmt":"2023-07-18T10:32:57","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=8068"},"modified":"2023-07-18T07:32:57","modified_gmt":"2023-07-18T10:32:57","slug":"nas-entrelinhas-rumos-na-economia-opoem-haddad-e-campos-neto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-rumos-na-economia-opoem-haddad-e-campos-neto\/","title":{"rendered":"Nas Entrelinhas: Rumos na economia op\u00f5em Haddad e Campos Neto"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Ministro da Fazenda conquistou a confian\u00e7a do mercado, tem mais prest\u00edgio do que o presidente do Banco Central, que ser\u00e1 carbonizado se n\u00e3o baixar a taxa de juros, em 13,75%<\/strong><\/em><\/p>\n<p>O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, voltou a criticar a taxa de juros praticada pelo Banco Central, que est\u00e1 em 13,75%. A queda de 2% na atividade econ\u00f4mica em maio, medida pelo \u00cdndice de Atividade Econ\u00f4mica (IBC-Br) do BC, confirmou as previs\u00f5es da equipe econ\u00f4mica e tende a politizar a discuss\u00e3o.<\/p>\n<p>A queda do PIB j\u00e1 promove nova fric\u00e7\u00e3o entre o governo e o presidente do BC, Roberto Campos Neto. &#8220;Pr\u00e9via&#8221; do Produto Interno Bruto (PIB), o \u00edndice indica a evolu\u00e7\u00e3o da economia brasileira, m\u00eas a m\u00eas. O debate sobre a taxa de juros ser\u00e1 a &#8220;flor do recesso&#8221; do Congresso, porque o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria do BC, composto pelo presidente e pela diretoria da institui\u00e7\u00e3o, somente se reunir\u00e1 em agosto.<\/p>\n<p>Para reduzir a infla\u00e7\u00e3o ao centro da meta, com amplo apoio do mercado, neste semestre, Campos Neto manteve o arrocho no cr\u00e9dito, mas o rem\u00e9dio virou veneno. O PIB cresceu 2,9% em rela\u00e7\u00e3o a 2021. Seria muito maior sem o crescimento negativo trimestre. H\u00e1 expectativa de que os juros sejam reduzidos, em raz\u00e3o da ata da \u00faltima reuni\u00e3o do Copom.<\/p>\n<p>A posse de dois novos diretores do BC, o funcion\u00e1rio de carreira A\u00edlton Aquino e o ex-secret\u00e1rio executivo do Minist\u00e9rio da Fazenda, Gabriel Gal\u00edpolo, levar\u00e1 o debate para dentro do banco. Haddad e Campos agora est\u00e3o em rota de colis\u00e3o, embora mantenham uma relacionamento politicamente elegante.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m se surpreenda, tamb\u00e9m, com o presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, que deve chutar o balde ao voltar de Bruxelas. A queda na produ\u00e7\u00e3o de 2%, considerada muito alta, estava escrita nas estrelas. A Selic \u2014 a taxa de juros b\u00e1sica que norteia toda economia \u2014 come\u00e7ou 2022 num patamar razo\u00e1vel, mas ao longo dos meses foi subindo e chegou ao \u00e1pice depois das elei\u00e7\u00f5es, apesar das cr\u00edticas de Lula. O BC \u00e9 independente, o governo n\u00e3o pode interferir na pol\u00edtica monet\u00e1ria, mas ela precisa estar alinhada \u00e0 pol\u00edtica econ\u00f4mica e fiscal para o pa\u00eds dar certo.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que Haddad fez o dever de casa. Articulou a aprova\u00e7\u00e3o do novo arcabou\u00e7o fiscal e da reforma tribut\u00e1ria na C\u00e2mara. Em agosto, o Senado tamb\u00e9m far\u00e1 sua parte. A ministra do Planejamento e Or\u00e7amento, Simone Tebet, ex-senadora pelo MDB, assumiu a lideran\u00e7a das negocia\u00e7\u00f5es com os ex-colegas.<\/p>\n<p>O BC imp\u00f5e uma taxa alta de juros quando teme que possa haver infla\u00e7\u00e3o, mas acontece que os reajustes est\u00e3o se dando pela infla\u00e7\u00e3o passada e n\u00e3o a futura, ou seja, tende a cair mais. O que pode p\u00f4r tudo a perder \u00e9 n\u00e3o afrouxar a pol\u00edtica monet\u00e1ria.<\/p>\n<p>O impacto negativo no programa Desenrola, lan\u00e7ado ontem, para beneficiar at\u00e9 35 milh\u00f5es de inadimplentes neste ano, por exemplo, ser\u00e1 inevit\u00e1vel, se n\u00e3o houver redu\u00e7\u00e3o forte da Selic.<\/p>\n<p>Campos Neto \u00e9 um economista liberal ortodoxo, ligado ao ex-ministro da Fazenda Paulo Guedes, que segue o receitu\u00e1rio de que a recess\u00e3o \u00e9 o melhor rem\u00e9dio para controlar a infla\u00e7\u00e3o. Defende a eleva\u00e7\u00e3o dos juros para reduzir o consumo, porque assim as pessoas evitam fazer empr\u00e9stimos. Isso inibe o consumo e, com menor procura por bens, os pre\u00e7os tendem a cair, com a consequente redu\u00e7\u00e3o do crescimento econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Acontece que os investimentos se retraem e os produtores passam aplicar os recursos nos t\u00edtulos do governo, trocando a produ\u00e7\u00e3o de bens pelo ganho financeiro imediato. Vira um c\u00edrculo vicioso.<\/p>\n<p><strong>Fogueira acesa<\/strong><\/p>\n<p>Essa doutrina vem sendo questionada desde 2008, quando houve a crise financeira mundial. Muitos pa\u00edses t\u00eam infla\u00e7\u00e3o maior do que a do Brasil e praticam taxas de juros menores. O argumento do BC para isso \u00e9 o deficit p\u00fablico, ou seja, que o governo arrecada menos do que gasta. Em em 2022, o deficit nominal foi de 4,7% do PIB: um rombo R$ 460 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas o grande vil\u00e3o s\u00e3o juros dos t\u00edtulos p\u00fablicos, que chegam a custar R$ 594 bilh\u00f5es para o governo. Se os juros ca\u00edrem, o deficit tamb\u00e9m diminui. Para se ter uma ideia do que isso significa, o programa Bolsa Fam\u00edlia custar\u00e1 R$ 151 bilh\u00f5es em 2023, para atender 84 milh\u00f5es de brasileiros em condi\u00e7\u00f5es de vulnerabilidade \u2014 ou seja, quase 40% da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em compensa\u00e7\u00e3o, mantidos a atual taxa de juros e o n\u00edvel de endividamento do pa\u00eds, o custo dos t\u00edtulos chegar\u00e1 a R$ 700 bilh\u00f5es. Apenas 5% dos brasileiros, que t\u00eam alguma aplica\u00e7\u00e3o financeira, s\u00e3o beneficiados.<\/p>\n<p>O desalinhamento entre a pol\u00edtica econ\u00f4mica e a pol\u00edtica monet\u00e1ria reacender\u00e1 a fritura de Campos Neto, o segundo homem mais importante na economia brasileira. Houve um invers\u00e3o de situa\u00e7\u00e3o: por seu desempenho \u00e0 frente da Fazenda, Haddad conquistou a confian\u00e7a do mercado, hoje tem mais prest\u00edgio do que o do presidente do BC. Se n\u00e3o baixar os juros, Campos Neto ser\u00e1 carbonizado pelos pol\u00edticos. Embora n\u00e3o possa ser demitido por Lula, pode ser afastado pelo Senado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ministro da Fazenda conquistou a confian\u00e7a do mercado, tem mais prest\u00edgio do que o presidente do Banco Central, que ser\u00e1 carbonizado se n\u00e3o baixar a taxa de juros, em 13,75% O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, voltou a criticar a taxa de juros praticada pelo Banco Central, que est\u00e1 em 13,75%. 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